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Abelha tem
soldados especializados diz pesquisadores
Nova pesquisa acaba de revelar que entre as abelhas
jataí (Tetragonisca angustula) existem indivíduos
adaptados fisicamente para desempenhar ao longo da
vida uma única função: defender a colmeia. Até
então, os cientistas achavam que a divisão de
tarefas nas colônias fosse baseada apenas na idade
das abelhas e que todas, com exceção da rainha,
desempenhassem os mais diferentes papéis. O estudo,
feito por cientistas do Brasil e do Reino Unido, foi
publicado na revista Proceedings of the National
Academy of Sciences (PNAS). As informações são da
Agência Fapesp.
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abelha Jataí |
"Entre formigas e cupins a existência de castas
especializadas e fisicamente adaptadas a uma
determinada função é bem conhecida e descrita na
literatura. Mas entre abelhas isso é um fato novo",
disse Cristiano Menezes, pesquisador da Embrapa
Amazônia Oriental e um dos autores do artigo.
Menezes conta que o grupo de pesquisadores realizava
outra pesquisa com abelhas jataí para tentar
descobrir como elas identificam se um indivíduo
pertence ou não à colônia, quando foi notado que as
guardas eram bem maiores que as outras. "Foi
chocante, pois a diferença era perceptível a olho
nu", contou.
Testes de laboratório não só confirmaram que as
abelhas soldados eram 30% mais pesadas do que as
forrageiras - encarregadas de buscar alimento - como
também revelaram diferenças morfológicas entre as
duas castas. "Vimos que as forrageiras possuem a
cabeça maior, enquanto as guardas têm pernas mais
desenvolvidas. Verificamos ainda diferenças no
tamanho do tórax e das asas, porém menos
significativas", disse.
Essas variações físicas, possivelmente, estão
ligadas às atividades que cada abelha executa. Como
as forrageiras saem da colônia em busca de alimento
e precisam memorizar o caminho de volta, necessitam
de um cérebro mais desenvolvido. Já os soldados se
valem das pernas maiores para atacar o inimigo e
imobilizá-lo com própolis. "Novas pesquisas são
necessárias para confirmar essa hipótese", ressalta
Menezes.
Os pesquisadores também verificaram que há uma
subdivisão entre as abelhas soldados. Uma parte
guarda a entrada da colônia enquanto outra fica
sobrevoando o local e monitora a chegada de
inimigos. Ao todo, a casta representa apenas 1% da
colônia - entre 30 e 50 indivíduos -, número
suficiente para atender a demanda por defesa.
Rivais
As chamadas abelhas ladras, como as da espécie
iratim (Lestrimelitta limao), são as principais
ameaças para as jataís. Esses insetos costumam
invadir as colmeias de outras espécies para roubar
mel, pólen, alimento das larvas e até cera. Mas,
como os próprios pesquisadores ressaltam no artigo,
embora as jataís sejam abelhas sem ferrão, não são
indefesas.
Na segunda etapa da pesquisa, os cientistas
analisaram como esses soldados se comportavam diante
do ataque de uma abelha ladra. "Com uma pinça
especial, pegávamos uma iratim e colocávamos na
frente da colônia de jataís. Em instantes as guardas
que sobrevoavam a colmeia mordiam a asa da invasora,
impedindo-a temporariamente de voar", contou
Menezes.
Como as abelhas invasoras eram maiores e mais fortes
que a jataí, geralmente conseguiam levar a melhor.
Mas, quanto maior era a guarda, mais tempo durava a
briga e mais tempo a colônia tinha para se preparar
para a invasão.
Quando a chegada das inimigas era notada com
bastante antecedência, contou o pesquisador, as
abelhas soldados conseguiam até evitar a pilhagem.
Para isso, bloqueavam a entrada da colmeia com
resinas, deixando todas as abelhas confinadas por
dois dias.
"Nossa hipótese é que os ataques sucessivos de
abelhas ladras foram a grande força evolutiva que
fez as jataís desenvolverem uma casta especializada
em defesa", afirmou.
Mas essa diferenciação física também tem um custo,
alerta o pesquisador. "Indivíduos muito
especializados não conseguem desempenhar outras
tarefas se necessário. Não conseguem atuar como
forrageiras, por exemplo, para atender a
necessidades momentâneas da colônia", explicou.
Até onde se sabe, o caso das jataís é único entre as
abelhas. Nas demais espécies, a divisão de trabalho
é baseada na idade das abelhas, o que os cientistas
chamam de polietismo etário. As operárias mais novas
desempenham funções internas, como produzir e
manipular a cera, limpar favos, produzir células
onde serão abrigadas as larvas, manipular o lixo
internamente. Após certa idade, assumem funções
externas. Primeiro levam o lixo para fora da colmeia
e, por último, tornam-se guardas e forrageiras.
"As funções mais arriscadas são as últimas, pois, se
as abelhas morrerem, já desempenharam todas as
outras. A perda é menor para a colônia", explicou.
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