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Chip de TV analógica para celular aposta em baixa adesão ao sinal digital
Cerca de quatro meses após o lançamento de celulares com TV digital em São
Paulo, a fabricante de chips Telegent chega ao país investindo em uma tecnologia
com data marcada para extinção: a televisão analógica captada em aparelhos
móveis.
A Telegent, que tem sede nos Estados Unidos, anunciou nesta terça-feira (26) que
negocia com fabricantes de celulares a produção de aparelhos com o uso de um
chip que permite assistir a canais de TV aberta, gratuitamente. A companhia
aposta que a TV digital "não pega" por aqui em menos de quatro anos e que as
pessoas vão aprender a ver televisão por celular usando o sinal analógico mesmo.
Divulgação

Chip permite ver TV analógica pelo celular, gratuitamente, mas com chuvisco e
sombra
Esses chips vêm com os aparelhos --a empresa tem de fazer acordos com as
indústrias para que a tecnologia chegue ao público final.
Por enquanto, apenas a chinesa ZTE, que promete entrar com sua marca no mercado
de telefones celulares no Brasil até o final do ano, u fabricar os aparelhos
--o produto foi homologado pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e
deve chegar às lojas nos próximos meses.
A empresa afirma que, entre cinco das maiores fabricantes de celular --Nokia,
LG, Sony Ericsson, Samsung e Motorola--, três já têm protótipos de aparelhos com
a tecnologia.
A Telegent diz também que está em "estágio avançado" de negociação com uma
grande operadora, para comercializar os aparelhos.
Uso imediato
A vantagem é que o sistema capta o sinal da TV analógica, presente em todo o
território nacional. Enquanto isso, a digital tem cobertura apenas nas cidades
de São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Goiânia. A Telegent aposta que, daqui a três
anos, essa cobertura não chega a 50% do país.
Divulgação
Chip da Telegent equipa celulares; empresa busca parcerias para lançar sistema
"Por enquanto, a TV digital é basicamente só São Paulo. Se o cliente estiver, em
Santos, em Campinas, em Olinda, o que ele compra? Que opções ele tem?", afirma
Carlos Kirjner, vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Telegent.
Kirjner nega que seu produto vá entrar em competição com o sistema digital.
"Estamos complementando." De acordo com o executivo, o modelo é favorável para
"todos" os envolvidos no assunto --operadoras de telefonia, emissoras de
televisão, fabricantes de celular e consumidores. "Isso sem que ninguém tenha
que fazer investimento".
Palha de aço
Para receber o chip, os aparelhos devem ter tela com qualidade para exibição de
vídeos, câmera fotográfica e saída de som --um aparelho de menos de US$ 100 já
suporta tecnologia, diz a empresa. E a diferença de preço causada pelo sistema é
de US$ 15 a US$ 20.
Nos aparelhos apresentados na zona sul de São Paulo, a imagem de canais como
Globo e SBT era bastante chuviscada, tremida --similar a de uma televisão comum,
sem antena. Para ajustar a imagem, é preciso ficar mexendo na antena do celular,
até conseguir a melhor recepção.
A Telegent também estuda produzir chips que captem o sinal nipo-brasileiro de TV
digital. Isso pode ocorrer em um período de 12 a 18 meses, dependendo do avanço
da cobertura do sistema e da aceitação do produto que a empresa lança agora.
Pelo cronograma do sistema digital, o sinal analógico deixará de ser utilizado
para televisão em 2016. Após a transição para o digital, as emissoras devem
devolver suas faixas de freqüência à União, que decidirá o que fazer com elas.
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