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"Justiça, advogados e
Sindicados" tenta o maior roubo da historia R$ 5,bi
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, por
unanimidade, suspender o pagamento daquele que é
considerado o maior precatório do país. O caso
envolve o Tribunal Regional do Trabalho da 14ª
Região, que compreende os estados de Rondônia e do
Acre. De acordo com o processo, que corre em segredo
de justiça no CNJ, o valor total do precatório pode
variar entre R$ 2 bilhões e 5 bilhões. Os
precatórios são dívidas públicas, resultado de
condenações judiciais.
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A fraude envolvendo a
quitação dos benefícios, aponta o CNJ, teria
sido arquitetada por dirigentes do Sindicato
dos Trabalhadores em Educação do estado de
Rondônia (Sintero) na década de 1990. Ainda
segundo os autos, R$ 358 milhões já foram
sacados pelo sindicato, mas nenhum professor
ou técnico em educação recebeu o dinheiro
até agora. |
Segundo a corregedora nacional de Justiça, ministra
Eliana Calmon, os R$ 358 milhões teriam sido pagos
como honorários advocatícios. "No caso de sindicato,
e os professores são todos representados pelo
sindicato no processo, a jurisprudência é a de que
os advogados não recebem honorários. Os honorários
sucumbenciais são devidos para o sindicato. E
advogados começaram a receber quantias fabulosas de
honorários. Isso é uma das suspeitas", afirmou a
corregedora.
A dívida diz respeito a diferenças salariais e de
mudanças no plano de carreira de professores e
técnicos em educação. O reajuste de salários e nova
classificação da categoria aconteceram com a
transformação do Território de Rondônia em estado,
nos anos 1980. O sindicato foi à Justiça reclamar o
reenquadramento e ganhou a causa. Com isso, os
precatórios devidos pelo estado foram se avolumando.
Para Eliane Calmon, o fundador do Sintero, José
Belmonte, teria incentivado professores e técnicos a
ingressarem com ações judiciais cobrando a dívida.
Com o auxílio de advogados, um juiz e até um
desembargador, Belmonte teria embolsado os valores
obtidos com o pagamento de precatórios aos
servidores.
Na tentativa de manter o esquema fora de suspeitas,
um desembargador do TRT da 14ª Região teria
articulado diversas manobras processuais para manter
o processo sob a responsabilidade de um juiz
suspeito de integrar a organização criminosa. De
acordo com a corregedora, o magistrado seria
portador de precatórios recebidos nesse processo.
Ainda segundo Eliana Calmon, há mais de R$ 300
milhões já depositados em contas judiciais que
poderiam ser pagos e que foram bloqueados com a
decisão de hoje do CNJ. "Fizemos a proposta dessa
medida cautelar para evitar que haja mais sangria
para os cofres públicos", justificou a corregedora.
Segundo o CNJ, o caso é grave pela dificuldade de
ser apurado. Juízes, servidores e policiais federais
que tentaram apurar os desvios estariam sofrendo
ameaças por parte do desembargador envolvido no
esquema e precisaram ser removidos do estado. Uma
servidora do TRT chegou a ter a casa incendiada,
segundo os autos do processo, e participa agora do
programa de apoio à testemunha, com proteção da
Polícia Federal.
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