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Noticias de saúde


Viver como porco pode fazer bem, diz estudo

Viver como porco pode fazer bem. Pesquisas demonstraram que leitões sujos obtêm bactérias "amigas" que os ajudam a desenvolver sistemas imunológicos saudáveis quando amadurecem. Os resultados, publicados pela revista BMC Biology oferecem o primeiro vínculo direto entre a vida na sujeira, a saúde imunológica e a expressão genética. Também indicam que a manipulação de bactérias intestinais no começo da vida pode reduzir alergias e outras doenças do sistema imunológico, disse Denise Kelly, imunologista especializada em sistemas intestinais, na Universidade de Aberdeen, Escócia, e uma das autoras do estudo.

 



Os pesquisadores começaram com 54 leitões e os dividiram igualmente entre um ambiente externo, um ambiente interno e um ambiente isolado onde recebiam antibióticos diariamente. Os cientistas depois mataram leitões aos cinco dias de idade (recém-nascidos), aos 28 dias (quando eles deixam de se amamentar) e aos 56 dias (quase maduros), a fim de estudar o tecido de seus intestinos e as suas fezes.

O estudo constatou que 90% das bactérias presentes nos intestinos dos porcos criados em ambiente externo eram do filo Firmicutes. A maioria dessas bactérias consiste de lactobacilos, conhecidos por seus efeitos positivos de saúde e sua capacidade de limitar a ação de patógenos intestinais como a Escherichia coli e Salmonella.

Em contraste, as bactérias Firmicutes respondiam por menos de 70% e por pouco mais de 50%, respectivamente, dos leitões criados em ambiente fechado e dos leitões isolados. Neles, a proporção de bactérias da família dos lactobacilos era muito inferior, além disso.

A equipe também constatou que as diferenças entre comunidades microbianas intestinais afetavam a expressão de genes associados aos sistemas imunológicos dos leitões. Os animais criados em isolamento expressavam mais genes envolvidos em respostas imunológicas inflamatórias e na síntese de colesterol, enquanto genes associados a células T eram expressos pelos leitões criados em ambiente externo.

Kelly diz que, até agora, o vínculo entre o ambiente de vida e a resposta imunológica era circunstancial. "Havia muitos rumores sobre os micróbios intestinais e sua influência sobre as funções imunológicas e suscetibilidade a doenças e alergias", ela diz. O trabalho em que esteve envolvida estabelece um elo causal forte.

Glenn Gibson, microbiologista da alimentação na Universidade de Reading, Inglaterra, concorda em que estudos anteriores "demonstravam por implicação" o vínculo entre respostas imunológicas e organismos intestinais. "Esse estudo dá um passo adiante ao acompanhar a resposta a isso em termos de expressão genética", diz.

No entanto, ele acrescenta que o estudo foi realizado em porcos, e não há como determinar se os resultados são relevantes para os seres humanos. Kelly argumenta que as semelhanças entre os organismos encontrados em intestinos humanos e suínos e seu tamanho comparável nos órgãos torna os porcos um bom modelo animal para estudo. Em futuras pesquisas, ela espera identificar com mais precisão os tipos de organismos associados a uma boa saúde.
 

 

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