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Petrobrás: a
industria da poluição e morte começa a ficar no
prejuízo
Após o anúncio do prejuízo trimestral de cerca de R$
1,346 bilhão, a instabilidade financeira deve
continuar para a Petrobras até 2014, o que, na
teoria, torna as ações da empresa interessantes para
quem pretende comprar na baixa e vender em alta.
Porém, ressaltam os especialistas, o período de
superfaturamento das ações da estatal ficou no
passado e a valorização não deve ser muito alta. Já
para os investidores que têm papéis da estatal, a
indicação é mantê-los e evitar vendas em curto prazo.
De acordo com a Petrobras, no segundo trimestre de
2012 a empresa apresentou seu primeiro prejuízo em
13 anos. Para os analistas que cobrem a empresa os
três principais motivos foram: desvalorização do
real frente ao dólar, necessidade de importação
maior dos derivados de petróleo e prejuízo
decorrente de 41 poços secos ou subcomerciais,
especialmente em áreas de novas fronteiras,
perfurados entre 2009 e 2012.
Embora o mercado já estivesse prevendo um resultado
pior do que o apresentado no primeiro trimestre
desse ano, a queda substancial nos lucros da empresa
assustou os analistas.
"Nunca vi uma empresa passar de um lucro de R$ 10
bilhões para um prejuízo de R$ 1 bilhão. É uma coisa
inédita", disse Adriano Pires, diretor do Centro
Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) e especialista
em petróleo. Desde o primeiro trimestre de 1999,
quando o Brasil desvalorizou o real, a Petrobras não
registrava prejuízo trimestral. Segundo pesquisa
feita pela Reuters a queda esperada no lucro era de
cerca de 66%, para uma média de R$ 3,68 bilhões, o
que deve levar a uma revisão das projeções dos
analistas.
Para Marco Barboza e Bruno Piagentini, analistas da
Coinvalores, o prejuízo pegou o mercado de surpresa.
"Apesar da crise mundial, a economia brasileira
continua bastante aquecida e a Petrobras é incapaz
de suprir a demanda interna com sua capacidade de
refino e precisa importar derivados de petróleo",
disse Piagentini. Além disso, a empresa não pode
repassar o custo total do prejuízo para o consumidor
porque isso poderia provocar uma alta da inflação, o
que é combatido pelo governo, dizem.
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Outro
fator, segundo Piagentini, foi a
concentração "fora do normal" de postos
secos no resultado do trimestre aliada a uma
menor exportação devido às paradas
programadas, fatores que não devem ocorrer
no terceiro trimestre. Para os analistas do
BB Investimentos, Nataniel Cezimbra, Andréa
Aznar e Carolina Flesch, a defasagem do
preço dos derivados de petróleo, como
gasolina e diesel, que estavam em desajuste
com o mercado internacional, também teve
grande impacto no resultado decepcionante da
empresa. |
"Embora não tenha ficado claro quando vai haver um
novo aumento dos combustíveis, a fala da presidente
da Petrobras (Maria das Graças Foster) deixou o
mercado na expectativa de novos reajustes e a
estratégia da empresa é não deixar os preços ficarem
tão estabilizados", afirmou Carolina.
"Duas questões pesaram bastante: o custo
exploratório e o câmbio, embora a valorização
cambial tenha tido um impacto maior", disse Cezimbra.
Outros desafios enfrentados pela empresa nos
próximos trimestres serão a estabilidade da produção,
já que cada posto deve ter perda de produção de
cerca de 10% e os novos não vão conseguir ampliar
consideravelmente os ganhos, e a contínua
necessidade de crescimento da importação por causa
da demanda nacional. "Os resultados da Petrobras
devem ser impactados por esses problemas até 2014",
ressaltou o analista do BB. Os analistas da Coinvest
também concordam que a empresa deve ficar
pressionada por alguns trimestres.
Ações
O prejuízo da empresa provocou uma revisão dos
preços dos papéis da Petrobras, o que provocou uma
queda no valor das ações. "A possibilidade de
ocorrer nova alta da moeda americana faz com que o
potencial de valorização das ações da Petrobras seja
menor do que o previsto e o preço deve cair",
afirmou o analista do BB Investimentos. Para quem já
tem ações, o momento é de cautela e de aguardar. "O
papel está chegando em um patamar muito atrativo
para quem compra, mas ainda assim uma possível
valorização deve ser menor do que nos últimos anos."
Segundo Piagentini, os investidores devem ter
cautela em curto prazo, pois as ações da empresa
devem experimentar ainda grande oscilação, devendo
fazer acompanhamento dos relatórios mensais da
empresa. A partir de 2014, ele também espera uma
alta consistente dos papéis. "As pessoas que têm
ações devem mantê-las e para aqueles que não têm é
interessante comprar, mas sem exageros e mantendo
investimentos diversificados."
Com informações da Reuters.
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