Caçado até a extinção,
tigre-da-tasmânia não era ameaça
tigre-da-tasmânia (Thylacinus cynocephalus), animal caçado até a
extinção na Austrália graças à sua fama de devorador de ovelhas, não
era uma ameaça para os fazendeiros, segundo um estudo publicado no
Journal of Zoology.
De acordo com pesquisadores
da Universidade de New South Wales, em Sydney, o animal, também
conhecido como lobo-da-tasmânia ou lobo marsupial, tinha mandíbulas
fracas e suas presas precisariam de ter o tamanho de um esquilo.
"Nossa pesquisa mostra que sua mandíbula fraca permitia apenas que
ele atacasse presas menores e mais ágeis", disse Marie Attard, que
liderou o estudo. "Esta é uma característica incomum em grandes
predadores, considerando que eles pesavam cerca de 30 kg e tinham
uma dieta carnívora. Quanto à suposta habilidade (dos
tigres-da-tasmânia) de comer ovelhas, nossas descobertas indicam que
essa reputação é, no mínimo, exagerada."
Além de sugerir que a caça aos tigres-da-tasmânia, incentivada e
premiada por governos locais, não era justificada, a pesquisa também
concluiu que a dieta do animal contribuiu para seu desaparecimento.
"Eles precisavam caçar muitos animais pequenos para sobreviver, logo
pequenas alterações no ecossistema, como as causadas pela chegada de
colonos europeus, teriam reduzido suas chances de sobrevivência",
explica Attard.
Os tigres-da-tasmânia habitaram várias áreas da Austrália e da Nova
Guiné, mas no fim do século 19 só podiam ser encontrados na
Tasmânia. O último espécime, chamado Ben, morreu em 1936 no
zoológico de Hobart.
Testes computadorizados
Os cientistas da Universidade de New South Wales usaram avançadas
técnicas de computação para simular diversos comportamentos
predatórios e analisar o crânio do tigre-da-tasmânia. "Nós
escaneamos o crânio e aí aplicamos o mesmo programa normalmente
utilizado em engenharia para calcular a pressão sobre estruturas
construídas pelo homem, como pontes e asas de aeronaves", diz
Stephen Wroe, que também participou da pesquisa.
O teste revelou que as mandíbulas do animal eram simplesmente fracas
demais para abater uma ovelha adulta. "Se um grande carnívoro, como
um tigre por exemplo, quer matar uma presa grande, ele tem que
prender seu pescoço e sufocá-la. O tigre-da-tasmânia não seria capaz
disso." Os pesquisadores também explicaram que os dentes do animal
não eram feitos para triturar ossos.
"Ele ganhou uma reputação muito ruim na sua época, acusado de ser um
cruel e devastador assassino de ovelhas", diz Attard. Quando a
iminente extinção da espécie ficou clara, o tigre-da-tasmânia
recebeu proteção oficial do governo da ilha, mas já era tarde
demais. "Isso só aconteceu dois meses antes do último espécime
conhecido morrer no zoológico de Hobart."
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