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Sonho de político, escola de turno integral fracassa no
RJ e RS
Segundo a Secretaria de Educação do Rio de Janeiro, de cerca de 500
Cieps construídos e postos em funcionamento no Estado, 307 continuam sob
a gestão da rede estadual. O restante foi repassado para os municípios
ou destinado para outras atividades. Do total de escolas ligadas ao
governo estadual, apenas 150 seguem com o horário integral, o que
corresponde a menos da metade da rede de Cieps.

No Rio Grande do Sul, onde os centros foram erguidos durante a gestão de
Alceu Colares (1991-1994), seguidor de Brizola, a realidade é ainda
pior: de mais de 90 escolas construídas, apenas 16 contam atualmente com
o horário ampliado, segundo dados da Secretaria de Educação. Uma das
poucas que ainda resiste com o turno integral é a Escola Mané Garrincha,
na capital gaúcha.
Com 490 alunos, a escola oferece turno integral para 250 estudantes do
1º ao 5º ano, que ficam no colégio das 8h até as 17h30. O restante, do
6º ao 8º ano, permanece na escola quatro horas por dia. Segundo o
diretor, Sérgio Luiz Carvalho de Aguiar, após a inauguração em 1994, o
Ciep funcionava com horário integral para todas as turmas. Porém,
problemas na estrutura de um dos prédios, que precisou ser interditado,
obrigaram a redução da jornada para poder atender com as aulas normais
todos os estudantes.
O prédio ficou fechado por mais de dez anos e as obras ainda estão em
andamento. A estimativa do diretor é que a estrutura possa voltar a ser
ocupada nos próximos meses, com a ampliação da jornada. Enquanto isso,
os alunos estão sem laboratório de informática e de ciências, que foram
transformados em salas de aula. "Com a reforma também vamos voltar a ter
dois ginásios, um refeitório espaçoso e uma cozinha industrial", diz o
diretor, que está no magistério há 35 anos.
Segundo Aguiar, o maior problema para o turno integral é a falta de
continuidade dos projetos políticos dos governos. "A reforma no prédio
ficou tanto tempo parada porque não era uma prioridade para os governos.
O turno integral precisa ser um projeto de Estado, separada das vaidades
políticas, se não acaba um governo e morre tudo", afirma.
A professora de pós-graduação da Universidade Federal do Estado do Rio
de Janeiro (Unirio) Lígia Martha Coelho concorda que o turno integral
precisa superar as questões partidárias. "A proposta dos Cieps foi
esvaziada porque não houve compromisso de continuidade por parte dos
governos que se seguiram", afirma Lígia, que é coordenadora do núcleo de
estudos de educação integral da universidade.
Além da falta de continuidade, a professora aponta que fracasso do
projeto se deve também a "necessidade política", no caso do Rio de
Janeiro, de construir 500 prédios que eram "promessa de campanha".
Segundo ela, a urgência em colocar as escolas em funcionamento não
permitiu que fosse dada prioridade ao projeto político-pedagógico, como
se pretendia na ideia original. "Era difícil dar conta de implantar
vários Cieps a cada mês e ainda discutir, no campo mesmo das escolas,
todos os desafios que eram apresentados, diariamente, pelo cotidiano da
proposta em funcionamento", afirma.
Escola tenta acabar com 'preconceito' com Cieps
Diretora do Ciep 445 - Miguel de Cervantes, em Itaboraí (RJ), Iara
Moraes da Silva, diz que o maior desafio da escola, que não funciona
mais com o turno integral, é acabar com o preconceito dos pais e dos
próprios alunos com os Cieps. "Nós tivemos de trabalhar muito na
comunidade para acabar com o preconceito pois continha nome de político
fracassado (brizolão) (como são chamadas os Cieps no Rio de Janeiro). Os
pais não queriam matricular seus filhos porque se criou a imagem de que
era uma escola de pobre, de que o horário integral era para atender as
crianças que não tinham o que comer em casa, que ficavam na rua."
Localizada na periferia de Itaboraí, a escola atende 1,7 mil alunos. "O
turno integral foi extinto pela necessidade de ampliar as vagas, no
começo era uma escola de ensino fundamental e passou a ter o ensino
médio também. Mas eu acho que faz muita falta ter um horário ampliado
para os alunos", diz a diretora que sonha em ver os alunos do ensino
médio estudando o dia inteiro, com aulas de português e matemática
intercaladas com cursos de capacitação profissional.
