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Noticias de saúde
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Doenças causadas por
estresse foram reprimidas por décadas
Décadas atrás, a medicina moderna reprimia o esgotamento
nervoso, golpeando-o com novos diagnósticos, novas
drogas psiquiátricas e uma forte dose de desprezo
profissional. A expressão era usada em excesso e quase
não tinha significado, sendo um termo em causa própria
de uma era que não estava disposta a falar sobre o
estresse mental abertamente.
Mas como um vírus teimoso, a expressão sofreu mutação.
Nos anos recentes, psiquiatras da Europa têm
diagnosticado o que chamam de "síndrome da estafa",
cujos sinais incluem a "exaustão vital". Um estudo
publicado no ano passado definiu três tipos dela:
"frenética", "desmotivada" e "esgotada" ("exasperada" e
"amarga" não passaram na seleção).
Esse é o último leque de termos para os tipos de
colapsos emocionais que têm atormentado a humanidade por
anos, se originando às vezes de dificuldades mentais
graves e com mais frequência de problemas moderados.
Houve muitos outros termos. Nas primeiras décadas do
século XX, muitas pessoas simplesmente se referiam a ter
um "treco", como em "The Crack-Up" (1936), a coleção de
artigos de F. Scott Fitzgerald, na qual ele descrevia
seu próprio treco. Antes disso, havia a neurastenia, uma
aflição dos nervos com um diagnóstico amplo e não
definido que causava praticamente qualquer sintoma que
as pessoas quisessem acrescentar.
Contudo, historiadores médicos dizem que, em termos de
poder descritivo e versatilidade, pode ser difícil
melhorar o termo "esgotamento nervoso". Cunhado em torno
de 1900, a expressão teve seu pico de uso durante meados
do século XX, e ainda é empregada. Um estudo recente
descobriu que 26% dos participantes de uma pesquisa
nacional nos EUA em 1996 relataram ter passado por uma
"ameaça de esgotamento nervoso", em comparação a 19% da
mesma pesquisa em 1957.
"'Esgotamento nervoso' é um desses termos antigos
robustos, como 'melancolia' e 'doença nervosa', que não
foram superados, embora soem antiquados", disse por
e-mail o historiador Edward Shorter, coautor com Max
Fink do livro Endocrine Psychiatry: Solving the Riddle
of Melancholia.
O termo nunca foi um diagnóstico psiquiátrico
apropriado, e os médicos sempre o consideraram
impreciso, pseudocientífico e muitas vezes enganoso. Mas
essas foram precisamente as qualidades que deram a ele
um lugar tão duradouro na cultura popular, segundo
alguns acadêmicos. "Tinha sanção médica suficiente para
ser útil, mas não dependia de uma sanção médica para ser
utilizado", disse Peter N. Stearns, historiador da
Universidade George Mason, perto de Washington, D.C..
Um esgotamento nervoso não era algo sem importância nos
anos 1950 e 60, pelo menos quando a pessoa chegava a
consultar um médico. Psiquiatras hoje dizem que, muito
frequentemente, isso era indício de um episódio de
depressão grave ¿ ou uma psicose, as alucinações que
muitas vezes sinalizam uma esquizofrenia.
"Não me lembro de pessoas rotuladas assim terem algum
dia usado isso como uma queixa pessoal ¿ era muito
estigmatizado", disse Nada L. Stotland, ex-presidente da
Associação de Psiquiatria Americana e professor da
Faculdade Médica Rush em Chicago, que começou a atuar na
profissão nos anos 1960. "Quer fosse uma 'exaustão
nervosa' ou um 'esgotamento nervoso', qualquer coisa que
soasse psiquiátrica era estigmatizada na época. Era
vergonhoso, humilhante."
A imprecisão do termo tornava impossível analisar a
predominância de qualquer problema mental específico:
poderia significar qualquer coisa, de depressão a mania
ou alcoolismo; poderia ser a causa de um divórcio amargo
ou o resultado de um rompimento. E se esquivar desses
detalhes deixava as pessoas que sofriam do que hoje são
aflições bem conhecidas, como depressão pós-parto,
totalmente desinformadas, se perguntando se elas estavam
sozinhas em seu sofrimento.
Mas a mesma imprecisão permitiu que o falante, não o
profissional médico, controlasse seu significado. As
pessoas podiam estar à beira, ou perto, de um
esgotamento nervoso; e era comum ter algo "parecido" com
um esgotamento nervoso, ou uma versão moderada dele. O
termo permitia que a pessoa relevasse muitos ou poucos
detalhes sobre o "treco", conforme ela achasse adequado.
A imprecisão preserva a privacidade.
Shorter disse que o termo "nervoso" tradicionalmente é
uma palavra eufemística para se referir a problemas
mentais, insinuando que a causa seja algo físico além do
controle da pessoa - seus nervos danificados, não a
mente. E um esgotamento, afinal, é algo que tem
conserto. É um problema temporário ou, pelo menos, não
necessariamente crônico.
Ao longo das eras, cada geração atribuiu seu próprio
diagnóstico genérico a mudanças culturais mais amplas.
Industrialização. Modernização. Era digital. Segundo
relatos, o filósofo do século XIX William James chamava
a neurastenia, da qual ele alegava sofrer, de "americanitis",
em parte o resultado do ritmo acelerado da vida
americana. O mesmo vale para os esgotamentos. As causas
são em grande parte externas - e a recuperação depende
de um melhor gerenciamento das exigências da vida.
"As pessoas aceitavam a noção de um esgotamento nervoso
muitas vezes porque ele era visto como uma categoria que
podia ser solucionada sem ajuda profissional", concluiu
uma análise de 2000 de Stearns, Megan Barke e Rebecca
Fribush. A popularidade da expressão, eles escreveram,
revelava "uma necessidade duradoura de manter certa
distância dos diagnósticos e tratamentos puramente
profissionais."
Muitos faziam exatamente isso e voltavam para o trabalho
e a família. Outros não. Eles precisavam de um
diagnóstico mais específico e um tratamento focado. Nos
anos 1970, mais drogas psiquiátricas estavam
disponíveis, e os médicos combatiam diretamente a ideia
de que as pessoas podiam efetivamente controlar seus
esgotamentos sozinhas.
Os psiquiatras continuaram a esmiuçar problemas como
depressão e ansiedade em dezenas de categorias, e a
percepção da população também mudou. Em 1976, 26% das
pessoas admitiam buscar ajuda profissional, um aumento
em relação aos 14% de 1947, segundo uma análise de
Stearns. E o "esgotamento nervoso" começou a cair em
desuso.
A "síndrome da estafa", que hoje tem o apoio de alguns
médicos e pesquisadores, talvez tenha o mesmo destino.
Mas ainda serão precisos mais 30 anos para que ela
supere o clássico "esgotamento".
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