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Mouse está com os dias contados, dizem especialistas
Maggie Shields
Uma das consultorias em tecnologia mais importantes do mundo, a Gartner, prevê
que o mouse para uso doméstico está com os dias contatos.
Um dos consultores da empresa, Steve Prentice, afirma que o mouse, que já tem
quase 40 anos de idade, poderá ser aposentado nas casas nos próximos três ou
cinco anos.
Para substituir o dispositivo, Prentice diz que serão implantados computadores
com os chamados mecanismos gestuais, como os operados por toques de tela e
dispositivos de reconhecimento facial.
"O mouse trabalha bem em ambiente de escritório, mas, para o entretenimento
doméstico ou para trabalhar em um notebook, está acabado", afirma o analista.
Reconhecimento da face
Prentice afirmou à BBC que sua previsão foi gerada pelo surgimento de novos
produtos com novas interfaces mais interativas, inspiradas pelo mundo dos games.
"Temos a Panasonic mostrando um novo dispositivo para o ambiente de
entretenimento doméstico", diz o consultor. "Ao invés de usar o controle remoto
convencional, você levanta sua mão e o aparelho reconhece que você fez isso."
"O aparelho também reconhece seu rosto e mostra isso na sua tela de televisão",
acrescenta. "Você pode mover sua mão para se mover pelo menu e escolher o que
quiser."
"Sony, Canon e outros fabricantes de equipamentos fotográficos e de vídeo estão
usando reconhecimento de voz em tempo real", afirma Prentice. "E reconhecem até
quando você sorri."
"Você tem até sistemas emotivos pelos quais você pode usar fones e controlar um
computador simplesmente pelo pensamento, e isso deve chegar ao mercado em
setembro."
Exagero
Apesar das previsões de Prentice, nem todos concordam com o fim do mouse em
ambiente doméstico.
"A morte do mouse é muito exagerada", afirma Rory Dooley, vice-presidente e
gerente-geral da unidade de dispositivos de controle da Logitech.
A empresa é a maior fabricante de mouses e teclados e já vendeu mais de 500
milhões de mouses nos últimos 20 anos. "Isso apenas prova como o mouse é
importante", afirmou Dooley.
O vice-presidente da Logitech reconhece, no entanto, que o número de formas para
as pessoas interagirem com um computador está aumentando.
"Há anos, as pessoas estão falando da convergência", diz Dooley. "Hoje, a TV
funciona como um computador, e os computadores de hoje funcionam como uma TV."
"Os dispositivos que usamos foram modificados para atender à mudança em nosso
estilo de vida, mas isso não nega o valor do mouse", acrescenta.
Mundo em desenvolvimento
De acordo com Prentice, da consultoria Gartner, milhões de pessoas já estão
usando os substitutos do mouse graças a dispositivos como o iPhone e o videogame
Wii, da Nintendo.
"Com o Wii, você aponta e se movimenta e o controle vibra em resposta", afirma o
consultor. "Até a interface de múltiplos toques é muito mais flexível e poderosa
do que no passado, permitindo aproximação, movimentação rápida."
Mas, com as comemorações dos 40 anos do mouse planejadas para 2008, Dooley diz
que as previsões da consultoria são pessimistas demais, principalmente se
levarmos em conta que muitos países em desenvolvimento ainda precisam entrar no
mundo online.
"Levar tecnologia, educação e informações para estas partes do mundo será
possível por meio de acesso a navegadores de internet e isso será feito da forma
como conhecemos hoje, que é o mouse", diz o executivo da Logitech.
"Existem cerca de um bilhão de pessoas online, mas a população do mundo
ultrapassa os cinco bilhões", completa Dooley.
BBC Brasil
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