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Grupo brasileiro cria célula-tronco sem o embrião
Pesquisadores do Rio de Janeiro anunciaram a obtenção de
células-tronco pluripotentes induzidas, conhecidas pela
sigla em inglês iPS. É a primeira vez que essas células, que
não dependem de material do embrião humano para serem
construídas geneticamente, são criadas por um grupo de
pesquisa do Brasil.
Assim como as células-tronco embrionárias humanas, que nos
próximos meses vão ser testadas em dez pacientes nos Estados
Unidos, as iPS podem se transformar em qualquer tipo de
tecido humano, por isso, são pluripotentes.
A técnica para fazer as iPS envolve reprogramação de DNA. O
grupo coordenado pelo neurocientista Stevens Rehen, da UFRJ
(Universidade Federal do Rio de Janeiro), obteve as novas
linhagens celulares ao manipular quatro genes de células de
rim humano.
A interferência genética por meio de vetores virais faz uma
espécie de reprogramação na célula. Com isso, ela deixa de
ser uma célula de rim e passa a ter as características de
uma célula pluripotente.
"No curto prazo, uma aplicação para essas células é o teste
de fármacos", disse à Folha Rehen. O grande objetivo dos
pesquisadores é fazer protocolos bastante específicos, que
podem até ser individuais. As células de um paciente, por
exemplo, podem ser reprogramadas em laboratório. "Um teste,
neste caso, pode mostrar que apenas uma droga específica
funciona naquele neurônio que acabou de ser criado."
Segundo reportagem publicada no sábado (24) pelo jornal "O
Estado de S. Paulo", os próprios cientistas admitem que,
apesar do avanço anunciado agora, isso não significa que os
estudos com as células-tronco embrionárias humanas podem ser
abandonados. A obtenção desse tipo de célula é polêmica,
pois depende da morte de um embrião humano.
O grupo carioca, que contou também com a participação do
INCa (Instituto Nacional de Câncer), já tentava desde o ano
passado dar esse passo tecnológico importante na área da
genética, como publicou a Folha em outubro. Há mais de três
anos, os pesquisadores da UFRJ acumulam conhecimento em
cultivo celular.
Agora, além do Brasil, Japão, Estados Unidos, Alemanha e
China dominam a técnica. Os japoneses foram os pioneiros na
obtenção da iPS.
Os pesquisadores do Rio de Janeiro, além da linhagem gerada
pela reprogramação de células do rim humano, conseguiram
também desenvolver, ao mesmo tempo, uma outra família de
células iPS. Esse outro grupo foi obtido a partir de
fibroblastos (células jovens) da pele de camundongos.
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