Caos na sa�de do Distrito Federal deixa pacientes
sem atendimento
M�dico por forma��o, o governador Agnelo Queiroz
(PT-DF) foi eleito sob a promessa de reerguer o
sistema de sa�de da capital federal, sucateado por
anos de descaso p�blico com o setor. Nas emerg�ncias
e corredores dos hospitais, no entanto, o que se v�
s�o problemas graves de atendimento e falta
generalizada de m�dicos e enfermeiros mesmo ap�s
dois anos de governo.
Tradicionalmente, o in�cio do ano � um per�odo no
qual se verifica um aumento na procura por servi�os de
sa�de. Na outra ponta, � tamb�m quando surgem mais
problemas em rela��o � falta de atendimento. Desde o
in�cio desta semana, ao menos seis unidades p�blicas de
sa�de do Distrito Federal admitiram falta de capacidade
para atender � demanda da popula��o por tratamento
m�dico.
Comunicados enviados � Central Integrada de Atendimento
e Despacho (Ciade) do Corpo de Bombeiros, respons�vel
pela distribui��o de pacientes do Servi�o de Atendimento
M�vel de Urg�ncia (Samu), indicam que os hospitais das
regi�es administrativas de Ceil�ndia, Samambaia, Recanto
das Emas, Santa Maria, Brazl�ndia e Parano� pediram que
n�o fossem enviados pacientes por causa da aus�ncia de
profissionais para realizar atendimento.
A situa��o ganhou contornos de calamidade p�blica quando
se descobriu que pelo menos quatro m�dicos plantonistas
haviam faltado ao expediente no �ltimo fim de semana. Um
deles justificou que participaria de uma prova de
resid�ncia promovida pela pr�pria Secretaria de Sa�de,
enquanto os outros sequer se manifestaram. As faltas
ser�o alvo de uma sindic�ncia que deve ser conclu�da em
15 dias. As puni��es podem variar de uma advert�ncia a
exonera��o do cargo.
�Eles j� foram identificados e ter�o de responder na
sindic�ncia. N�o quero mais justificativas�, disse o
secret�rio adjunto da Secretaria de Sa�de, Elias
Fernando Miziara.
Ainda de acordo com o secret�rio, os problemas foram
supervalorizados, uma vez que nenhum paciente teria
ficado sem atendimento. �Havia profissionais na parte
interna atuando, dando assist�ncia aos internos. Os
casos graves, de fato, seriam atendidos�, garantiu.
A realidade mostra o contr�rio. No domingo, no hospital
de Ceil�ndia, por exemplo, m�es tiveram de voltar com os
filhos para casa sem atendimento porque n�o havia
pediatra e os dois cl�nicos que deveriam estar de
plant�o n�o apareceram para trabalhar. Nesta ter�a-feira,
o mesmo ocorreu nas unidades do Parano� e Santa Maria.
Problema de gest�o
Apesar de n�o comentar a investiga��o da Secretaria de
Sa�de do DF, o Conselho Regional de Medicina do Distrito
Federal (CRM-DF) alega que �o m�dico n�o � o culpado�
pelos problemas no sistema p�blico local.
Segundo o conselheiro do CRM-DF Dimitri Homar, um
relat�rio conjunto assinado pelo Minist�rio P�blico do
DF, pelo Sindicato dos M�dicos, Conselho de Odontologia,
de Medicina, de Enfermagem, al�m da Ordem dos Advogados
do Brasil atestam que o contingente m�dico na capital
atende a apenas metade da capacidade esperada.
�Mostramos para a Secretaria de Sa�de que o grande
problema est� no n�vel de gest�o. O contingente que est�
funcionando � de apenas metade dos m�dicos esperados
para oferecer sa�de decente � popula��o�, afirmou Homar.
Para o conselheiro, a falta de estrutura e sal�rio
adequados dificulta a atratividade de profissionais para
o sistema p�blico de sa�de. Os mesmos fatores, explica
Homar, s�o respons�veis pelo alto n�vel de evas�o de
m�dicos na carreira p�blica. �O m�dico n�o � o culpado.
O m�dico n�o tem condi��es adequadas e o sal�rio �
irris�rio. Ele est� fazendo al�m da sua capacidade para
oferecer o seu servi�o � popula��o�, disse.
Desigualdade
No Distrito Federal, h� 6.302 m�dicos que trabalham para
o governo local. Na categoria, existem varia��es de
sal�rios. Os que ganham menos est�o em in�cio de
carreira e n�o t�m titularidade: s�o R$ 5,8 mil por m�s,
em m�dia. Os mais antigos, j� perto de se aposentar,
chegam a remunera��es de mais de R$ 40 mil em fun��o do
pagamento de horas extras.
Segundo informa��es da Secretaria de Planejamento, h�
pelo menos 14 profissionais da sa�de cujos contracheques
apontam remunera��es acima desse valor. S�o 12 doutores
e duas doutoras com horas extras entre R$ 15.995,07 e R$
18.719,64 que somadas aos sal�rios � j� no teto da
remunera��o constitucional � acumulam um vencimento para
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