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Câmara vai ouvir representante das Farc sobre suposta
ligação com autoridades do governo
Sem alarde, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara
aprovou requerimento para ouvir o ex-padre Olivério
Medina, representante das Farc (Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia) no Brasil. A comissão vai
marcar audiência pública para que o padre explique seu
suposto vínculo com autoridades do governo brasileiro
com o objetivo de aproximá-lo do movimento de guerrilha
colombiano.
O requerimento prevê a realização de audiência pública
para que Medina seja ouvido, o que permite que o
ex-padre negue o convite da Câmara para prestar
depoimento. Como não houve convocação, Medina tem
liberdade para rejeitar o convite se decidir não prestar
esclarecimentos publicamente.
No início de agosto, a revista colombiana "Cambio"
publicou reportagem de capa dizendo que a presença das
Farc "chegou até as mais altas esferas" do governo do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao PT, aos líderes
políticos brasileiros e ao Poder Judiciário.
Segundo a revista, a conclusão foi tirada de supostos
e-mails encontrados no computador do ex-porta-voz
internacional das Farc Raúl Reyes. O assessor especial
de Assuntos Internacionais da Presidência da República,
Marco Aurélio Garcia, teria sido mencionado nos e-mails,
mas negou que o governo brasileiro tenha qualquer
relação com as Farc.
Garcia disse que o chefe de gabinete de Lula, Gilberto
Carvalho, apenas levantou informações sobre as condições
de saúde de Medina, que vive como refugiado no Brasil.
O autor do requerimento do pedido de audiência, deputado
Raul Jungmann (PPS-PE), disse esperar que Medina revele
detalhes sobre a atuação do governo brasileiro junto às
Farc. Além disso, Jungmann quer esclarecer detalhes
sobre ações políticas de Medina no Brasil --o que seria
proibido pelas regras aplicadas em refugiados.
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