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Assembléia de SP aprova projeto para incluir neutralizador em celulares
Projeto de lei aprovado pela Assembléia
Legislativa de São Paulo na semana passada obriga fabricantes de celulares a
instalar ou fornecer acessório que neutralize a radiação não-ionizante produzida
pelos aparelhos.
O projeto 1.192/2007 é de autoria do deputado paulista Padre Afonso Lobato (PV).
A radiação não-ionizante é a radiação de baixa freqüência gerada por
equipamentos eletro-eletrônicos em geral.
A proposta, que também inclui montadores e distribuidores, prevê multa de 100 a
500 vezes o valor de cada aparelho comercializado caso o fabricante não inclua o
acessório, que não é especificado na proposta.
Reuters

Projeto de lei obriga fabricantes a incluir acessório que neutralize radiação de
celular
Lobato não foi encontrado nesta segunda-feira (12) para comentar o projeto de
lei. Segundo informou o gabinete do deputado, a idéia original partiu do próprio
partido.
Marco Antonio Mroz, 55, que participou do grupo de estudos do PV para elaborar a
parte técnica da proposta, afirma que o projeto parte do princípio da precaução
e teve a preocupação de não beneficiar nenhuma empresa que fabrique o
equipamento.
"Tentamos não dirigir o acessório para nenhum fabricante. Ele pode ser acoplado
interna e externamente ao celular", explica Mroz.
Segundo ele, o equipamento já é vendido por algumas empresas e, por ser simples,
não encareceria o preço final do telefone. "Entendemos que isso não deveria ser
opcional, deveria ser obrigatório justamente pelo princípio da preocupação."
"Ineficaz"
A utilização de um equipamento que neutralize a radiação emitida pelo celular,
no entanto, é tida como inviável pelos fabricantes. "Energia da radiofreqüência
é imprescindível para que a mensagem seja transmitida", afirma Aderbal Bonturi
Pereira, diretor para a América Latina da MMF (Mobile Manufacturers Forum),
associação que representa as principais fabricantes de celulares no mundo, como
Nokia, Motorola e Samsung.
Ele diz que esses equipamentos vendem promessas "miraculosas" e que, na verdade,
não têm eficiência comprovada. "Qualquer equipamento que se diga eficiente para
bloquear a radiofreqüência do celular vai interromper o funcionamento dele",
diz.
Para Pereira, o fato de a própria OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmar em
seu site não haver evidências de que o uso de celular possa causar algum dano à
saúde é uma prova de que esse tipo de proposição é baseada em especulações.
"No caso da mudança climática, o relatório do IPCC [painel da Nações Unidas para
o clima] também não é conclusivo, mas mesmo assim tomamos medidas para nos
precaver", rebate Mroz.
O projeto, aprovado pelos deputados, aguarda sanção do governador José Serra
(PSDB) para se tornar lei.
Rio
No Rio, uma investigação instaurada pelo MP (Ministério Público) investiga o
impacto do uso de celulares para a saúde dos usuários.
O inquérito, instaurado no mês passado após a divulgação de uma pesquisa na qual
associa o uso do telefone a câncer no cérebro, ainda está em fase de coleta de
dados.
As informações servirão para uma possível ação civil pública contra operadoras e
fabricantes de celular, por não informarem aos consumidores sobre os supostos
riscos desse uso.
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