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Areia e sal são só o início de viagem ao Chile e à Bolívia


Existe muito mais do que areia e cactos na paisagem de um deserto. E uma viagem a países vizinhos, como Chile e Bolívia, comprova isso.

O Chile reserva aos turistas o deserto do Atacama, situado na região de Antofogasta, entre o Pacífico e os Andes. Na Bolívia, fica o impressionante salar de Uyuni --e, nele, a maior quantidade de lítio do mundo.

Se você tem cerca de 15 dias para viajar, experimente fazer os dois roteiros, partindo de Santiago até o deserto do Atacama e, de lá, para a região de Potosí, onde fica Uyuni.

No deserto do Atacama, a laguna Miscanti, com o vulcão homônimo ao fundo, fica perto do povoado de Socaire

O Atacama é uma das regiões mais áridas do mundo --dizem os chilenos que alguns locais ali nunca tiveram registro de chuva. A paisagem é composta de montanhas de rochas e dunas gigantes. Mas a diversidade dá o tom, fazendo o turista se deparar com lagoas, vulcões e gêiseres, além de animais, como lhamas, alpacas e flamingos.

Para conhecer o deserto, o indicado é se hospedar em San Pedro de Atacama, que serve como ponto de partida para os passeios. Para quem gosta de aventura, a região oferece escaladas em vulcões. Experimente também fazer passeios de bicicleta e a cavalo.

Quando for ao Uyuni, prepare-se para, em uma viagem de quatro dias, entrar em contato com a natureza em sua forma mais surpreendente.

Antes de virar um deserto, Uyuni era mar

Ventos constantes e intensos batendo sobre rochas, em uma região seca e sem chuvas. É em cenários como esse que se formam os desertos arenosos, como o de Atacama.

"Chamamos o processo de desgaste das rochas com a ação do vento de erosão eólica", diz Paulo Roberto Meneses, professor de geologia da UnB (Universidade de Brasília).

Já com os desertos de sal, os protagonistas não são os ventos e as rochas, mas o mar, as movimentações do solo e o calor.

O que hoje é o deserto de Uyuni já foi um braço do oceano Pacífico. Sempre propícia a terremotos, a região passou por deslocamentos de placas tectônicas que acabaram erguendo cadeias de montanhas. 'Elas então aprisionaram a água, deixaram-na sem saída', explica Meneses.

Com o calor, e sem ter para onde correr, os lagos de água salgada se evaporaram lentamente. Sobrou o sal. Virou deserto.

 

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