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Dispositivo na língua disponibiliza comando a paraplégicos
Um grupo de cientistas do Georgia Institute of Technology, nos Estados Unidos,
apresentou um dispositivo que permite a deficientes físicos controlar uma
cadeira de rodas ou operar o computador mexendo apenas a língua.
Chamado de Tongue Drive (Impulso da Língua), o aparelho é um imã do tamanho de
um grão de arroz que deve ser colocado na ponta da língua dos pacientes e
"substituiria" o cursor do mouse de um computador ou o joystick que controla os
movimentos das cadeiras de rodas elétricas.
O movimento do dispositivo magnético é detectado por sensores, que podem ser
acoplados a um capacete ou a um aparelho ortodôntico bucal. Eles são
responsáveis por transmitir os sinais para um computador portátil que pode ser
carregado na roupa ou na cadeira de rodas do usuário.
Segundo o professor Maysam Ghovanloo, que desenvolveu o dispositivo ao lado do
aluno Xueliang Huo, a língua foi escolhida porque não é controlada pelo cérebro
por meio da medula espinhal --danificada nos paraplégicos.
"A língua é diretamente conectada ao cérebro por um nervo cranial que geralmente
escapa dos danos causados em ferimentos na medula e das doenças neuromusculares",
diz Ghovanloo. "Além disso, os movimentos da língua são rápidos, precisos e não
requerem muita atenção, concentração ou esforço", explica ele.
Avanço
A equipe de pesquisadores realizou testes do aparelho com 18 pessoas saudáveis,
que operaram o mouse do computador e uma cadeira de rodas elétrica apenas com o
movimento da língua.
No teste com os computadores, os participantes testaram seis comandos diferentes
que substituiriam o clique e o movimento do mouse --esquerda, direita, para
cima, para baixo, clique único e dois cliques.
De acordo com os resultados, a resposta do computador para os comandos dados
pela língua foram realizadas em menos de um segundo e os participantes tiveram
quase 100% de precisão nos comandos.
Um grupo de comandos especial pode também ser desenvolvido para se adaptar às
habilidades e necessidades dos pacientes.
"A pessoa pode potencialmente treinar nosso sistema para reconhecer o toque em
dentes diferentes como comandos diferentes", explica o cientista.
Os cientistas apresentaram o novo dispositivo durante um encontro da Sociedade
Americana de Engenharia da Reabilitação e Tecnologia Assistiva, em Washington,
nos Estados Unidos.
A equipe ressaltou que, ao contrário de outros dispositivos, o novo aparelho é
não-invasivo e seu implante não requer cirurgias complicadas no cérebro.
O próximo passo será testar o dispositivo em pacientes com deficiências graves.
"Esse dispositivo pode revolucionar o campo da tecnologia assistiva ao ajudar
indivíduos que sofrem de deficiências sérias, como aqueles que sofreram danos
graves na medula espinhal, a ter uma vida mais independente, ativa e produtiva",
afirmou Ghovanloo.
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