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Para preservar mico-leão-dourado espécie invasora será
retirada
Até o final do ano, pesquisadores brasileiros vão começar a retirar
grupos de mico-leão-de-cara-dourada de uma área em Niterói, região
metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo a coordenadora da operação,
Maria Cecília Kierulff, diretora do Instituto Pri-Matas, há dez anos
essa espécie, considerada invasora, foi acidentalmente solta na área que
já era habitada pelo mico-leão-dourado, natural da região.

"Ele é muito próximo do mico-leão-dourado. Essas espécies ocupam o mesmo
tipo de ambiente, alimentam-se das mesmas coisas, dormem nos mesmos
locais. Ele pode até, de alguma forma, excluir o mico-leão nativo se
essas duas espécies se encontrarem", explicou a pesquisadora, alertando
que o encontro das duas espécies pode gerar uma disputa por áreas e
comida.
Segundo um levantamento coordenado por Maria Cecília, em 2009, havia
mais de 100 micos-leões-de-cara-dourada, espécie natural da Bahia, na
floresta em Niterói. Desde o resultado da pesquisa, os pesquisadores
começaram a captar recursos e reuniram, este ano, mais de R$ 500 mil, a
partir de financiamento internacional e de investimentos de instituições
e órgãos como a Câmara de Compensação Ambiental do Rio de Janeiro.
A remoção
"É uma operação cara. Não é só tirar os micos dali. Eles serão colocados
em quarentena e depois soltos na Bahia em uma área de floresta dentro da
área original deles de distribuição. E não é só soltar lá. Vai ter uma
equipe que será mantida por pelo menos dois anos para acompanhar a
adaptação dos grupos na nova área. É um projeto grande que envolve
várias equipes e dois estados", disse a coordenadora do projeto.
Ela acredita que serão necessários mais de dois anos para concluir a
remoção. "A gente pretende fazer a captura em, no máximo, 15 meses. Vai
ser um processo intenso. Depois disso, o último grupo capturado tem que
ser acompanhado na floresta - na Bahia - pelo menos durante mais seis
meses".
As equipes, que incluem veterinários e pesquisadores, trabalham ainda
com a possibilidade de surpresas que podem estender o prazo previsto. Um
deles pode ser resultado da convivência diária dos micos com os
moradores que os alimentam com frequência. Para Maria Cecília, esse
convívio pode gerar o aparecimento de alguma doença durante o período de
quarentena, que exigiria o tratamento antes da soltura do animal.
Também podem ampliar o tempo estimado pelos cientistas a multiplicação e
a migração da espécie invasora para outras áreas. "Depois que a gente
terminar essa captura, vamos ficar mais um tempo fazendo um novo
levantamento para identificar se existem (micos-leões-de-cara-dourada)
em outras áreas. Se existirem, vamos capturar de novo, e isso pode
prolongar o projeto", acrescentou a pesquisadora.
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