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Noticias do
Aquecimento Global
Aquecimento global é a principal causa de eventos
extremos
O homem mudou o clima causando ondas de calor e chuvas
torrenciais com inundações e provavelmente contribuirão
para futuros desastres naturais, alertou a ONU em um
relatório publicado esta sexta-feira. Mas as perdas e
danos provocados por estes eventos extremos dependerão
muito das medidas tomadas para proteger as populações e
a propriedade quando a violência da natureza aflorar,
acrescentou.

O relatório, divulgado dez dias antes das negociações
climáticas em Durban, na África do Sul, é a primeira
revisão abrangente das Nações Unidas sobre o impacto do
aquecimento global em eventos climáticos extremos e a
melhor forma de lidar com eles. "Na verdade, podemos
atribuir o aumento de dias quentes nos últimos anos a
uma concentração maior de gases de efeito estufa",
afirmou Thomas Stocker, co-presidente do Painel
Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na
sigla em inglês), que aprovou um resumo do relatório
durante reunião em Kampala, capital de Uganda.
"E é virtualmente certo que a intensificação da
frequência e da magnitude dos extremos diários de calor
e frio ocorram no século XXI", disse a jornalistas
durante entrevista à imprensa. "Temporais serão mais
frequentes em muitas regiões do planeta", continuou.
O relatório revisou extremos de calor e chuva com base
em três projeções ou cenários: uma forte redução nas
emissões de carbono, uma redução modesta, e níveis
inalterados (cenário "business as usual"). Os três
cenários demonstraram uma trajetória similar de aumento
dos extremos até meados do século. Porém, por volta do
fim do século, os caminhos divergem dramaticamente, com
ondas de calor e picos de chuva mais intensos e
frequentes no pior cenário, que considera um mundo
saturado de gases-estufa.
No cenário que prevê emissões elevadas - a caminho do
qual estamos agora -, picos de calor que aconteciam a
cada 20 anos vão ocorrer a cada cinco anos por volta de
2050, e todo ano ou a cada dois anos ao final do século.
A incidência de chuvas intensas aumentará da mesma
forma, acrescentou o documento.
Qin Dahe, outro co-presidente do IPCC, afirmou que o
painel também está "mais confiante" de que as mudanças
climáticas são a causa do recuo das geleiras, uma grande
preocupação para países da Ásia e da América do Sul, que
dependem das geleiras para ter água. Há alguns anos, a
imagem do painel saiu arranhada após equívocos no Quarto
Relatório de Avaliação, publicado em 2007. Entre estes
erros estava uma estimativa grosseiramente imprecisa
sobre o ritmo de derretimento das geleiras do Himalaia.
No documento atual, no que diz respeito aos outros
eventos climáticos, como ciclones, os cientistas ainda
se disseram incapazes de dimensionar o impacto das
mudanças climáticas, devido à falta de dados e a
"mutabilidade e variações inerentes ao sistema
climático", explicou Stocker. "A incerteza aqui vai nas
duas direções. Os eventos podem ser mais severos e mais
frequentes do que as projeções sugerem ou vice-versa",
disse. Alguns estudos sugeriram que a temperatura do ar
e da superfície marítima mais quentes, combinadas com
uma maior umidade do ar intensificarão as tempestades
tropicais.
O documento de 20 páginas publicado nesta sexta-feira
resume as conclusões de um relatório de 800 páginas, que
levou três anos para ser feito, e que revisa milhares de
artigos científicos. Ele foi escrito por cerca de 200
cientistas e aprovado esta semana pelo IPCC, formado por
194 países-membros, e que reúne representantes de
governos e especialistas.
Segundo o documento, extremos climáticos atingirão o
globo de forma desigual: a onda de calor que matou 70
mil pessoas na Europa em 2003 pode ser um padrão para
futuros picos no sul da Europa e no norte da África.
Regiões da África onde milhões já vivem no limite da
fome enfrentarão mais secas. Pequenos estados insulares
poderão ficar inabitáveis devido a temporais agravados
pelos mares com níveis mais elevados. "A mensagem chave
é a forma de interação dos extremos, a exposição e a
vulnerabilidade criam um risco de catástrofe", explicou
Chris Field, co-presidente do Grupo de Trabalho II do
IPCC, que se concentra na adaptação às mudanças
climáticas.
"Não é preciso dizer que este relatório é um novo
alerta", afirmou a comissária europeia de ação
climática, Connie Hedegaard, em um comunicado em
Bruxelas. "Com todo o conhecimento e argumentos
racionais a favor de uma ação climática urgente, é
frustrante ver alguns governos não demonstrarem a
vontade política para agir", afirmou. "Este relatório
deveria acabar com as dúvidas dos governos sobre o que
são as mudanças climáticas, sobre seus impactos sobre os
eventos climáticos extremos, que já afetam as vidas e o
sustento de milhões de pessoas", criticou Bob Ward, do
Instituto de Pesquisas Grantham sobre Mudanças
Climáticas e Meio Ambiente da London School of Economics.
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