Para fugir da violência mais de 30 mil
pessoas deixam a Líbia
Ao menos 30 mil pessoas, em sua maioria trabalhadores
tunisianos e egípcios, fugiram da violência na Líbia,
informou a Organização Internacional para as Migrações (OIM)
nesta quinta-feira.

O fluxo de saída está aumentando, mas consiste
principalmente em estrangeiros. Até agora incluiu apenas
cerca de 325 líbios, de acordo com a entidade.
Um avião fretado com 114 brasileiros, funcionários da
Odebrecht e da Petrobras e seus familiares, aterrissou
nesta quinta na ilha de Malta vindo de Trípoli, e mais
dois voos com cidadãos do país estão programados para
decolar da Líbia, de acordo com a Odebrecht.
Brasileiros que estão na cidade de Benghazi serão
resgatados por um navio que partiu da Grécia, e um
pequeno grupo já está inclusive de volta ao Brasil após
ter saído da Líbia de avião com ajuda de Portugal.
A Agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para
Refugiados (Acnur) afirmou que não sabe de nenhum barco
carregando migrantes ou pessoas em busca de asilo que
tenha partido da Líbia rumo à Europa. A Acnur exortou
todos os países a manterem abertas suas fronteiras para
a população que foge da violência.
"Ao menos 30 mil saíram pelas duas fronteiras terrestres
com a Tunísia e o Egito", disse a porta-voz da OIM
Jemini Pandya à Reuters. Cerca de 15 mil deles foram
para a Tunísia, na maioria cidadãos tunisianos, afirmou
ela. Cerca de mil egípcios, 830 chineses e 300 líbios
também estão entre eles.
"A equipe da OIM diz que os que chegam à fronteira
(tunisiana) estão principalmente vindo de Trípoli. Eles
incluem funcionários de embaixadas e embaixadores de
diversos países que decidiram abandonar a capital",
disse a OIM, que tem sede em Genebra, em um comunicado.
A agência da ONU para refugiados deve começar uma
operação no fim de semana para levar a Djerba, na
Tunísia, tendas e outros suprimentos para abrigos de
emergência, disse o porta-voz Andrej Mahecic.
Cerca de 15 mil egípcios saíram da Líbia com destino à
sua terra natal, junto com cerca de duas dezenas de
líbios, de acordo com a OIM. Estima-se que 1 milhão de
egípcios vivam na Líbia.
A OIM expressou preocupação com fato de que não há
evidência de muitos migrantes da África Subsaariana ou
do sul da Ásia saindo da Líbia para a Tunísia ou para o
Egito.
"Provavelmente isso é porque eles não têm os recursos
para pagar pelo transporte", disse Laurence Hart, chefe
da missão da OIM para a Líbia. "Muitos países sem os
recursos adequados para retirar seus cidadãos estão
pedindo ajuda da OIM agora."
Líbios enfrentam repressão e desafiam o ditador Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e
do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra
o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969.
As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de
fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli
e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado
palco de confrontos entre manifestantes e o exército.
Os relatos vindos do país não são precisos, mas tudo
leva a crer que a onda de protestos nas ruas líbias já é
bem mais violenta do que as que derrubaram o tunisiano
Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado
uma dura repressão das forças armadas comandas por
Kadafi. Há informações de que Força Aérea líbia teria
bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli.
Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e
policiais, tenham morrido.
Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos
pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que
foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a
Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão,
esbravejou durante mais de uma hora, xingando os
contestadores de suas quatro décadas de governo
centralizado e ameaçando-os de morte.
Além do clamor das ruas, a pressão política também
cresce contra o coronel Kadafi. Internamente, um
ministro líbio renunciou e pediu que as Forças Armadas
se unissem à população. Vários embaixadores líbios
também pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras
críticas à repressão. Além disso, o Conselho de
Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais,
nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou
que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a
humanidade.
Pedimos, por favor sua atenção;
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