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Projetos
tentam salvar a vida selvagem em Ruanda
As florestas na bacia do rio Congo ainda estão
incrivelmente intactas. Mas a instabilidade política
ameaça o ecossistema. Projetos que atendem às
necessidades da população local mostram os primeiros
resultados. A paisagem que se estende ao longo da
estrada que liga Ruanda à República Democrática do
Congo é de tirar o fôlego. O imponente Monte
Nyiragongo, com seus 3,4 mil m de altitude, ergue-se
sobre a cidade congolesa de Goma. O Nyiragongo é um
dos vulcões mais ativos do planeta. A última erupção
foi registrada em 2002.
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Como se observa pelas
camadas arqueológicas, os habitantes do
local reconstruíram a cidade muitas vezes
sobre a lava resfriada. Os vulcões são uma
bênção e uma maldição: ao mesmo tempo em
que deixam para trás um solo fértil,
provocam com isso também disputas pela terra
na região mais densamente povoada da África. |
Nas encostas dos vulcões estendem-se
as florestas do Parque Nacional de Virunga. A
composição única de flora e fauna das florestas
nebulosas sempre úmidas forma o reino dos últimos
700 gorilas-da-montanha do mundo.
Mas a natureza não está sozinha neste território. Em
1994, depois do genocídio em Ruanda, dezenas de
milhares de refugiados foram para Goma. E assim como
a lava, essa leva de pessoas também se cristaliza.
Atualmente os refugiados do genocídio vivem ao lado
dos assassinos, que fugiram para o Congo para se
esconder da justiça ruandesa. O que os une é o fato
de terem sido "arrancados de seu país e depositados
num ecossistema estranho para eles", define Johannes
Kirchgatter, do WWF Alemanha.
Combate à máfia madeireira
O problema mais urgente pode parecer trivial: de
onde tirar energia para atender a necessidades
básicas, como cozinhar e aquecer? Desde a chegada da
grande leva de refugiados, a densidade populacional
aumentou vertiginosamente. A única fonte de energia
que restou para abastecer quase um milhão de pessoas
na região é a lenha. Milícias violentas financiam
suas atividades com a enorme demanda. Estima-se que
elas lucrem cerca de US$ 30 milhões por ano com o
corte de madeira das florestas do Parque Nacional de
Virunga. Acabar com a exploração ilegal é prioridade
máxima.
A ideia é fazer concorrência direta à máfia
madeireira e oferecer um produto melhor com o mesmo
valor: a organização ambientalista WWF planta
árvores de rápido crescimento fora da área protegida
e subvenciona a construção de fornos eficientes que
consomem até 30% menos lenha do que os fornos
tradicionais. Paralelamente, o WWF treina guardas
florestais para que levem os madeireiros ilegais à
Justiça.
O projeto já dá os primeiros sinais de sucesso,
porque enfraquece as milícias financeiramente, tira-as
de suas bases e, com isso, os primeiros turistas já
podem retornar com segurança para avistar os gorilas.
Desafio permanente para ambientalistas
O dinheiro disponível para organizações
ambientalistas internacionais poderia ser investido
não apenas aqui, mas em toda a bacia do Congo, diz
Kirchgatter. As florestas do Leste do Congo são um
tesouro no coração da África. Mas a parte mais
relevante, do ponto de vista da proteção climática,
é a grande área que se estende até a costa do
Atlântico: 1,5 milhão de km² relativamente intocados
de floresta tropical, área equivante ao território
do Estado do Amazonas.
Qual parcela dessas florestas ainda está de fato
totalmente intocada é o que o WWF pretende descobrir
com a ajuda da Nasa. Um sistema chamado LIDAR
examina a floresta com o auxílio de um radar a laser
instalado num avião e elabora um mapa tridimensional
da floresta.
Assim é possível obter informações sobre a densidade
das copas das árvores e até mesmo determinar a
parcela de clorofila que cada espécie contém. O
sistema LIDAR fornecerá informações ao WWF sobre a
Bacia do Congo: quais áreas são formadas por
florestas primárias e com isso especialmente dignas
de proteção? Onde há áreas que podem ser utilizadas
pela população local?
Metas para a conservação das espécies
A meta é declarar 15% da Bacia do Congo como área
protegida para preservar o habitat de
elefantes-da-floresta e chimpanzés-pigmeu, além de
espécies vegetais endêmicas. Outras partes devem ser
protegidas sob o chamado Programa Redd, da ONU, como
reservatórios de carbono: países industrializados
poderiam então, através da proteção dessas florestas,
comprar direitos de emissão de gases causadores do
efeito estufa, e a receita obtida deve ser
convertida para o benefício da população. Só que
essa não é uma tarefa fácil na República Democrática
do Congo, um dos países mais corruptos do mundo.
Ainda assim, Kirchgatter tem um
exemplo positivo para alimentar seu otimismo: na
bacia ocidental do Congo, distante 1,5 mil km do
Parque Nacional de Virunga, fica a região do Lago
Tumba, um mosaico de rios, lagos, florestas e prados
que serve de meio de subsistência para cerca de um
milhão de pessoas.
O WWF oferece à população local novos métodos de
cultivo de peixes e identifica áreas de conservação
para impedir a pesca excessiva e repor os cardumes.
O mesmo vale para o pastoreio e a agricultura. Os
ambientalistas esperam incluir 14 mil km² de
florestas em áreas de proteção e outros 65 mil km²
para o manejo sustentável. Tais transformações são
urgentes porque a população da região deve dobrar
nas próximas duas décadas.
Somente se as necessidades das pessoas forem
combinadas com as metas de proteção do meio ambiente
este último reduto da vida selvagem pode ser
preservado.
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