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Capital informal do Sul dos EUA, Atlanta pode ser mais que uma escala
HELOISA LUPINACCI
da Folha de S.Paulo, em Atlanta
"Ya'll" --soa como "iól"-- é como você será chamado a partir
do momento que chegar a Atlanta. Acostume-se também a dizer
como vai, de onde vem e quanto tempo vai ficar.
Mark William Penny/SXC

Sede da Coca-Cola e da CNN, capital informal do Sul dos
Estados Unidos, cidade de Atlanta pode ser mais do que uma
escala
Atlanta é uma cidade grande, a maior do pedaço, centro de
uma área metropolitana que concentra mais de 5 milhões de
pessoas. Mas, mesmo assim, todo mundo faz essas perguntas,
da caixa do supermercado ao garçom, do porteiro ao policial,
sempre com um sorriso no rosto e um sotaque sulino.
"Ya'll" é a contração de "you all", ou todos vocês. E não
importa que esteja sozinho, o tratamento será no plural.
Todos vocês, portanto, chegaram à cidade que carrega o
status de capital do Sul dos Estados Unidos, o centro de
tudo aquilo que está abaixo e à direita no mapa do país
-para o lado esquerdo, já vira Centro-Oeste.
Gringa
E Atlanta não se faz de rogada, abraça o título de capital
sem fingir cosmopolitismo.
É norte-americana, com tudo o que vem com isso. Aqui o carro
é mais importante que o pedestre --três rodovias
interestaduais cruzam o coração da metrópole e atravessar a
rua é difícil até para o pedestre paulistano mais tarimbado--,
e uma via pode ficar congestionada por causa de uma fornada
de rosquinhas. Os parques são bem cuidados --o Piedmont (www.piedmontpark.org)
ocupa 765 mil metros quadrados, se mescla a casas e ostenta
boa programação cultural.
E a glória é comer tomates verdes fritos e frango frito com
molho apimentado e farofa de peru --que lembra, a última, o
gosto do dia de Ação de Graças. Nada mais típico.
Para reforçar, símbolos norte-americanos desfilam por ali.
Em primeiro lugar, essa é a cidade-sede da Coca-Cola. Em
segundo, é ali também a sede da rede televisiva de notícias
CNN. Em terceiro, foi ali perto, a 144 km, que morreu, em
1945, o presidente Franklin Delano Roosevelt, um dos mais
populares do país. Por último, em Atlanta nasceu, em 1929, o
ativista dos direitos civis Martin Luther King.
De novo e de novo
Se tem uma graça passadista, Atlanta também teima em se
reinventar. Foi assim após o fim da Guerra Civil, em 1865
--a cidade foi destruída pelas tropas da União que ficaram
ali durante meses e colocaram fogo em tudo antes de
desocupar a área--, foi assim para a Olimpíada de 1996 e
está sendo assim de uns anos para cá, quando o museu de arte
foi ampliado, o da Coca-Cola teve nova sede inaugurada e o
aquário da Geórgia, maior do mundo em volume de água, abriu
as portas.
Desde a primeira reconstrução --que legou o dizer "resurgens",
ressurgir em latim, e o símbolo da fênix ao brasão da
cidade-- Atlanta se propõe como face moderna do Sul do país.
Com algumas alcunhas, como "Hotlanta", trocadilho com o
calor que faz ali, o apelido do momento é ATL.
A sigla é vista em canecas que imitam o logo "Eu coração
NY", substituindo o NY por ATL. E, não por acaso, ATL é a
sigla do aeroporto local. Muito da modernização da cidade se
deve ao seu aeroporto, um dos maiores hubs dos EUA, onde a
companhia aérea Delta centraliza suas operações.
É por causa dele, do aeroporto, que um turista pode acabar
ficando uns dias a mais ali.
Em vez de encarar ATL como uma simples conexão de um vôo
para outro lugar, vale esticar a mergulhar por uns dias em
Atlanta.
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