Parlamento diz que a ação militar
internacional na Líbia evitou massacre"
O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron,
afirmou nesta segunda-feira no Parlamento que a ação
militar internacional na Líbia evitou um "massacre" em
Benghazi, cidade sede do Governo provisório rebelde.

Cameron disse que "se progrediu bem" os dois objetivos
iniciais fixados pela coalizão internacional para
aplicar a resolução 1973 aprovada na semana passada pelo
Conselho de Segurança da ONU.
"A primeira era suprimir as defesas da zona de exclusão
aérea. A segunda era proteger os civis do ataque do
regime de Kadafi. Se progrediu bem nas duas frentes",
manifestou.
O primeiro-ministro do Reino Unido declarou em seu
comparecimento que "as Forças da coalizão neutralizaram
em boa parte as defesas aéreas líbias, e o resultado é
que a zona de exclusão aérea foi implantada com eficácia
sobre a Líbia".
"Também é evidente que as Forças da coalizão ajudaram a
evitar o que poderia ter sido um massacre sangrento em
Benghazi", disse.
Cameron ressaltou que a operação militar "não é uma
invasão" e deu garantias aos cidadãos britânicos que
"não haverá ocupação da Líbia", porque a resolução da
Organização das Nações Unidas (ON) não o autoriza.
O dirigente britânico rejeitou as comparações com a
Guerra do Iraque, respaldada pelo anterior Governo
trabalhista sob a direção de Tony Blair, e lembrou que
aquele conflito não contou "nem com o respaldo das
Nações Unidas, nem das nações árabes".
Antes do comparecimento parlamentar de Cameron, o
Governo publicou o estudo legal que encarregou nos
últimos dias ao Procurador-geral, Dominic Grieve,
segundo o qual o desdobramento das Forças armadas
britânicas no Mediterrâneo tem "uma base clara e
inequívoca" em virtude da Carta das Nações Unidas.
O estudo indica que a resolução 1973 foi adotada sob o
capítulo VII da Carta da ONU de 1945, relativa aos atos
de agressão e de manutenção da paz e à possibilidade de
"empregar forças por ar, mar e terra como for necessário
para manter ou restaurar a paz internacional".
"O Procurador-geral foi consultado e o Governo está
satisfeito pelo fato de que esta autorização sob o
capítulo VII para empregar todas as medidas necessárias
dota de uma base legal clara e inequívoca ao
desdobramento de Forças e ativos militares do Reino
Unido para alcançar os objetivos da resolução", se
afirma.
Cameron apresentou uma moção de apoio à intervenção
militar, que será aprovada sem problemas porque conta
com o respaldo do opositor Partido Trabalhista.
Cindida entre rebeldes e forças de Kadafi, Líbia
mergulha em guerra civil
Motivados pela onda de protestos que levaram à queda os
longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios
começaram a sair às ruas das principais cidades do país
em meados de fevereiro para contestar o líder Muammar
Kadafi, no comando do país desde a revolução de 1969.
Entretanto, enquanto os casos tunisiano e egípcio
evoluíram e se resolveram principalmente por meio
protestos pacíficos, a situação da Líbia tomou contornos
bem distintos, beirando uma guerra civil.
Após semanas de violentos confrontos diários em nome do
controle de cidades estratégicas, a Líbia se encontrava
atualmente dividida entre áreas dominadas pelas forças
de Kadafi e redutos da resistência rebeldes. Mais
recentemente, no entanto, os revolucionários viram seus
grandes avanços a locais como Sirte e o porto
petrolífero de Ras Lanuf serem minados no contra-ataque
de Kadafi, que retomou áreas no centro da Líbia e se
aproxima das portas de Benghazi, a capital da
resistência rebelde, no leste líbio.
Essa contra-ofensiva governista mudou a postura da
comunidade internacional. Até então adotando medidas
mais simbólicas que efetivas, ao Conselho de Segurança
da ONU aprovou em 17 de março a determinação de uma zona
de exclusão aérea na Líbia. Menos de 48 horas depois,
enquanto os confrontos persistiam, França, Reino Unido e
Estados Unidos iniciaram ataques. Mais de mil pessoas
morreram, e dezenas de milhares já fugiram do país.
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