No Ciep Paraíba, em Porto Alegre (RS), a diretora Leisa Severo de
Oliveira também espera ver os alunos o dia inteiro na escola, que nunca
funcionou com turno integral. "A construção do colégio ficou pronta no
final de 1994, mas no ano seguinte trocou o governo e a proposta foi
abandonada. O que fizeram foi ampliar as matrículas, que seriam de 700
em turno integral, para 1,4 mil nos dois turnos".
Segundo Leisa, principalmente para os alunos de famílias mais carentes o
turno integral é uma necessidade. "Os pais não têm condições de dar um
suporte em casa para o ensino. Além de reforçar o aprendizado, o turno
integral tira as crianças da rua", diz ao destacar que espera que o alto
custo de implantação do modelo no País não seja visto como um gasto
pelos gestores, mas como um "investimento".
Entraves para o turno integral no Brasil
A professora da Unirio destaca que, ao contrário do Brasil, o turno
integral é uma realidade em países desenvolvidos. "Os alunos, nessas
nações, ficam em média de seis a oito horas diárias na escola, com
atividades diversificadas e integradas. Por que esta prática não pode
ser 'praticada' no Brasil?", questiona. Segundo Lígia Martha Coelho,
entre os entraves para a adoção com qualidade do ensino integral no País
está a ausência de políticas públicas efetivas, tanto por parte do
governo federal, quanto dos Estados e municípios.
"Alguns dirão que a questão financeira é outro entrave, que não há
verbas suficientes para a implantação do turno integral em vários
municípios. Penso que isto pode acontecer em algumas cidades. No
entanto, quando se tem uma proposta como essa, as verbas precisam ser
encontradas, simplesmente porque é uma prioridade", diz a especialista
em educação integral.
Para o sucesso da proposta, ela lembra ainda que não basta ter uma
estrutura completa como a de um Ciep, sem pensar na formação dos
professores, sem planejamento pedagógico das ações - que não podem ser
focadas somente num reforço no contraturno - e sem incluir todos os
alunos de uma mesma escola, "evitando preconceitos ou desestímulo por
parte dos que estão dentro ou fora da proposta", completa.
O que são os Cieps
Os Centros Integrados de Educação Pública foram criados a partir de
1984, sob a coordenação do educador Darcy Ribeiro, então vice de Brizola
no governo do Rio de Janeiro. O projeto foi interrompido em 1987 e
retomado em 1991, no segundo governo de Brizola. No Rio Grande do Sul, a
ideia foi adotada no começo dos anos 1990, na gestão do pedetista Alceu
Colares.
O projeto arquitetônico foi idealizado por Oscar Niemayer, que
desenvolveu prédios pré-fabricados, com a finalidade de aliar baixo
custo e rápida execução. A estrutura padrão possui biblioteca,
refeitório, centro médico, ginásio coberto e alojamentos. Já a proposta
pedagógica desenvolvida por Darcy Ribeiro previa oito horas diárias de
permanência na escola com quatro refeições e atividades integradas ao
currículo básico.
De acordo com Laurinda Barbosa, consultora da Fundação Darcy Ribeiro e
uma das idealizadoras da proposta, o objetivo dos Cieps era de oferecer
uma aula formal, aliada à prática de esportes, à cultura e ao
desenvolvimento das comunidades. "A ideia discutida do Darcy Ribeiro é
que a escola promovesse um planejamento integrado, oferecendo às
crianças e aos adolescentes a possibilidade de um exercício pleno da
cidadania, sabendo ler e escrever, compreendendo sociedade e
transformando o ambiente em que vive", afirma.
Segundo Laurinda, por mais que algumas escolas da rede estadual ainda
permaneçam com o modelo de turno integral, nenhuma segue a proposta
original dos Cieps. "O turno integral proposto por Darcy não é aquele em
que se tem aula de reforço no contraturno. O modelo dos Cieps unia o
conhecimento formal com arte, esportes, ciência, literatura. Sem
planejamento integrado e sem proposta pedagógica, isso não se faz",
completa.
O Inep argumentou ao juiz que o episódio ocorreu de forma localizada e
que a reaplicação do exame aos alunos do colégio de Fortaleza não traz
prejuízo à isonomia do concurso.
Novo sistema de governo (inventado)
para o Brasil é (Apolítico),
ou seja, sem políticos,
troque a irresponsabilidade pela responsabilidade, de o
seu apoio no site:
http://sfbbrasil.org
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