|
|
Tecnologia fora do escritório aumentará brigas trabalhistas
Ellen Wulfhorst
Será que um funcionário deve ser pago por ler uma mensagem em seu BlackBerry
durante um jantar, enviar um e-mail para o escritório ou postar um texto em seu
blog profissional a partir de casa?
Uma disputa que surgiu recentemente na ABC News quanto ao pagamento a redatores
para que respondam a mensagens recebidas em seus BlackBerry fora do expediente
serviu para destacar a questão. A disputa marca o primeiro de um dilúvio de
casos não resolvidos e potencialmente conflituosos que surgirão nos Estados
Unidos, dizem especialistas.
A crescente capacidade técnica de trabalhar longe do escritório, combinada ao
crescimento no número de disputas trabalhistas, está suscitando "muitas questões
de pequena escala como essa", disse John Thompson, especialista em leis
trabalhistas no escritório de advocacia Fisher & Phillips, em Atlanta.
"Nunca havíamos visto nada parecido. A simples questão de definir o que
constitui trabalho é praticamente infinita", acrescentou. "Isso trará à tona
toda espécie de problemas que ninguém havia considerado até agora."
Na ABC, a rede de televisão propôs que três novos redatores não fossem pagos por
verificar mensagens em seus BlackBerry fora do horário de trabalho. O sindicato
dos redatores, o Writers Guild of America, East, objetou.
"Simplesmente conferir uma mensagem em um BlackBerry não é o que nos preocupa",
disse Lowell Peterson, diretor-executivo do sindicato. "Nossos membros são
profissionais. Não vão começar a cobrar hora extra por 21 minutos de atenção."
"Nossa preocupação é que não desejamos que isso se torne um grande compromisso
de trabalho pelo qual as pessoas não sejam pagas", ponderou.
A questão não é tanto responder uma breve mensagem em um BlackBerry, mas a
capacidade de escrever artigos, postar em blogs, preparar documentos, pesquisar
na Internet ou assinar contratos em um pequeno aparelho portátil, dizem os
especialistas.
"A tecnologia continuará a avançar nessa direção", afirmou Peterson. "É
importante que deixemos nossa posição clara. Não vamos trabalhar 24 horas por
dia sem pagamento."
|
|