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Riviera Maia, no México, é irmãzinha descolada de Cancún
ROGÉRIO PAGNAN
É possível existir beleza numa tragédia? A Riviera Maia
prova que sim. A região é uma cicatriz do megadesastre
ambiental ocorrido há 65 milhões de anos, quando um meteoro
com 10 km de diâmetro atingiu a Terra numa velocidade de 25
km por segundo, o que levou à extinção de quase todas as
formas de vida existentes.
A península de Yucatán, placa tectônica onde a Riviera está
encravada, só emergiu após a tal explosão. Hoje, a região se
coloca como interessante roteiro turístico graças às belezas
naturais e às formas de vida surgidas a partir do ponto do
impacto.
Maria do Carmo/Folha Imagem

Praia de Tulum, uma das únicas na costa mexicana com ruínas
maias; sítio arqueológico fica a 129 quilômetros de Cancún
O que inclui desde os arrecifes de coral, deleite de
mergulhadores, ao próprio homem --em especial os maias,
moradores mais antigos da península de que se tem registro.
Além de emprestar nome à região, resquícios da civilização
milenar também ajudam a incrementar as opções de passeio.
O sítio arqueológico de Tulum, a 129 km de Cancún, é um
lugar para contemplar a união de tudo isso. A experiência de
caminhar entre o cinza das ruínas e, em seguida, sentir o
contraste do mar azul-turquesa fascina os turistas. Pode-se
até brincar de encontrar iguanas nas ruínas. De vários
tamanhos, elas se misturam ao cinza das pedras milenares.
Tulum é a única construção maia à beira-mar. Ao longo de
suas praias, há os chamados ''beach clubs'', com
restaurantes e pousadas ornadas com coqueiros, mar com até
sete tonalidades de azul e areia branca.
A Riviera Maia é grudada a Cancún, estrela do turismo
mexicano. Os dois destinos são uma espécie de irmãos gêmeos
bivitelinos. Cancún, diga-se de passagem, é de proveta. A
ilha em formato do número sete é um aterro construído em
1970 pelo governo mexicano, com o propósito único de atrair
turistas e hoje está entupida de megaresorts e de
americanos.
Há americanos na Riviera, mas a maioria é européia.
Brasileiros são um traço estatístico. De cada 28 que
desembarcaram no Caribe em 2007, num total de cerca de 23
mil, só um seguiu para a Riviera. O restante foi para Cancún.
Há pouco mais de cinco anos, Riviera tinha menos de mil
vagas para abrigar turistas. São 34 mil atualmente,
crescimento irrigado pelo euro.
Além do perfil diferenciado dos turistas, a Riviera não
permite megaresorts. Por lei, nenhuma construção pode
ultrapassar três pavimentos, o que ajuda a preservar o clima
de praia deserta.
Bonito mais bonito
Maria do Carmo/Folha Imagem

Turistas caminham pelas antigas ruínas maias de Tulum; local
possui também "beach clubs" com alguns restaurantes e
pousadas
A Riviera ocupa uma faixa de 160 km. Por todo o lugar há um
forte discurso de preservação. Nos parques Xcaret e Xel-Ha
são proibidos até protetores solares que não sejam
biodegradáveis. A intenção é evitar a contaminação das águas
e, com isso, o desequilíbrio do ecossistema. O produto
permitido é distribuído gratuitamente.
Um dos passeios mais interessantes é o do rio Secreto. Numa
comparação à brasileira, seria uma espécie de Bonito (MS)
ainda mais bonito. Trata-se de uma visita a uma caverna com
direito a mergulho num rio subterrâneo, sem necessidade de
curso prévio.
Espalhados por todos os cantos da Riviera, os cenotes,
olhos-d'água que aparecem na península, são indispensáveis
no roteiro.
Como nem só de pão vive o homem, a Riviera também tem
cidades para os que gostam de praias desertas ''pero no
mucho''. Se você se encaixa nesse perfil, Playa Del Camen se
encaixa no seu. Há uma boa infra-estrutura urbana, mas nada
agressivo à natureza. Caminhar pelo principal calçadão,
chamado de 5ª Avenida, é uma boa pedida para escapar do
hotel. Há uma boa variedade de restaurantes, cafés e lojas
--com artesanato e produtos de grife.
Se, além disso, quiser uma baladinha para fechar a noite, a
Blue Parrot não vai decepcioná-lo. Sua pista de dança fica
em frente à praia e não há paredes nem teto. Dá para ouvir
um som caribenho com uma brisa no rosto e diante de um céu
forrado de estrelas.
Não há nada de ruim? Há. O assédio dos mexicanos por
propina. Não se trata de corrupção como aqui. Propina nada
mais é do que gorjeta, mas que eles pedem com um apetite de
políticos. Chega a ser quase uma exigência, o que incomoda
um pouco. Para resolver o problema, leve uns trocados no
bolso. E o tratamento será ainda melhor.
Depois de alguns dias nesse pedaço do México, seus problemas
serão outros pesos. Além da mala carregada de lembranças e
garrafas de tequila, o que poderá lhe custar alguns dólares
a mais no aeroporto, a primeira visita à balança ajudará a
entender por que a cozinha mexicana é tão famosa e os
mexicanos, gordinhos.
Para quem
Procura aliar uma peregrinação por belas e desertas praias,
sem abrir mão de um mergulho pela antiga cultura maia, o
destino é a Riviera Maia. Se o seu negócio for confortáveis
resorts e baladas pela madrugada, siga para Cancún.
Quando ir
O período mais quente vai de setembro a novembro, com
temperaturas acima de 30ºC, época em que os preços estão
mais em conta, porém em que a região está sujeita a
furacões. No restante do ano, os termômetros oscilam entre
27ºC e 30ºC. Dezembro e janeiro são altíssima temporada;
março é mês dos estudantes americanos dominarem Cancún.
Documento
Passaporte com visto; prepare-se para encarar filas e chegar
ao consulado do México bem cedo, por volta das 5h
Rogério Pagnan e Maria do Carmo viajaram a convite da
Nascimento Turismo, da Oficina de Visitantes e Convenções de
Cancún e da Fideicomisso de Promoção da Riviera Maya.
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