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Centenária, festa uruguaia quase foi extinta; museu resgata tradições
A cultura do Carnaval uruguaio, apesar de centenária, quase
perdeu muitos de seus elementos devido às sucessivas crises
econômicas que se abateram sobre o país e a outras
influências culturais.
Reprodução

Imagem de 1917 registra desfile na capital uruguaia, cujas
origens do Carnaval remetem ao século 19; veja galeria de
imagens
A história da festa de Montevidéu é antiga: remete ao século
19. Após décadas de comemorações das mais diferentes
origens, em 1874 houve o primeiro concurso oficial de grupos
carnavalescos --um ano depois do primeiro desfile de
comparsas de negros e lubolos, que se tornariam oficiais
apenas em 1903.
Ao longo do tempo, surgiram categorias distintas (murgas,
humoristas, parodistas etc.), com um público fiel que
durante as competições torce como se estivesse em um
estádio.
Apesar de sua força, hoje o Carnaval uruguaio é uma fração
do que foi um século atrás. Os tablados (palcos), que já
foram cerca de 800, hoje são pouco mais de 20, alguns deles
resgatados em projetos de iniciativa pública e contando
apenas com as lembranças dos moradores mais antigos.
Reprodução

Carro alegórico produzido em 1918 traz cena cômica de
colisão para desfile de abertura daquele ano; veja galeria
de imagens
Tempos atrás, os poucos que resistiam não passavam de tábuas
de madeira suspensas. "Nos anos 70 já não se decoravam mais
os tablados", conta a historiadora Milita Alfaro. Entre as
décadas de 60 e 90, os carros alegóricos quase foram
extintos.
Hoje, o trabalho de preservação dessa cultura é liderado
pelo Museo del Carnaval. A entidade ganhou o prêmio Reina
Sofía de Cultura pelo resgate de tradições carnavalescas.
Entre elas está a confecção dos cabeçudos, parentes
distantes dos bonecos de Olinda. Agora, eles são feitos com
espuma, isopor e outros materiais bem mais novos do que a
antiga técnica de papel marche.
"Não importa como as pessoas vão fazê-los, e sim que os
façam", considera o diretor do museu, Eduardo Rabelino. "Não
queremos uma cultura morta."
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