A degradação de mais de 25% das terras do
planeta é denunciada
As Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO)
denunciou nesta segunda-feira a "degração de 25% das
terras do planeta" em um importante relatório divulgado
nesta segunda-feira em Roma sobre o estado mundial das
terras e da água. Este relatório constitui a primeira
avaliação mundial do estado dos recursos de terras.

"Um quarto das terras apresenta um elevado estado de
degradação. Outros 8% apresentam uma degradação
moderada, enquanto 36% estão em condições de
estabilidade ou com uma leve degradação e 10%
classificam-se como terras que estão melhorando", afirma
o relatório. "A superfície restante do planeta está nua
(por volta de 18%) ou coberta por massas de água
continentais (cerca de 2%)", segundo os estudos da
organização, que incluem todo tipo de terras, não só as
agrícolas.
A definição da FAO de degradação vai além da
deterioração das terras e das águas em si mesmas, e
inclui uma avaliação de outros aspectos dos ecossistemas
afetados, como a perda da biodiversidade. Para os
especialistas da FAO, uma extensa degradação e a
escassez cada vez mais aguda de recursos de terras e
água põe em perigo vários sistemas-chave de produção de
alimentos em todo o mundo, representando um profundo
desafio para a tarefa de alimentar uma população mundial
que em 2050 chegará a 9 bilhões de pessoas.
O relatório da agência especializada das Nações Unidas,
com o título de "Estado dos Recursos de Terras e Água do
Mundo para a Alimentação e a Agricultura", afirma que,
apesar de nos últimos 50 anos ter se verificado um
aumento notável da produção de alimentos, em muitos
lugares, as conquistas associaram-se a práticas de
gestão que degradaram as terras e os sistemas hídricos
dos quais a produção de alimentos depende.
"Não há região imune, em todo o planeta há sistemas em
perigo, desde as terras altas dos Andes até as estepes
da Ásia central, desde a bacia hidrográfica de
Murray-Darling da Austrália até o centro dos Estados
Unidos", adverte a FAO, cuja central encontra-se em
Roma. "Este relatório deve sacudir o mundo, as pessoas
devem entender que os recursos naturais não são
infinitos", reconheceu o diretor-geral da FAO, o
senegalês Jacques Diouf.
"Acabou a época em que o negócio é a prioridade",
comentou. "Hoje em dia muitos dos sistemas correm o
risco de perda progressiva de sua capacidade produtiva
por uma mistura excessiva de pressão demográfica e
práticas e usos agrícolas insustentáveis", afirma o
relatório.
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