Poluição do ar se relaciona com
diabetes
Estudo divulgado na quarta-feira, 29 de setembro, pelo
Hospital Infantil de Boston, encontrou uma forte relação
entre a diabetes nos adultos e partículas de poluição
atmosférica, mesmo quando a exposição é inferior ao
atual limite de segurança estabelecido pela Agência de
Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em
inglês).

O relatório, que será publicado na edição de outubro da
revista Diabetes Care, reforça uma série de estudos
laboratoriais que revelaram um aumento na resistência à
insulina em ratos expostos a partículas de poluição. Na
pesquisa do Hospital Infantil de Boston, para cada
aumento de 10 microgramas por metro cúbico de exposição
a partículas poluentes, houve um aumento de 1% da
incidência de diabetes.
A diferença entre a ocorrência da doença nos município
com maior e menos índice de poluição é de cerca de 20%,
diz a pesquisa. "De uma perspectiva política, os
resultados sugerem que os limites atuais de exposição
podem não ser adequados para evitar os resultados
negativos na saúde pública", diz John Brownstein, um dos
autores do estudo.
Allison Goldfine, tamém co-autor do estudo e diretor de
pesquisa clínica do Joslin Diabetes Center, lembra ainda
que esses fatores ambientais podem contribuir para uma
epidemia de diabetes em todo o mundo. "Enquanto muita
atenção tem sido corretamente atribuída para evitar os
hábitos de alimentação muito calórica e sedentarismo,
fatores adicionais podem fornecer novas abordagens para
a prevenção do diabetes", diz.
Os pesquisadores afirmaram ter o objetivo de dar
continuidade ao estudo, incluindo pesquisas sobre os
mecanismos inflamatórios da diabetes e o papel das
partículas de poluentes nesse caso. "Nós também temos um
interesse em investigar esta descoberta em nível
internacional, onde os padrões de controle da poluição
podem ser menos rigorosos¿, conclui Brownstein.