A vitamina D pode proteger contra,
diabete, artrite e cancer
A vitamina D pode proteger o corpo humano contra uma
série de doenças ligadas a condições genéticas,
incluindo câncer, diabete, artrite e esclerose múltipla,
segundo uma pesquisa britânica recém-publicada. Os
cientistas mapearam os pontos de interação entre a
vitamina D e o DNA e identificaram mais de 200 genes
influenciados pela substância.
A vitamina D é produzida naturalmente pelo corpo pela
exposição ao sol, mas a substância está presente também
em peixes e crustáceos e, em menor quantidade, em ovos e
leite. Mas acredita-se que até um bilhão de pessoas em
todo o mundo sofram de deficiência de vitamina D pela
pouca exposição ao sol.
Já se sabia que a falta de vitamina D podia levar ao
raquitismo e havia várias sugestões de ligações com
doenças, mas a nova pesquisa, publicada pela revista
especializada Genome Research, é a primeira que traz
evidências diretas de que a substância controla uma rede
de genes ligados com doenças.
Receptores
Os pesquisadores, da Universidade de Oxford, usaram uma
nova tecnologia para o sequenciamento do DNA para criar
um mapa de receptores de vitamina D ao longo do genoma
humano. O receptor de vitamina D é uma proteína ativada
pela substância, que se liga ao DNA e assim determina
quais proteínas são produzidas pelo corpo a partir do
código genético.
Os pesquisadores identificaram 2.776 pontos de ligação
com receptores de vitamina D ao longo do genoma,
concentrados principalmente perto de alguns genes
ligados a condições como esclerose múltipla, doença de
Crohn, lupus, artrite reumatoide e alguns tipos de
câncer como leucemia linfática crônica e câncer
colo-retal.
Eles também mostraram que a vitamina D tinha um efeito
significativo sobre a atividade de 229 genes incluindo o
IRF8, associado com a esclerose. "Nossa pesquisa mostra
de forma dramática a ampla influência que a vitamina D
exerce sobre nossa saúde", afirma um dos coordenadores
da pesquisa, Andreas Heger.
Os autores afirmam que o consumo de suplementos de
vitamina D durante a gravidez e nos primeiros anos de
vida podem ter um efeito benéfico sobre a saúde da
criança em sua vida no futuro. Outras pesquisas
anteriores já haviam indicado que a pele e os cabelos
mais claros entre as populações de partes da Terra com
menos incidência de raios solares teriam sido uma
consequência da evolução para melhorar a produção de
vitamina D.
Segundo os pesquisadores da Universidade de Oxford, isso
poderia explicar a razão de seu estudo ter identificado
um número significativo de receptores de vitamina D em
regiões do genoma com mutações genéticas mais comumente
encontradas em pessoas de ascendência europeia ou
asiática.
A deficiência de vitamina D em mulheres grávidas pode
provocar contrações pélvicas, aumentando o risco de
morte da mãe e do feto. Segundo os pesquisadores, essa
situação pode ter levado ao fim de linhagens maternais
de pessoas incapazes de aumentar sua disponibilidade de
vitamina D.
"A situação em relação à vitamina D é potencialmente uma
das pressões seletivas mais poderosas no genoma em
tempos recentes", afirma outro coordenador da pesquisa,
George Ebers. "Nosso estudo parece apoiar essa
interpretação e pode ser que não tivemos tempo
suficiente para fazer todas as adaptações de que
precisávamos para suportar nossas circunstâncias".