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Alemanha atrai jovens para (high school). com baixo custo
São as dificuldades da língua alemã que impedem que o número de
estudantes brasileiros fazendo high school no país sejam maiores.
Segundo gerentes de viagens estudantis, a Alemanha é um dos mais baratos
para o ensino médio, já que o governo oferece bolsa em escolas públicas
para estrangeiros.

A gerente de produto da Central de Intercâmbio (CI), Débora Lorenzo,
afirma que o programa de ensino médio no país europeu é muito mais
barato que em destinos como Canadá, Nova Zelândia e Inglaterra. "O
governo oferece bolsa em escolas públicas para estudantes brasileiros,
então existem várias organizações que fazem essa ponte entre o Brasil e
a Alemanha", conta.
Como o ensino é gratuito, o aluno não tem a possibilidade de optar em
que cidade deseja estudar, pois isso vai depender da escola que tiver
vaga. Além disso, essas organizações internacionais também custeiam a
acomodação do aluno, que sempre é em casas de famílias voluntárias - o
que torna o programa ainda mais barato. "A cidade que o intercambista
vai estudar vai depender da instituição com vaga disponível e também da
procura por uma família que aceite recebê-lo", diz a gerente da CI
ressaltando que, na maioria das vezes, os estudantes ficam em cidades
pequenas.
A CI trabalha com duas dessas organizações que fazem a comunicação entre
o governo alemão e as agências de intercâmbio do Brasil, e a World Study,
com uma. Em todas, o processo é o mesmo, e o ensino é gratuito. A
diretora da World Study Niterói, Maria Teresa Martins, conta que
primeiro o aluno deve entrar em contato com uma agência e mostrar seu
interesse pelo estudo de ensino médio na Alemanha, depois ele vai
preencher alguns documentos e realizar um teste de alemão, logo após a
agência manda os papeis para as organizações internacionais e elas
decidem se concedem ou não a bolsa para o aluno.
A gerente da CI, Débora Lorenzo, conta que em 90% dos casos os alunos
são aceitos, pois esse é o outro grande diferencial do high school
alemão - o incentivo governamental para que estrangeiros aprendam o
idioma. "O aluno que não tiver o nível de alemão tão alto também é
aceito. Ele embarca duas semanas antes de entrar na escola para ter
reforço do idioma na própria instituição de ensino", explica. Mesmo
assim, de acordo com agências de intercâmbio, em geral, os estudantes
não têm muito interesse em aprender a língua, por isso a procura ainda
não é tão grande.
Maria Teresa também fala que outra grande diferença, entre os que têm
alemão avançado e os que dominam somente o básico, é o tipo de ensino
médio que vão cursar. A educação na Alemanha é muito diferente do
Brasil. Até o ensino fundamental, a organização é praticamente a mesma,
contudo, no ensino médio, as escolas são dividias em três tipos:
hauptschule - que oferece formação geral e prepara aluno para escolas
profissionalizantes básicas; realchule - que também oferece formação
geral, mas os estudantes são habilitados para cursos técnicos mais
avançados; e o gymnasium - que dura nove anos e oferece uma formação
aprofundada, direcionando o aluno para as universidades que ele desejar.
Os intercambistas que tiverem proficiência em alemão conseguem bolsa nas
escolas de gymnasium. Já os que tiverem um nível mediano são
direcionados para as realchule. Porém, Maria Teresa alerta que o governo
alemão só oferece bolsas de um semestre ou de um ano, ou seja, o
intercambista não tem a possibilidade de se formar na Alemanha e logo
ingressar na universidade. "O objetivo do governo alemão é que os
estrangeiros tenham experiência com a língua e a cultura deles", afirma
a diretora da World Study.
Segundo informações da empresa Portal do Intercâmbio, que organiza
viagens internacionais estudantis, existe a possibilidade de ingressar
em universidades alemãs por meio do estudo em Escolas Internacionais. De
acordo com eles, essas escolas existem no mundo inteiro e possuem
currículo em inglês e também do idioma local. Depois de concluir o
estudo, que dura em torno de dois anos, o aluno tem a possibilidade de
fazer o Internacional Baccalaurate (IB), teste que funciona como um
vestibular e possibilita vaga em universidades não somente na Alemanha,
mas no mundo inteiro.
A experiência de quem foi
Laura Pliz Bicca, 18 anos, teve a oportunidade de passar um mês em
terras alemãs cursando o ensino médio no ano de 2007. A estudante
conseguiu a bolsa por meio da escola particular que frequentava em Porto
Alegre (RS), que por ser de origem alemã, possui convênio com escolas do
país europeu e possibilita a experiência para os alunos interessados.
Laura ficou na cidade de Unterthingau, interior de Bayern, onde morava a
família que a recebeu. "É uma família grande, com pai, mãe, uma filha da
minha idade, uma dois anos mais velha e dois gêmeos de 10 anos. Me dei
muito bem com todos", conta a estudante, que manteve contato com a
família e os visitou no ano passado. "Quero visitá-los de novo", diz.
Na época com 15 anos, Laura frequentava as aulas de alemão de uma escola
de realchule. "Além das aulas do idioma, eu também participava das
outras normalmente, mas recebia mais ajuda e compreensão dos
professores, pois meu alemão não era avançado", afirma. De acordo com
ela, as escolas de realchule são muito parecidas com as escolas
particulares do Brasil, tanto na questão do ensino como de horário,
sendo diariamente das 7h até o meio dia.
"Como eu fiquei somente um mês, saí de lá achando que tinha valido a
pena só para conhecer o país, mas quando eu voltei para as aulas de
alemão aqui no Brasil vi que meu domínio do idioma tinha melhorado
consideravelmente depois da experiência", conta.
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