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"Lista suja" da AMB ignora 7 processos contra Marta
Suplicy do PT
FERNANDO BARROS DE MELLO
RANIER BRAGON
da Folha de S.Paulo
A AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) não
incluiu na lista de candidatos que respondem a processos
na Justiça pelo menos sete ações por improbidade
administrativa movidas contra Marta Suplicy (PT), que
disputa a Prefeitura de São Paulo.
Divulgada em 22 de julho, a "lista suja" da AMB tem,
segundo a entidade, objetivo apenas informativo. O
critério adotado pela associação inclui na lista
candidatos que respondem a "ações penais, de improbidade
administrativa e eleitoral", haja ou não condenação.
Em relação a Marta --que governou a cidade de São Paulo
entre 2001 e 2004--, é listada apenas uma ação penal que
ela responde sob acusação de dispensa irregular de
licitação.
A Folha localizou, entretanto, sete processos em que ela
é acusada pela Promotoria de Justiça da Cidadania de São
Paulo de improbidade administrativa durante sua gestão.
Em algumas, ex-secretários de Marta figuram como
co-réus.
Em duas ações, Marta já sofreu condenação, mas cabe
recurso. O primeiro caso se refere à acusação de que ela
não pagou precatórios alimentares. A condenação é de
maio deste ano. No segundo caso, Marta e o ex-secretário
de Comunicação Valdemir Garreta foram condenados em
outubro de 2007, sob a acusação de que fizeram
propaganda da prefeitura que remeteria à estrela
vermelha, símbolo do PT.
Todas as ações estão em tramitação em diferentes varas
da Fazenda Pública de São Paulo. As que ainda não
tiveram decisão tratam de suposto gasto excessivo com
propaganda, irregularidade em contrato, questões de
finanças municipal e permuta de um terreno.
O advogado de Marta, Pedro Serrano, disse que os
processos não tem relação com corrupção. Na ocasião da
divulgação da lista, a coligação de Marta classificou a
atitude da AMB de "leviana", "arbitrária" e com
"motivação política".
Procurada ontem, a associação confirmou que, em tese, os
processos se enquadram em seus critérios, mas afirmou
que analisará caso a caso.
A associação já teve que retificar a sua lista
--disponível no site www.amb.com.br-- e incluir o nome
do prefeito Gilberto Kassab (DEM), candidato à
reeleição. Kassab é co-réu em ação civil pública que o
acusa de improbidade administrativa, já que o Ministério
Público recorreu de sua absolvição pelo Tribunal de
Justiça de São Paulo. A AMB argumentou que não havia
detectado, no site no TJ-SP, que a ação tratava de
improbidade administrativa.
Paulo Maluf (PP) figura na lista da AMB com sete ações.
Geraldo Alckmin (PSDB) não aparece na lista. Ele
governou o Estado entre 2001 e 2006. Na área cível, a
atribuição para investigar o governador é do
procurador-geral de Justiça, indicado pelo próprio
governador.
Outro lado
O advogado Pedro Serrano, que defende Marta Suplicy
(PT), argumenta que os processos não tratam de corrupção
e que grandes obras de Marta já foram investigadas e
consideradas legais.
Segundo ele, a AMB deveria deixar claro qual é o objeto
das ações sob o risco de misturar gente honesta com
desonesta.
"Desses casos citados, nenhum deles dizem respeito a
nada que as pessoas enxergariam como um ato de
corrupção. Ou é questão contábil, porque ela não pagou e
está sendo processada porque não pagou. Se não houve
despesa, como ela vai ter benefício? Ou então são
contratos de valor ínfimo para o orçamento público",
diz.
O advogado diz que a AMB deveria também falar das
investigações arquivadas. "O que se protesta é para que
haja informações mais precisas e amplas para que se
possa ser mais justo no juízo". Serrano diz que o
Ministério Público já verificou a lisura das principais
obras de Marta. "A decisão é um atestado de moralidade."
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