Redes sociais servem de
ajuda para vítimas de atirador
Vítimas do homem acusado do massacre que deixou 93
vítimas na Noruega, na última sexta-feira, teriam
colocado mensagens em sites da internet antes mesmo de a
polícia ser avisada, segundo informações da ex-ministra
da Justiça do país Anne Holt.
Logo após os primeiros tiros serem disparados, segundo a
ex-ministra, jovens que participavam de um encontro da
juventude trabalhista com mais cerca de 700 pessoas
começaram a pedir ajuda nas redes sociais.
Algumas das vítimas do ataque disseram a jornalistas
que, ao ouvir que o atirador vestia um uniforme da
polícia, decidiram usar a internet em vez de ligar para
os serviços de emergência.
Em uma reportagem do jornal Aftesposten, Jorn Overby
disse que respondeu aos pedidos de socorro. Uma amiga de
Oslo viu as mensagens e o avisou, já que ele estava
próximo à ilha.
Ele chamou um conhecido e se dirigiu a Utoeya em dois
barcos para resgatar jovens que mergulharam na água para
escapar dos tiros. Segundo Overby, ele conseguiu salvar
cerca de 30 jovens em três viagens, mas teve de deixar
outros para trás, já que o atirador disparava contra
eles.
"Eu joguei todos os meus coletes salva-vidas na água,
esperando que isso pudesse salvar alguns deles", disse
ele ao jornal, mesmo temendo que isso não fosse
suficiente devido à temperatura fria da água.
Os esforços de resgate de Overby teriam acontecido 35
minutos antes de a polícia chegar ao local.
Críticas
A ex-ministra Anne Holt afirma que a polícia norueguesa
tem muitas perguntas a responder em relação à resposta
ao ataque na ilha de Utoeya, onde Anders Behring Breivik
teria matado 86 pessoas a tiros e ferido dezenas de
outras. Ele também assumiu a responsabilidade pela
explosão de uma bomba no centro político da capital,
Oslo, que deixou sete vítimas, cerca de duas horas
antes.
Segundo informações divulgadas na mídia norueguesa, a
polícia só soube do massacre na ilha quase uma hora
depois de a matança ter começado.
Policiais disseram que a viagem de carro até o lago
demorou cerca de 20 minutos e foram necessários
aproximadamente outros 20 minutos para que eles achassem
um barco apropriado.
Eles teriam optado por dirigir até o lago porque não
haveria helicópteros disponíveis. "O atirador matou
cerca de uma pessoas por minuto. Se a polícia tivesse
chegado meia hora antes 30 vidas poderiam ter sido
salvas", disse Holt à BBC.
"É preciso descobrir por que a polícia não foi avisada
logo, por que pessoas que viram mensagens em segmentos
da internet não reagiram avisando a polícia ou, ainda
pior, se a polícia recebeu as mensagens e não reagiu."
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