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Diabos-da-Tasmânia evoluem para escapar da
extinção
Os pequenos diabos- da-tasmânia não podem
esperar. Enfrentando uma epidemia de câncer que
encurta suas vidas, estes animais começam a
reproduzir-se cada vez mais cedo, de acordo
informações publicadas pela agência AP.
AFP

Foto de arquivo mostra jovem demônio da Tasmânia
na Reserca de Mole Creek
"Podemos estar vendo a evolução de uma espécie
acontecer diante dos nossos olhos" diz Menna
Jones, zoóloga da Universidade da Tasmânia, na
Austrália.
Os diabos-da-tasmânia vivem na ilha de Tasmânia,
ao sul da Austrália. Eles pesam de 9 a 13,5 Kg e
receberam esse nome no início da colonização
européia da ilha. Isso porque este marsupial
preto produz um grito feroz e pode ter mau
temperamento.
Mas desde 1996 uma forma contagiosa de câncer
ameaça a espécie. A doença chamada tumor facial
do diabo, tem infectado estes animais e é
invariavelmente fatal, causando a morte dos
animais dos dois aos três anos de idade.
Os diabos-da-tasmânia costumam viver de cinco a
seis anos e se reproduzem dos dois aos quatro
anos. Mas com a nova doença, as fêmeas podem não
viver tempo suficiente para ter a sua primeira
ninhada.
Jones, que vem estudando os ciclos de vida dos
animais desde antes da eclosão da doença,
observou que tem havido um aumento de 16 vezes
na reproduções de animais com apenas um ano de
idade. As conclusões da pesquisadora foram
publicadas na edição desta semana da Proceedings
of the National Academy of Sciences.
"O que estamos sugerindo neste trabalho é que é
provável que haja uma forte seleção para a
rápida evolução em direção à maturidade
precoce", disse Jones. "Foi uma descoberta
empolgante", acrescentou.
A pesquisadora afirma que a doença poderia
causar a extinção dos diabos-da-tasmânia em 25
anos, mas que essa mudança na idade dos
reprodutores reduz a chance de que eles
desapareçam.
"Para o nosso conhecimento, este é o primeiro
caso de doenças infecciosas levando a um aumento
precoce na reprodução de um mamífero," diz Jones
no relatório. Entretanto, a pesquisa de uma
vacina continua.
A pesquisa foi financiada pelo Australian
Research Council, o Australian National
University e o programa Tasmania Save the Devil,
do governo da Tasmânia.
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