Tony Blair critica o sistema de
transportes brasileiro
Tony Blair, ex-primeiro-ministro britânico, realizou
nesta terça-feira uma palestra em São Paulo, durante
seminário internacional que discutiu desafios e
oportunidades do Brasil como país-sede da Copa do Mundo
de 2014 e da Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro. E
segundo Blair, o Brasil pode aproveitar conselhos
valiosos oriundos de Londres, que receberá os Jogos
Olímpicos de 2012 - particularmente na área de
transportes.
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"Transporte publico é
absolutamente vital. Não quero dizer isso por
causa da experiência que tive com o trânsito
nesta manhã", comentou o britânico, brincando
sobre a fila de carros que se formou próximo ao
local do evento. Segundo ele, infra-estrutura é
um ponto delicado em eventos deste porte, mas,
com base no próprio exemplo de 2012, "os Jogos
Olímpicos nos forneceram oportunidades de
renovar áreas de transporte publico em Londres".
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Falando a cerca de 650 empresários, Tony Blair
distribuiu conselhos sobre como o Brasil pode receber a
Copa e a Olimpíada. Em sua palestra, o político colocou
também a estrutura aeroportuária como um ponto essencial
para que os brasileiros recebam grandes eventos. Mas
mesmo citando os problemas de transportes, disse que
hospedar os Jogos de 2016 "mostra a força vital e a
confiança dentro e fora do Brasil no povo brasileiro".
Ao longo de suas declarações, Tony Blair citou cinco
lições traçadas pela Inglaterra que podem servir ao
Brasil. A primeira, segundo ele, é a governança e a
organização com metas claras, "para conseguir chegar ao
momento certo com tudo".
Além disso, atrair investimentos em escala global seria
um segundo ponto. "É importante esta parceria do setor
público com o privado", justificou. Como terceira lição,
afirmou que "temos que ter o conceito de construir a
longo prazo, e não só para as semanas das partidas (da
Copa do Mundo)".
O quarto ponto comentado por Blair - citando novamente
os transportes - é o que chamou de "regeneração". "É
preciso melhorar o sistema de transportes, assim como
criar conceito de como esporte pode fazer e o que pode
fazer pelas pessoas e pela sociedade. (Também é preciso)
usar eventos como forma de unificar a sociedade", disse.
Por fim, o ex-premiê britânico disse que, em um contexto
mundial, o Brasil precisa "ganhar espírito de como o
país é e o que ele deve ser". "O que está acontecendo
com o Brasil é um símbolo da mudança da estrutura de
poder do mundo. O Brasil é um país faminto por fazer
mais", explicou.
Apesar de insistir no argumento da estrutura para os
eventos, Tony Blair reconheceu que, mesmo em Londres, o
orçamento inicial para tais disputas "nunca" vai ser
igual ao relatado no fim. Ainda assim, apostando no
esporte como "momento e oportunidade de integração das
classes sociais", defendeu o esforço dos países para
ganhar o direito de sediar uma Copa do Mundo, por
exemplo.
"Existe um motivo para todos lutarem para sediar eventos
como estes - porque no fim, os benefícios serão
enormes", disse Tony Blair, novamente em tom de
conselho. "Não entrem nos Jogos se não estiverem
preparados. Mas saibam que vai valer a pena no final",
emendou.
A agenda do ex-primeiro-ministro entre os paulistanos
ainda prevê encontro reservado com Geraldo Alckmin,
governador eleito de São Paulo, e um almoço com a
senadora Marina Silva (PV-AC), candidata à presidência
no primeiro turno. O evento desta terça-feira ainda
contou com a presença de ex-atletas como Raí, Hortência
e Paula, além de políticos como Sérgio Cabral,
governador do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, prefeito do
Rio, e Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo.
Alberto Goldman, atual governador de São Paulo, também
estava presente, e afirmou que até o final de novembro,
a capital paulista divulgará oficialmente o estádio que
receberá seus jogos na Copa do Mundo. "As coisas
caminham bem em relação ao projeto do estádio do
Corinthians", disse, sem confirmar oficialmente a nova
arena como palco da abertura do Mundial de 2014.