Chineses propõem na internet boicote e até guerra contra
EUA
Internautas chineses enraivecidos estão expressando sua
ira contra os Estados Unidos, depois que o governo do
presidente Barack Obama propôs sua primeira venda de
armas a Taiwan, e alguns deles apelaram por um boicote a
bens norte-americanos ou até mesmo ação militar.
Mas Taiwan, a ilha autônoma que a China alega ser parte
de seu território, em larga medida escapou à indignação
chinesa, já que as duas nações estão envolvidas em um
novo esforço de aproximação diplomática, desde a posse
do novo presidente taiuanês Ma Ying-jeou, em 2008.
Os EUA transferiram seu reconhecimento diplomático de
Taiwan a Pequim em 1979, reconhecendo a política de
"China unificada" adotada pelos dirigentes chineses, mas
continuam a ser o maior aliado de Taiwan, e têm a
obrigação de ajudar na defesa da ilha, nos termos de uma
lei de 1979.
Muitos internautas chineses apelaram por um boicote
geral a produtos norte-americanos, entre os quais os
aviões da Boeing. "Os internautas deveriam se unir e
boicotar todos os bens norte-americanos", disse um
chinês de Henan, uma província do centro da China, em
mensagem no popular portal www.sina.com.cn. "Nada de KFC,
nada de McDonald's, e nada de viagens de turismo aos
EUA".
"Vamos primeiro começar uma guerra sem fumaça, e depois
pode vir a guerra real", acrescentou outro usuário.
Outros sugeriram que o governo chinês venda mais armas
ao Irã e Coreia do Norte, para reencontrar o equilíbrio
com os EUA. "Como vingança, a China deveria vender armas
avançadas aos inimigos dos EUA", escreveu "Jjyang03so"
em outro portal na web, o www.sohu.com.
"O governo chinês pode contra-atacar com vigor diante de
todas as ameaças aos interesses essenciais do país",
escreveu um leitor da edição online do Global Times, um
tabloide nacionalista.
Houve quem apelasse por represálias mais severas. "Se
eles querem guerra, é hora de o nosso exército
responder", disse um internauta chamado Lucky Lion, no
www.sina.com.cn.
Mas também havia apelos à cautela. "Como vocês podem
pedir uma guerra? As medidas tomadas até agora foram
pequenas e cautelosas", escreveu Lookformm em um fórum
de mensagens da Universidade Tsinghua, uma instituição
de elite em Pequim.