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Noticias de saúde
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Entrada para carros em casas pode ser cancerígena
Se você está pensando em reformar a sua entrada para
carros e aplicar uma nova camada de vedação preta,
considere o seguinte: algumas residências que optaram
por entradas para automóveis pretas apresentam doses
surpreendentemente elevadas de carcinogênicos na poeira
domiciliar. Parte dos materiais de vedação adesivos e
pretos usados para revestir o asfalto são feitos de
piche de carvão, que contém hidrocarbonos poliaromáticos
(PAH), alguns dos quais são conhecidos como
carcinogênicos ou suspeitos de o serem.

Barbara Mahler, do Serviço de Levantamento Geológico dos
Estados Unidos (USGS), em Austin, Texas, e seus colegas
vêm rastreando o vínculo entre a presença forte desses
compostos no meio ambiente e os materiais de vedação
utilizados para revestir entradas para automóveis. "Os
cientistas que trabalham com esses compostos ficam de
queixo caído quando veem os números que temos", diz
Mahler.
O trabalho da equipe levou à proibição do uso de
material de vedação contendo piche de carvão em certas
cidades dos Estados Unidos, incluindo Austin, a cidade
da equipe, e, em 2009, na capital, Washington. Agora,
eles conseguiram demonstrar que o uso de vedação com
piche de carvão nas entradas residenciais para
automóveis faz grande diferença no que tange à presença
de PAH na poeira domiciliar.
Embora não exista indicação direta de que poeira
carregada de PAH esteja causando danos diretos a seres
humanos, e embora haja muitos outros riscos com que nos
preocuparmos na poeira doméstica de pesticidas a
retardantes de incêndio, os cientistas afirmam que
existe motivo para preocupação. "Crianças engolem
poeira. Elas brincam no chão, e têm a mania de colocar
tudo que encontram na boca", disse Mahler. O grupo
deseja se aproximar dos especialistas em saúde a fim de
estudar os possíveis efeitos de saúde.
Poeira caseira
Os pesquisadores estudaram 23 apartamentos térreos em
Austin, cerca de metade dos quais ainda contavam com
entradas para automóveis revestidas com piche de carvão,
construídas antes da proibição adotada em 2006. O volume
total de PAH nesses apartamentos era em média 25 vezes
mais elevado que o encontrado em apartamentos cujas
entradas para automóveis não apresentavam o piche de
carvão em seu revestimento, de acordo com estudo
publicado na revista Environmental Science & Technology.
Surpreendentemente, não parece existir diferença
significativa entre os domicílios com base em qualquer
outro fator que os pesquisadores pudessem identificar.
"Os hábitos culinários eram comparáveis, como o uso de
velas e aspiradores, a presença de animais de estimação
e de bicicletas no interior das unidades. Nada disso se
provou relevante em termos estatísticos", afirmou Mahler.
Existem poucas normas quanto ao nível de PAH aceitável
como parte da poeira doméstica. A Alemanha, onde existem
preocupações quanto a exposição a PAH devido a uma cola
com base em alcatrão usada para fixar assoalhos de
madeira, estabeleceu um limite de 10 microgramas de
benzopireno (o PAH mais preocupante) por grama de
poeira. No estudo do Texas, quatro das 11 casas com
entradas para automóveis revestidas de piche de carvão
apresentavam concentração superior a essa norma, e, no
caso da residência com a concentração mais elevada, o
total chegava a 24 microgramas por grama.
"Nas entradas para automóveis em si, as concentrações
presentes eram sempre bem superiores a essas, em alguns
casos por mais de 60 vezes", aponta Mahler. Isso por si
só bastaria para preocupar, porque crianças e animais de
estimação muitas vezes brincam nas entradas para carros,
nos meses de calor. Jogos como basquete, por exemplo,
podem causar considerável movimento de poeira carregada
de PAH.
Piso negro
Os agentes de vedação à base de piche de carvão estão à
venda em lojas de materiais de construção e são usados
tanto por governos municipais quanto por proprietários
de residências a fim de propiciar um vistoso acabamento
preto para o asfalto. "O produto também é comercializado
com a alegação de que aumenta a longevidade do asfalto
que reveste", disse Mahler.
"Não encontrei quaisquer estudos que comprovem essa
alegação". Ela aponta que o asfalto tende a se degradar
com mais rapidez caso esteja quente, e que uma
superfície mais escura tenderia a se aquecer mais
rápido. Mahler diz que a elevada concentração de PAH na
poeira doméstica é verdadeiramente surpreendente. Ela
supera, aponta a cientista, a maioria das concentrações
encontradas em antigos sítios de produção de piche,
marcados pelo governo como zonas tóxicas que precisam de
reabilitação ambiental.
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