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Estudo cria vacina contra câncer a partir de
planta do tabaco
da Folha Online
A planta do tabaco, matéria-prima da substância
responsável por milhões de casos de câncer, pode
oferecer uma vacina para tratar uma das formas
da doença, sugere um estudo da Universidade de
Stanford, no Estado americano da Califórnia.
Os pesquisadores usaram a planta para como
"fábrica" --ou incubadora-- de um anticorpo
químico capaz de combater o linfoma folicular de
célula-B, um tipo de câncer do grupo de linfomas
não-Hodgkin.
As células deste tipo de câncer possuem uma
característica peculiar: se reproduzem criando
clones idênticos que carregam o mesmo anticorpo
na sua superfície exterior. Essa 'marca' é
peculiar a este tipo de câncer e não é
encontrada em células saudáveis.
A estratégia da vacina criada a partir da folha
do tabaco é injetar os anticorpos do câncer no
paciente diagnosticado com a doença, estimulando
o seu sistema imunológico para reconhecer e
destruir as células do linfoma.
A vacina está na fase inicial de testes e foi
utilizada em apenas 16 pacientes para testar os
efeitos colaterais dos anticorpos produzidos
pelas plantas. O resultado da primeira fase foi
publicado nesta semana na revista científica "Proceedings
of the National Academy of Sciences".
Fábrica
Para fazer a planta produzir a vacina, os
cientistas isolam a célula cancerígena do
paciente em laboratório, extraem o gene
responsável pela produção do anticorpo e o
injetam no chamado "vírus do mosaico do tabaco"
--um parasita que ataca as células das plantas e
se reproduz rapidamente.
Os cientistas então infectam a planta com o
vírus e as células afetadas começam a produzir
grandes quantidades do anticorpo. Depois de
alguns dias, os anticorpos são extraídos das
folhas do tabaco e injetados no paciente.
Segundo os pesquisadores, são necessárias apenas
algumas plantas para produzir a quantidade de
vacina necessária para tratar um paciente.
No entanto, cada pessoa produz um tipo diferente
de anticorpo e, por isso, cada paciente
precisaria de uma vacina personalizada. De
acordo com o estudo, o processo de produção da
vacina em plantas é vantajoso porque não sai
caro e é rápido.
"É uma tecnologia bem bacana e é muito irônico
um tratamento para câncer feito com base em
tabaco. Isso me chamou a atenção", disse Ronald
Levy, que lidera a equipe de cientistas.
Para o professor Charles Arntzen, da
Universidade do Arizona, a velocidade do
processo de produção da vacina poderia levar os
pacientes a esperar por sua vacina personalizada
em vez de tentar outro tipo de tratamento.
Um porta-voz da Cancer Research UK, entidade
beneficente britânica de fomento a pesquisas
sobre câncer, afirmou que são necessárias mais
pesquisas para avaliar o efeito real da vacina.
"Enquanto esses resultados são potencialmente
muito empolgantes, os testes foram feitos em
pequena escala, estão em estágio inicial e não
avaliaram se a vacina realmente reduz o tamanho
dos tumores", afirmou o porta-voz.
"Esse estudo oferece uma boa base, mas uma
pesquisa maior será necessária para testar o
sucesso dos anticorpos produzidos pelas plantas
em combater o linfoma não-Hodgkin", concluiu.
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