Especialistas: uso exagerado de antibióticos ameaça
medicina
O uso exagerado de antibióticos na Europa está
produzindo resistência e ameaçando interromper
tratamentos médicos vitais, como transplantes, cuidado
intensivo para bebês prematuros e terapias contra o
câncer, dizem especialistas em saúde.
Dominique Monnet, da unidade de aconselhamento
científico do Centro Europeu de Prevenção e Controle de
Doenças (ECDC, na sigla em inglês), disse que "toda a
medicina moderna" está sob ameaça porque os
microorganismos estão se tornando resistentes aos
antibióticos, deixando as drogas sem serventia.
"Se essa onda de resistência a antibióticos nos vencer,
não seremos capazes de realizar transplantes,
artroplastias de quadril, quimioterapia e cuidados
intensivo e neonatal para bebês prematuros", disse ele a
jornalistas em entrevista.
Os antibióticos são necessários em todos esses
tratamentos a fim de evitar infecção bacteriana. As
bactérias resistentes às drogas, no entanto, são um
problema crescente em hospitais marcado pelo aumento das
superbactérias como a Staphylococcus aureus, resistente
à meticilina (MRSA).
Além dos riscos aos tratamentos no futuro, Monnet
afirmou que os custos da resistência aos antibióticos já
são altos - e poderão atingir de forma ainda mais dura
os orçamentos dos sistemas de saúde de toda a União
Europeia, caso não se resolva o problema.
As seis bactérias resistentes a antibióticos mais comuns
- em geral chamadas de superbactérias - causam cerca de
400 mil infecções por ano na Europa, matando por volta
de 25 mil pessoas e consumindo 2,5 milhões de diárias
hospitalares por ano.
O ECDC, que monitora e orienta sobre doenças na UE,
calcula que, com o dia de internação custando em média
366 euros (548 dólares), as infecções por superbactérias
já consomem 900 milhões de euros por ano em custos
hospitalares adicionais e outros 600 milhões de euros
por ano em perda de produtividade.
"Por toda a União Europeia o número de pacientes
infectados por bactérias resistentes aumenta e a
resistência a antibióticos é uma grande ameaça à saúde
pública", disse o ECDC.
O governo britânico foi criticado por um comitê
parlamentar na terça-feira por não conseguir combater a
maioria das infecções hospitalares ao concentrar seu
foco em duas infecções principais - MRSA e Clostridium
difficile.
O ECDC planeja fazer uma campanha sobre o uso de
antibióticos no dia 18 de novembro, para pedir que os
médicos parem de prescrever antibióticos em demasia.
Os pacientes que exigem antibióticos para infecções
virais em geral não sabem que eles não funcionam para
isso, disse o centro, mas os médicos sim, e deveriam
parar de ceder à pressão.
Sarah Earnshaw, da unidade de comunicações do ECDC,
ressaltou que uma pesquisa feita em 2002 indicou que 60
por cento dos pacientes não sabem que os antibióticos
não funcionam contra vírus de gripes e resfriados.
"Os pacientes em geral exigem antibióticos," afirmou
ela. "E os médicos pensam que receitá-los é uma forma
mais rápida de lidar com pacientes exigentes em vez de
convencê-los do contrário".