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Brasileiros na Suíça organizam passeata em protesto contra agressões a brasileira

Grupos de brasileiros que moram na Suíça pretendem realizar uma passeata neste final de semana em protesto contra as agressões à advogada brasileira Paula Oliveira, 26, que foi espancada e teve boa parte do corpo retalhado por estilete por três homens brancos e carecas que pareciam skinheads, na noite de segunda-feira (9).

Reprodução/TV Globo



A advogada Paula Oliveira, 26, perdeu gravidez de gêmeos após ser atacada por neonazistas nos arredores de Zurique, Suíça
A mobilização está sendo organizada por membros de ao menos três comunidades do site de relacionamento Orkut --"Brasileiros na Suíça", "Brasileiros em Zurique" e "Brazil and Switzerland"-- desde ontem.

A ideia dos brasileiros é realizar a passeata no domingo, saindo do Palácio da Justiça de Zurique, e percorrer algumas das principais ruas da cidade com cartazes e faixas de protesto. O horário do protesto ainda não foi definido.

Nas comunidades, outros brasileiros relatam terem sofrido agressões por supostos skinheads no país. Hoje, o ministro das relações exteriores Celso Amorim diz ter visto "evidente xenofobia" na agressão à brasileira.

"Nós não podemos fazer nenhum prejulgamento mesmo porque a investigação tem de ocorrer, mas há uma aparência evidente de xenofobia. A moça não foi assaltada, aparentemente não houve estupro. Não que essas outras coisas diminuíssem o caso, apenas denotam outra motivação. Se ficar provado que tem relação com xenofobia é mais grave ainda", afirmou o ministro.

Grávida de três meses de gêmeas, Paula sofreu aborto na mesma noite, quando foi socorrida e internada em hospital universitário de Zurique. Ela continua em repouso, mas já não corre mais risco de morte.

Algumas das marcas de estilete que atingem especialmente as pernas e a barriga da advogada formam a sigla SVP, do Partido do Povo Suíço, que defende políticas anti-imigrantes consideradas, muitas vezes, racistas pela oposição.

De acordo com informações do Itamaraty, Paula é funcionária do grupo controlador dinamarquês A. P. Moller - Maersk. O ataque aconteceu quando ela estava na estação de trem de Dubendorf, pequena cidade a cerca de cinco quilômetros de Zurique, onde trabalha.

 

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