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Suriname: ao menos 4 brasileiros morreram, diz vítima
As vítimas dos ataques ocorridos contra a comunidade
brasileira na cidade de Albina, no leste do Suriname, na
última quinta-feira à noite, afirmam que pelo menos
quatro brasileiros estão mortos e muitos outros
continuam desaparecidos. Segundo o relato de uma das
vítimas, a polícia local chegou a pedir que os
brasileiros deixassem a cidade. O Ministério das
Relações Exteriores do Brasil, assim como as autoridades
locais, ainda não divulgou informações oficiais sobre
mortos nos conflitos.

Os ataques deixaram 14 feridos, segundo as autoridades.
Um grupo de 81 brasileiros, que se refugiou em um
quartel, foi transferido pelo governo local para a
capital, Paramaribo. O tumulto teria sido motivado pela
morte de um surinamês esfaqueado por um suspeito
brasileiro. A cidade de Albina, a 130 km da capital, é o
principal ponto de fronteira com a Guiana Francesa e
atrai grande quantidade de garimpeiros brasileiros.
A maranhense Regina Carneiro de Oliveira, 30 anos, que
mora no país há cerca de 10 anos, afirmou que os ataques
começaram por volta da 01h de sexta-feira, quando os
agressores invadiram as casas, bares e supermercados de
uma região habitada basicamente por brasileiros armados
com machados, facões e paus. "Eles gritavam 'todos
brasileiros vão morrer, não vai ficar nenhum vivo', e
foram machucando mulheres, crianças, todo mundo que
encontravam pela frente", afirmou Regina, que neste
momento está em um hotel em Paramaribo junto com os
outros brasileiros que conseguiram deixar a cidade.
Segundo ela, que mantém contato por telefone com
brasileiros que ainda estão na região, há pelo menos
quatro corpos de brasileiros do lado francês da
fronteira e muitas pessoas ainda estão desaparecidas.
Regina também afirmou que 36 brasileiros estão
hospitalizados em Saint Laurent du Marini, na Guiana
Francesa.
Segundo Regina, a polícia chegou ao local apenas 2h
depois do início dos ataques, quando a maior parte dos
brasileiros já havia fugido em direção ao rio, que marca
a fronteira com a Guiana Francesa. Ela conta que uma das
vítimas, uma mulher grávida de 5 meses, se atirou no rio
mesmo sem saber nadar. "Os brasileiros tiveram que cair
na água. Tem gente que levou golpe de facão e machado,
tem gente desaparecida, tem mulher grávida que levou
facada", conta Regina.
A confusão começou na quinta-feira por volta das 21h30,
segundo o relato de Regina, quando um surinamês
conhecido como Uatrá, uma espécie de líder da comunidade
negra na região, desafiou um brasileiro em um bar local.
Os dois acabaram se enfrentando e o brasileiro acabou
matando Uatrá. Horas depois começaram os ataques contra
a comunidade brasileira. "Eles se revoltaram contra os
brasileiros, aconteceu um problema e eles resolveram
atacar todos os brasileiros", explica Regina.
A mulher também contou que a polícia chegou a pedir aos
brasileiros que deixassem a cidade, pois o policiamento
na região é pequeno. Segundo Regina, muitos brasileiros
ainda estão desaparecidos, escondidos na mata e no rio
ao lado da cidade.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, 14
brasileiros estão internados em hospitais de Paramaribo,
sete deles em estado grave. O embaixador brasileiro no
país, José Luiz Machado e Costa, confirmou que a briga
teria acontecido devido a uma dívida e o ataque aos
brasileiros seria uma reação a este assassinato. Segundo
informações da Reuters, o brasileiro suspeito de ter
cometido o crime já está preso em custódia.
O ministro da Justiça e da polícia local,
Chandrikapersad Santokhi, afirmou que entre 100 e 500
pessoas saquearam um shopping e outras lojas após o
ataque aos brasileiros. Eles tomaram o cofre de um
vendedor de ouro. Após o ataque, os 81 brasileiros - a
maioria com permanência irregular no país - buscaram
refúgio em um quartel do exército e depois foram levados
de ônibus a Paramaribo.
Existem tensões em Albina entre exploradores de ouro
brasileiros e surinameses, incluindo ameríndios, que
enfrentam uma alta taxa de desemprego. Albina, uma
cidade com cerca de 5 mil moradores, é o principal ponto
de cruzamento para a Guiana Francesa.
Segundo a embaixada brasileira, vivem atualmente no
Suriname entre 15 mil e 18 mil brasileiros, a maioria
dedicada ao garimpo. Segundo Machado e Costa, esta é a
primeira vez na história que ocorre um incidente desse
tipo, já que a convivência entre os brasileiros e a
população local costuma ser pacífica.
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