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Gigantes da eletrônica vão criar padrão sem fio para alta definição
Peter Svensson
A Sony, a Samsung e outros pesos-pesados da eletrônica se uniram para apoiar uma
tecnologia que pode enviar sinais de vídeo de alta definição sem fio de um único
aparelho para telas espalhadas por toda a casa.
O consórcio é um importante avanço na corrida para se criar um modo definitivo
de substituir emaranhados de fios de vídeo, mas não a decide de todo, já que
tanto a Sony quanto a Samsung estão também apoiando uma tecnologia concorrente.
No novo consórcio, a Sony e a Samsung Electronics, acompanhadas pela Motorola,
Sharp e Hitachi, vão desenvolver um padrão para a indústria com base na
tecnologia WHDI, ou Wireless Home Digital Interface (Interface digital doméstica
sem fio), desenvolvida pela Amimon, uma empresa sediada em Israel.
"Se você tem uma TV em casa, essa TV vai conseguir acesso a qualquer fonte de
imagens da casa, seja um aparelho na sala, ou o PlayStation no quarto, ou um
aparelho de DVD em outro quarto. Essa é a mensagem da tecnologia WHDI", disse
Noam Geri, co-fundador da Amimon.
A Amimon já está vendendo chips que cumprem parte dessa promessa, mas a criação
de um grande grupo de líderes do setor torna mais plausível a possibilidade de
que consumidores venham a poder comprar aparelhos compatíveis com a WHDI,
oriundos de diferentes fabricantes, e fazer com que todos trabalhem juntos.
Geri espera que TVs com os chips da Amimon cheguem às lojas no ano que vem,
custando cerca de US$ 100 a mais que TVs equivalentes, sem o sistema wireless.
O streaming de vídeo de alta definição sem fio é um problema de engenharia
relativamente trabalhoso que muitas empresas estão tentando resolver. Isso pode
acontecer com versões mais rápidas do Wi-Fi, uma tecnologia já presente em
muitos lares, mas que requer "compressão", ou redução da taxa de dados, o que
resulta na degradação da qualidade das imagens. Também há um atraso na
transmissão, já que os chips nas duas pontas precisam comprimir e depois
descompactar a imagem.
Isso causou uma intensificação nas pesquisas sobre tecnologias de rádio que são
mais rápidas e que requerem menor compressão. Um concorrente que apareceu
primeiro no mercado é o WirelessHD, baseado em tecnologia da SiBEAM, de
Sunnyvale, na Califórnia. Ela usa uma freqüência aberta da banda de rádio, a de
60 gigahertz, para uma transmissão ultra-rápida de vídeo não compactado, mas
pode estar a muitos anos da comercialização.
Seu alcance é limitado, o que significa que pode ser usado em links no mesmo
ambiente, mas não para criar a rede em toda uma casa, como a WHDI. A Sony também
é parte do grupo do WirelessHD, e está apoiando o padrão WHDI para ter "mais
opções", anunciou a empresa em comunicado.
A Samsung, por outro lado, considera a WHDI um recurso provisório até que o
WirelessHD e sua melhor qualidade de imagem estejam disponíveis.
JaeMoon Jo, vice-presidente de pesquisa de TV da Samsung, disse que a empresa
acredita que o WirelessHD vai ser a "melhor solução em longo prazo".
Outra tecnologia wireless no páreo é a ultra-banda-larga, ou UWB. Ela requer uma
compressão ainda menor que o Wi-Fi, mas seu alcance é mais limitado, geralmente
para redes em um mesmo ambiente. A Monster Cable Products planeja lançar um kit
que produz um link de vídeo sem fio usando a UWB.
A tecnologia WHDI é menos exótica que a WirelessHD ou UWB. Ela usa uma
freqüência de rádio em 5 gigahertz que é usada por alguns aparelhos de Wi-Fi, o
que significa que pode levar vantagem ao aproveitar as pesquisas desenvolvidas
nessa área. Para superar as limitações da largura de banda, a Amimon usa um
truque inteligente ao invés de compressão.
Antes da transmissão, os chips da Amimon separam os componentes importantes do
sinal de vídeo, aqueles que fazem verdadeira diferença para o espectador, dos
menos importantes, como os que respondem por pequenas variações de cor em uma
área de tamanho modesto. O sistema em seguida prioriza as partes importantes, e
dedica menos esforços a levar ao receptor as nuanças mais sutis.
Isso significa que a transmissão trabalha a distâncias relativamente longas,
ainda que com qualidade de imagem relativamente inferior à medida que a
distância se amplia.
A Motorola considerou tecnologias concorrentes, mas a WHDI é o único grupo ao
qual ela aderiu devido à abordagem "extremamente singular" da Amimon, disse Paul
Moroney, pesquisador da Motorola que trabalha com a WHDI.
A Motorola planeja incluir a tecnologia em seus decodificadores de televisão,
usados por muitas operadoras de TV a cabo em todos os Estados Unidos. Mas o
primeiro produto será provavelmente um par de adaptadores que conversam sem fio
um com o outro. Um deles poderia ser afixado ao decodificador e outro ao
televisor, disse Moroney.
A Belkin International já vende um par de adaptadores baseados nos chips da
Amimon, por US$ 1 mil, e a Sony anunciou que lançará equipamento semelhante para
os seus televisores. Moroney disse que a Motorola espera colocar um kit no
mercado por preço significativamente inferior ao da Belkin, no ano que vem,
quando a tecnologia tiver amadurecido.
Kurt Scherf, analista da Parks Associates, apontou para o fato de que as
tecnologias de transmissão sem fio de vídeo são objetivo de discussão e de
rumores há muitos anos, mas que até agora elas não conseguiram se provar à
altura das promessas a seu respeito. Os instaladores profissionais de vídeo e
áudio pesquisados por sua empresa não demonstraram grande entusiasmo quanto à
transmissão sem fio, porque temem problemas de confiabilidade.
Ainda assim, ele disse, o alcance do sistema WHDI deve bastar para prover uma
vantagem a essa tecnologia, porque permite que ela faça mais do que simplesmente
substituir um cabo no centro de entretenimento doméstico.
AP
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