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Mortes aumentaram 33% após ação da Rota na zona
leste de SP
HERMANO FREITAS
Direto de São Paulo
Os números de mortes em assassinatos na capital
paulista mostram que uma ação das Rondas Ostensivas
Tobias Aguiar (Rota) na zona leste no final de maio
pode ter sido o pontapé inicial da onda de violência
em São Paulo. As estatísticas de homicídio doloso do
site da Secretaria de Segurança Pública estadual
(SSP-SP) mostram crescimento de 33% entre junho e
setembro na comparação com igual período do ano
passado.
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Desde o início do ano, pelo
menos 90 policiais militares foram
assassinados
Foto: Bruno Santos/Terra |
No dia 29 daquele mês, três integrantes da Rota
acabaram presos após a morte de seis suspeitos de
pertencerem à facção conhecida como Primeiro Comando
da Capital (PCC) em um bar na favela Tiquatira, na
região da Penha. No local estaria acontecendo uma
reunião para traçar um plano de resgate de um preso
que seria transferido. As investigações da Polícia
Civil indicaram ter havido a execução de um dos
suspeitos, enquanto os PMs envolvidos sustentam a
versão de uma violenta troca de tiros ter motivado
as mortes.
Após este acontecimento, de acordo com os números
consolidados da SSP de junho a setembro, as mortes
em homicídio doloso na capital, descontados os de
acidentes de trânsito, pularam de 365 em 2011 para
486 em 2012. Foram 134 mortes por assassinato em
junho de 2012 contra 90 em junho de 2011 (aumento de
49%) e o crescimento é ainda mais expressivo se a
comparação mês a mês confrontar os setembros de 2011
e 2012: 71 mortes contra 139 (aumento de mais de
95%).
História da Carochinha
Este aumento considerável seria a principal linha de
investigação do Departamento de Homicídios e
Proteção à Pessoa (DHPP) para explicar a onda de
violência que vitima em especial policiais militares
e cidadãos da periferia da capital e da região
metropolitana. Segundo um delegado que pediu para
não ser identificado, o crescimento dos homicídios
mostra a relação entre a ação sangrenta da Rota e a
reação do crime organizado. "Basta comparar com
outros anos. Por que em 2010 não teve a mesma coisa?
Por que em 2011 não teve a mesma coisa?", questionou.
Procurada, a SSP-SP ainda não se pronunciou sobre a
possível relação entre as mortes de suspeitos na
zona leste e o surgimento da onda de violência. O
mesmo delegado coloca em dúvida também a versão
oficial de que uma denúncia anônima teria dado a
informação sobre o encontro. Para ele, um grampo
teria entregado a informação. "Isso de denúncia
anônima é 'história da carochinha'", afirmou.
Oficialmente, altos oficiais da PM colocam em dúvida
até a existência de uma ação orquestrada da facção
criminosa contra seus agentes.
Após a descoberta de escritos que pertenceriam a
integrantes do PCC na favela de Paraisópolis, que
conteriam o nome de 40 policiais que seriam mortos
em represália ao assassinato de integrantes da
facção, o coronel César Augusto Morelli afirmou que
existe "muita novela" em cima do "salve", como ficou
conhecida ordem de matar "dois PMs para cada irmão
morto" e um para cada preso, e disse que as
precaução dadas para a tropa são as mesmas de sempre.
"A recomendação é a mesma. Colocou uma arma na
cintura, fica esperto. Tem alguém que não gosta de
você. Aquele que desliga o cachimbo cai", afirmou.
Onda de violência
Desde o início do ano, ao menos 90 policiais foram
assassinados no Estado. Desse total, 18 eram
aposentados e três estavam em serviço. Além disso, o
Estado continua a enfrentar um grande índice de
violência. Segundo dados da Secretaria de Segurança
Pública, só na capital houve um crescimento de
102,82% no número de pessoas vítimas de homicídio no
mês de setembro, em comparação ao mesmo período do
ano passado. Em todo o Estado, a alta foi de 26,71%
no mesmo período. Com informações do Terra
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