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Atum vermelho em extinção é vendido no Japão por US$
1,8 milhão de dólares
O Japão é acusado pela mídia
internacional de ser um dos maiores percussores da
extinção de várias espécies, entre elas as baleias,
golfinhos e também o atum que ganha preços elevados
nos leilões do massacre japoneses. Quanto mais raro
o animal for, mais os japoneses pagam comer atum é
ajudar a espécie a desaparecer para sempre. No
leilão do Japão pode-se comprar qualquer espécie em
extinção, o governo japonês fecha o olho para todo
tipo de ilegalidade e os maus-tratos aos animais
continuam.
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Kiyoshi Kimura, proprietário de uma famosa
rede de restaurantes de sushi, corta atum de
222 kg após ganhar leilão no mercado de
peixes Tsukiji, em Tóquio. Kimura pagou US$
1,8 milhão no primeiro leilão do ano do
grande mercado
Foto: AP |
A resistência em proibir o
comércio de atum azul deixa livre o caminho para a
pesca industrial com consequências imprevisíveis,
segundo especialistas, para o desequilíbrio
ecológico dos mares.
O atum azul, um dos peixes predadores mais
importantes do Oceano Atlântico e do Mar
Mediterrâneo, está condenado à extinção em, pela
falta de ação dos governos do Norte e organismos
internacionais de controle, preveem biólogos
marinhos e organizações ambientalistas.
Embora este alerta não seja uma novidade, os
ativistas insistem que é oportuna em vista da
incapacidade dos países industrializados, em
particular dos membros da União Europeia (UE) e do
Japão, de impedir o desaparecimento de espécies
marinhas essenciais para a proteção da
biodiversidade.
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Empregado da companhia Kiyomura Co. posa com
a cabeça do grande atum vermelho no
restaurante Sushi Zanmai, próximo ao mercado
Tsukiji
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“Segundo as avaliações da Comissão Internacional
para a Conservação do Atum Atlântico (Cicaa), a
população atual de atum azul é menor que 15% da
original”, disse ao Terramérica o encarregado da
Campanha de Oceanos do capitulo francês do
Greenpeace, François Chartier. A Cicaa é uma
organização intergovernamental responsável pela
conservação desta espécie e outras afins no Oceano
Atlântico e mares adjacentes, especialmente o
Mediterrâneo.
Por sua vez, Charles Braine,
encarregado de Pesca Sustentável da filial francesa
do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), recordou que
um estudo realizado por este grupo em 2009 “sugere
que o atum azul (Thunnus thynnus) desaparecerá se as
medidas necessárias não forem tomadas imediatamente”.
Braine assegurou ao Terramérica que “a extinção
deste peixe teria consequências imprevisíveis para o
equilíbrio ecológico de seu hábitat”.
Em seu informe Perspectiva Mundial sobre a
Diversidade Biológica 3 (GBO3), publicado no dia 10,
a Organização das Nações Unidas alerta que “a pesca
excessiva continuará deteriorando os ecossistemas
marinhos e levará ao desaparecimento das populações
de peixes”. Biólogos marinhos utilizam dois
critérios para determinar os riscos da vida marinha:
a taxa de natalidade das espécies, medida como alta,
baixa ou média, e a população de referência para
fazer o censo da população atual.
“Como a taxa do atum azul é considerada média, a
redução para menos de 15% da população original é um
indicador de risco extremo de extinção”, explicou
Chartier. O perigo para o atum azul se acentuou
depois do fracasso da 15ª Conferência das Partes da
Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies
Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (Cites).
Chartier considera incompreensível e inescrupulosa a
atitude da União Europeia e do Japão, que não
sustentaram a moção de proibir o comércio
internacional do atum azul, apresentada por Mônaco
nessa Conferência da Cites, realizada em Doha entre
13 e 25 de março.
Embora a
“UE aparentemente tenha apoiado essa proposta de
tornar ilegal toda pesca deste peixe, ao mesmo tempo
pediu mais estudos para documentar os riscos de
extinção”, explicou Chartier. Os governos europeus
sabem que essa evidência é abundante e
inquestionável, prosseguiu. A decisão final da
Cites, de não proibir esse comércio internacional,
favorece tanto as companhias de pesca industrial do
atum quanto as operadoras de fazendas marítimas de
engorda, localizadas sobretudo em países da UE, como
França, Espanha, Itália, Grécia e Malta. Os outros
grandes beneficiários desta exploração são empresas
japonesas e de países da Bacia do Mediterrâneo, como
Argélia, Croácia, Turquia, Tunísia, Líbia e Morrocos.
Todo atum pescado no Mediterrâneo é engordado em um
prazo muito curto nas fazendas que operam em águas
de Malta, ao redor das espanholas Ilhas Baleares, da
Grécia e Croácia, para depois ser exportado para o
Japão. Braine apresentou outro estudo do WWF sobre
as dimensões da frota de pesca do atum dos países da
Bacia do Mediterrâneo, que já demonstrou em 2008 a
incongruência entre sua capacidade de pesca, os
inventários de população da espécie, e os limites
legais de capturas estabelecidos pela Cicaa.
Esta entidade estabeleceu em novembro um teto de
captura do atum azul de 13.500 toneladas para este
ano. Mas a capacidade dos pesqueiros de cerco
utilizados no Mar Mediterrâneo é de 55 mil toneladas.
“Isso significa que, devido aos custos de operação e
manutenção de uma frota superdimensionada, ou as
companhias pesqueiras operam com prejuízos enormes
ou não respeitam os limites legais”, disse Braine.
Por sua vez, Chartier apontou as contradições da
Cicaa. “Em 2008, seu comitê científico estabeleceu
que uma cota máxima de captura de 8.000 toneladas
daria uma probabilidade de 50% de garantir a
recuperação da espécie até 2023”, disse. Isto é, que
a cota máxima oficial de 13.500 toneladas é muito
alta, segundo os próprios critérios da Cicaa. Além
disso, não será respeitada por companhias pesqueiras,
sob pena de manterem a maioria de seus barcos
parados.
Fonte: Julio Godoy - correspondente da IPS
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