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Coreia do Norte ameaça Coreia do Sul com ataque militar
A Coreia do Norte deu nesta quarta-feira (27) mais um
passo em sua rede de desafios iniciada esta semana com
seu teste nuclear, ao ameaçar a Coreia do Sul com um
ataque militar e dar por liquidado o armistício com que
terminou em 1953 a guerra entre ambos os países.
O regime comunista de Pyongyang reagiu assim à decisão
tomada na terça (26) pelo governo de Seul de aderir à
iniciativa americana contra o tráfico de armas de
destruição em massa (PSI, na sigla em inglês), que
permite a abordagem de navios suspeitos.
A Coreia do Norte anunciou que responderá com um ataque
militar se seus navios forem interceptados e que também
não garante a segurança dos navios estrangeiros no Mar
Ocidental (Mar Amarelo), onde em anos recentes os dois
países mantiveram confrontos armados.
O presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, agradeceu à
população a "maturidade" com que está recebendo as
ameaças norte-coreanas, enquanto uma fonte militar
assinalava à agência "Yonhap" que seu país tem
superioridade naval e repelira qualquer ataque.
Efetivo
A península coreana é uma das áreas mais militarizadas
do mundo, com um milhão de soldados da Coreia do Norte,
655 mil da Coreia do Sul e outros 28,5 mil militares
americanos assentados em território de seu aliado
sul-coreano desde o final da Guerra da Coreia.
Teste nuclear
A Coreia do Norte realizou seu segundo teste nuclear e
lançou pelo menos cinco mísseis de curto alcance – nesta
quarta (27) se informou do último deles, disparado na
terça (25) à noite -, fazendo pouco caso às advertências
dos EUA, Japão, Coreia do Sul e da própria ONU.
Festa
A agência estatal norte-coreana "KCNA" divulgou nesta
quinta fotografias de uma grande comemoração, na terça
em Pyongyang, para aplaudir o "sucesso" nuclear do país,
cujo líder, Kim Jong-il, se mostra mais ameaçante do que
nunca, apesar de sua aparente saúde fragilizada.
Segundo fontes diplomáticas citadas pela agência
"Yonhap", a usina nuclear norte-coreana de Yongbyon,
inativa desde 2007 por um acordo internacional, teria
sido reativada em meados de abril com o objetivo de
extrair plutônio.
No dia 25 de abril, a Coreia do Norte já tinha anunciado
que tinha começado a extrair plutônio do combustível
nuclear que armazena nessa usina, a fim de impulsionar
seu poder atômico perante as "forças hostis".
Ameaça de guerra
Hoje o léxico empregado por um porta-voz da missão
militar norte-coreana na vigiada fronteira entre as duas
Coreias foi similar, ao tachar a equipe do presidente
Lee de "grupo de traidores" e ameaçar, em último caso,
com a guerra.
Segundo esse porta-voz, os militares norte-coreanos já
não estão vinculados ao armistício do fim da Guerra da
Coreia (1950-1953), devido à decisão de Seul de
participar plenamente na iniciativa PSI liderada pelos
EUA.
Essa campanha permite abordar navios e aviões suspeitos
de participar da proliferação de armas de destruição em
massa, algo que a Coreia do Norte considera uma violação
dos termos do armistício que assinou em 1953 com a China
e os EUA, este último representando o Exército sob a
bandeira das Nações Unidas.
Pyongyang assegurou que se algum de seus navios for
inspecionado com base na PSI, isso será um ato hostil e
"uma violação intolerável de sua soberania" à qual
responderá com um ataque militar.
As duas Coreias estão tecnicamente em guerra pois nunca
assinaram um tratado de paz, algo que parecia possível
quando em outubro de 2007 realizaram uma cúpula
histórica em Pyongyang, que terminou com uma declaração
a favor da "paz permanente", mas que agora está cada vez
mais longe.
"Se o armistício for dado por concluído, a Península
coreana, em termos legais, está no caminho de retornar
ao estado de guerra e nossas forças revolucionárias
tomarão decisões a favor das ações militares
pertinentes", disse o porta-voz norte-coreano
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