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Macau ignora crise e não economiza nas comemorações do Ano-Novo Lunar
da Agência Lusa, em Macau
Macau prepara-se para uma semana de festa com a chegada, na
próxima segunda-feira, 25, do Ano-Novo Lunar do Búfalo e, em
tempos de crise e com a economia tecnicamente em recessão, a
população cumpre a tradição e não economiza com as
comemorações.
"O Ano-Novo Lunar é uma festa e as pessoas continuam a
cumprir a tradição sem olhar muito a despesas", diz, num
inglês "arranhado", o senhor Chan, que vende pequenas
tangerineiras --uma árvore da fortuna ou da boa sorte--, e
outras flores de sorte na grande Praça do Tap Seac, que será
o palco de atrações noturnas e de venda de artigos
relacionados com a grande festa das famílias chinesas.
Bobby Yip/Reuters

No Ano-Novo Lunar de Macau, as fábricas param, lojas fecham,
as famílias se juntam, casas são limpas e móveis são velhos
trocados
Cantores e dançarinas de associações de bairro animam a
noite com umas dezenas de espectadores sentados em cadeiras
de plástico em frente do palco e com as crianças brincando
nas calçadas, enquanto os pais tiram fotografias junto às
iluminações do novo ano.
Nas tendas improvisadas, os motivos do ano novo lunar com os
bonecos de peluche (tecido aveludado) e plástico do búfalo
--o rei dos próximos 12 meses--, as flores e as pequenas e
grandes tangerineiras em destaque, são vendidas rapidamente
a preços convidativos, mas nem por isso mais baixos apesar
da "crise".
Tradição
O Ano-Novo Lunar é um momento de união, de perspectiva de
futuro e de balanço do ano que findou e é nesta altura que
grande parte da comunidade chinesa aproveita para ter uns
dias de férias.
As fábricas param, as lojas fecham, as famílias juntam-se no
território ou no continente chinês, as casas são limpas, os
móveis velhos trocados e as figuras dos deuses substituídas.
Um pouco por toda a cidade, apesar da proibição e da
definição de locais específicos para a queima de fogos, os
panchões --cartuchos de pólvora maiores que as bombas
chinesas de Carnaval--, deixam rastro com os papéis
vermelhos espalhados pelo chão e com o cheiro da pólvora no
ar.
São comerciantes ou cidadãos que, diz a lenda, querem
afugentar um animal sobrenatural denominado "Shan Xiao", que
matava pessoas ou gado nos fins de ano, mas que tinha medo
da luz e dos ruídos.
Cidade flutuante
No Porto Interior, a concentração de barcos transforma o
local numa autêntica cidade flutuante, mas que, de ano para
ano, vai perdendo dimensão.
As lojas aproveitam o agito dos últimos dias antes da festa
para saldar os artigos armazenados, estão cheias de pessoas
à procura da última peça ou ingrediente necessário à mesa da
festa. A população sai à rua com roupas novas, um requisito
para que a boa sorte os acompanhe ao longo do ano.
Com as ruas decoradas com motivos ligados às tradições do
Ano-Lunar Chinês, a população prepara-se para ir aos
templos, numa romaria que mistura crianças e adultos depois
de uma noite à volta da mesa recheada de iguarias próprias
da época como o "Nin Kou" (bolo do ano novo chinês), "Chim
Tui" (bolo de farinha frito coberto de sésamo), "Kwa Chi"
(pevides), "Tong Kam Kat" (tangerina cristalizada) e o "Iao
Kok" (frito em forma triangular).
Cada quitute contém, porém, a manifestação de um desejo para
o ano novo - o "Nin Kou" significa promoção gradual, "Chim
Tui" simboliza que ouro e prata se vão acumular em casa e "Kwa
Chi" está aliado ao desejo de ter um filho homem e de se
ganhar mais dinheiro.
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