|
Petróleo: 3 anos depois, pescadores ainda sofrem com
vazamento
Justiça da Louisiana começa a julgar processo contra
a companhia britânica pela catástrofe ocorrida há
quase três anos
"Nossas ostras estão todas mortas. Não pescamos há
tempos", conta o pescador Byron Encalade em um de
seus dois barcos, que há quase três anos já não
desancoram.
 |
Peixe em decomposição é visto em praia de
Waveland, Mississippi, em 7 de julho de 2010
Foto: Reuters
Eles estão enferrujando no porto de Pointe à
la Hachevor, uma pequena localidade ao sul
de Nova Orleans, onde o Mississippi deságua
no Golfo do México – e onde, durante quase
três meses no ano de 2010, ocorreu um
vazamento de petróleo após a explosão da
plataforma Deepwater Horizon. Foram mais de
4 milhões de barris despejados ao longo de 7
mil km de costa nos Estados Unidos, sendo o
Estado da Louisiana o mais afetado. |
Como seu pai, Byron Encalade tirou o sustento
durante a vida inteira da pesca de ostra. Sua
família mora há gerações a leste do Mississippi, que
ele descreve como "provavelmente a maior e mais rica
fonte de ostras do mundo". Mas nas águas em que ele
e outros pescadores sempre encontraram fartura, há
quase três anos não há mais praticamente qualquer
ostra.
Ostras não reproduzem mais
As ostras foram mortas não pelo petróleo que vazou,
mas pela água doce usada para tentar manter o
vazamento longe da costa. Quando há pouco sal na
água, explica o biólogo Ed Cake, "elas incham, há
falência de seus órgãos e elas estouram". O
especialista trabalha para a Secretaria de Recursos
Naturais da Louisiana. Mas, enquanto a causa do
desaparecimento das ostras parece uma certeza, ainda
não se sabe o porquê de elas não terem voltado a
reproduzir na costa.
Para o professor de biologia Thomas Soniar, da
Universidade de Nova Orleans, trata-se de um ciclo
normal. "Mesmo antes da catástrofe a quantidade de
ostras era relativamente pequena", explica o
especialista, que diz que 2000 foi o último bom ano
para a pesca desses moluscos.
Já Ed Cake tem outra teoria. Ele explica que, quando
surgem, as ostras precisam de algo para se agarrar,
como, por exemplo, a casca de outras ostras. "Uma
camada bem fina de sedimento já seria suficiente, já
que elas não podem se firmar no solo", diz.
Sedimentos como o que foi removido pelo despejo de
água doce no mar.
|
|
 |
Acordo com a BP
Além disso, segundo Cake, o fato de toda a região
ter sido exposta ao vazamento pode ter sido a razão
para as ostras não encontrarem mais ambiente para
crescerem. As ostras, ressalta ele, alimentam-se de
micropartículas da água, que, por sua vez, ainda
contêm petróleo altamente tóxico.
De acordo com a Secretaria de Caça e Pesca da
Louisiana, mais de 1 milhão de barris ainda não
foram recolhidos. "Se o petróleo entrar no aparelho
digestivo, acontecem ferimentos, e os animais morrem",
diz Ed Cake.
Byron Encalade, presidente da Associação de
Pescadores de Ostras, culpa o despejo de água doce.
"Mas agora", afirma, "é um crime que a BP não assuma
sua responsabilidade e cuide dos pequenos locais de
pesca."
O pescador conta que, fora uma quantia inicial de
US$ 80 mil, não recebeu mais nada da companhia.
Todas as outras ofertas, explica, foram recusadas
por serem baixas demais. Ele diz que só para
substituir seus dois barcos por novos seriam
necessários US$ 200 mil. Encalade vendeu sua empresa
de caminhões para, pelo menos, fazer frente às
despesas. Procurada pela DW, a BP não se pronunciou
sobre o caso.
Estudos sob sigilo
O advogado Joel Waltzer, que representa os
interesses de alguns pescadores, diz que os acordos
alcançados até aqui não foram totalmente
desvantajosos para todos. Pois, segundo ele, os
cálculos de compensação foram fixados com base numa
perda de 30% da pesca.
Quem teve poucas perdas, como alguns pescadores de
ostra a oeste do Mississippi, abriu um negócio. Mas
para quem, como Byron Encalade e outros pescadores
de Pointe à la Hache, perdeu tudo, os acordos não
foram suficientes.
Outro problema, segundo Waltzer, é que os pescadores
tiveram que tomar uma decisão num momento em que os
efeitos de longo prazo ainda não estavam claros.
Quem, no entanto, chegou a um acordo muito cedo, não
pode mais fazer qualquer revindicação.
Waltzer espera agora uma decisão correta em prol das
partes afetadas, já que, como afirma, ninguém sabe
quando as ostras poderão ser pescadas novamente. Um
estudo do governo é mantido sob sigilo. E, segundo o
advogado, o objetivo do Estado é usá-lo como trunfo
no processo contra a BP, que começa nesta
segunda-feira, na Louisiana. "O governo deve
sustentar o seguinte ponto de vista: ‘Enfraquecemos
um pouco nossa posição quando divulgamos dados, mas
o público tem o direito de saber", afirma.
Até lá, os moradores de Pointe à la Hache ficam às
escuras. "Essa incerteza é o pior", diz Don Beshel,
dono de um atracadouro na região. Até dois anos
atrás, conta o norte-americano de 55 anos, a empresa
gerava lucros. Pescadores comerciais e esportivos,
assim como com petroleiras, compravam dela gelo,
combustíveis e provisões e descarregavam ali suas
ostras, peixes e camarões. Desde 2010, as vendas
caíram 65%, e Beshel não sabe quanto tempo
conseguirá manter o negócio aberto.
Perspectivas incertas
Billy Nungesser é líder da comunidade de
Plaquemines, que pertence a Pointe à la Hache. Ele
se prepara para um longo período de escassez. "Acho
que pode durar dez ou 20 anos até que todo o
petróleo desapareça, e isso significa que as pessoas
não comerão mais frutos do mar daqui, mesmo se forem
considerados saudáveis". Pois, completa Nungesser,
enquanto permanecer uma camada de petróleo,
significa que ainda há alguma coisa ali".
Neste ínterim, os moradores de Pointe à la Hache
tentam tocar a vida. E para Byron Encalade, aos 58
anos, isso significa morar novamente com o pai. "Meu
pai paga a conta de luz, compra comida e tudo mais,
o que eu não conseguiria”, conta. Toda a região,
segundo ele, está vivendo da pensão dos idosos.
Cerca de cem pescadores ainda devem viver na região,
mas Byron diz ser difícil de contar quem sai ou fica.
Mas se as ostras não voltarem, será difícil para os
pescadores continuarem ali, onde sempre moraram e
ganharam a vida.
Com informações de Deutsche Welle
Pedimos sua atenção:
Novo sistema de governo (inventado)
para o Brasil é (Apolítico), ou seja, sem políticos,
troque a irresponsabilidade pela responsabilidade, de o
seu apoio no site:
http://sfbbrasil.org
Conheça
o
Ache
Tudo e Região o portal de todos
Brasileiros.
Coloque este portal em seus favoritos. Cultive o
hábito de ler, temos diversidade de informações úteis
ao seu dispor. Seja bem vindo,
gostamos de suas críticas e sugestões, elas nos ajudam a melhorar
a cada ano.
|