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Revalidar diploma do exterior é dificuldade no Brasil
Graduação no exterior costuma ser vista com bons olhos no Brasil, mas o
diploma conquistado lá fora é apenas o início de um longo e caro
processo a ser realizado por quem deseja retornar ao País e exercer a
profissão. O primeiro passo é entrar com o pedido em uma faculdade
pública para verificar se a carga horária e as cadeiras são condizentes
com o que se pratica aqui.
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O procedimento é executado
pelas universidades públicas brasileiras. O aluno que deseja
entrar com a revalidação precisa atender a critérios
básicos, como apresentar passaporte, diploma e documentos
com as disciplinas cursadas na faculdade do exterior, além
das notas e cargas horárias. A solicitação é analisada por
uma comissão formada por professores do curso procurado pelo
interessado. |
Depois da apreciação, os docentes verificam se o profissional precisará
ou não prestar uma prova ou ainda realizar uma complementação de
estudos.
Cada universidade tem um método diferente e todos costumam ser bastante
burocráticos. Mas há determinações regulamentadas pela Câmara de
Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CSE/CNE) que
precisam ser observadas, como o prazo de seis meses para a definição
sobre a necessidade ou não da complementação dos estudos. Segundo Paulo
Barone, integrante da CSE/CNE, a autonomia das faculdades em realizar o
procedimento é um dos grandes problemas para quem quer a revalidação. "O
ideal é que o poder público se mobilize para padronizá-las", opina.
Medidas nesse sentido já são feitas na análise dos currículos de
Medicina. Agora os diplomados no exterior terão que realizar uma prova
de nível nacional com conhecimentos da área. O resultado será levado em
conta pelos conselhos para darem o veredicto sobre a revalidação. Entre
as opções que ainda estão em discussão, está a possibilidade de
facilitar o processo de quem estudou no exterior com de bolsas
concedidas pelo governo brasileiro. "Por essas instituições e seus
cursos já terem sido certificados pelo governo brasileiro, ficaria mais
fácil analisar os casos dos bolsistas", analisa Barone.
Assessoramento ajuda a enfrentar burocracia e pode agilizar processo
Damião Alves Coimbra, 35 anos, se formou em Medicina na universidade Del
Valle, na Bolívia, no ano de 2006. Logo que concluiu a graduação,
retornou ao Brasil. Porém, não podia exercer a profissão antes de
revalidar seu diploma. Então, em 2009, entrou com o pedido em duas
faculdades federais: a de Santa Catarina e a de Alagoas, decisão comum
entre quem quer aumentar suas chances de revalidação do diploma.
Após alguns meses, foi chamado na Universidade Federal de Alagoas (Ufal)
para fazer uma prova específica de Medicina, pela qual, devido ao número
reduzido de vagas na universidade, apenas os 20 primeiros colocados
seriam aceitos para fazer a complementação dos estudos. Coimbra passou
em 16° lugar e permaneceu mais um ano estudando na graduação para, no
final de 2010, conseguir seu diploma no Brasil. Ele relata que todo o
processo demorou cerca de um ano e meio, e custou aproximadamente R$ 2,5
mil.
Coimbra comenta o quanto foi frustrante durante o processo a
impossibilidade de exercer a profissão na qual já havia se formado.
"Todo esse tempo que você está esperando a análise das faculdades é
muito estressante. O que eu aconselho é estudar o máximo para o exame,
para passar na primeira oportunidade", relata.
O médico ainda recomenda procurar um assessoramento, seja de alguma
empresa especializada ou de um advogado, como foi seu caso. "Esse tipo
de ajuda é essencial, pois vai te auxiliar a evitar gastos. Além da
pessoa poder te indicar em quais universidades a revalidação é melhor,
também pode ajudar a ver em quais universidades as cadeiras e a carga
horária são mais compatíveis", afirma.
Segundo a assessora jurídica Mirtys Fabiany Azevedo Pereira, os
profissionais que mais procuram esse assessoramento são das áreas de
Medicina, Odontologia e Enfermagem. Ela relata que é comum ocorrerem
problemas no processo e que, nesses casos, a empresa especializada ou o
advogado contratado pelo candidato à revalidação entram com uma ação
judicial. "Podemos ter situações de cobrança abusiva de taxa, que pode
variar de R$ 7,5 mil a R$ 180. Ou inobservância do prazo de seis meses a
partir do pedido. E também das universidades se negarem a ofertar ao
revalidando a possibilidade de complementação de estudos, após
reprovação nas avaliações aplicada, um direito do solicitante", afirma.
Outro drama enfrentado por quem se forma no exterior é a demora no
processo. Mirthys relata que, na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT),
referência no processo revalidatório, o candidato que passa na prova
aplicada consegue com que todo o procedimento ocorra dentro de um ano.
Ela salienta que, se ele for reprovado na prova ou dependendo da
instituição, esse período pode variar de 18 meses a dois anos, incluindo
a complementação de currículo. "Já tive casos de pessoas que vieram nos
pedir ajuda, pois já estavam no processo havia cerca de anos", recorda.
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