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Noticias de Turismo
Destino exótico é a
Província chinesa com castelos em arrozal
Edifícios, chamados diaolou, foram construídos
principalmente no final do século XIX e princípios do XX
por emigrantes de Kaiping que retornaram à sua terra
após fazer fortuna nos Estados Unidos, Canadá, México,
sudeste asiático ou outros países, inspirando-se nas
formas arquitetônicas que tinham visto durante seu
"exílio" e tentando criar construções que
impressionassem os vizinhos e demonstrassem que ele e
sua família haviam prosperado no estrangeiro.

Ao mesmo tempo, alguns destes diaolou também foram
construídos na mesma época com doações de vários
moradores de uma mesma aldeia, a fim de servir de
estruturas defensivas e de vigilância em uma época na
qual muitos bandidos agiam na região: eram os anos nos
quais o ópio causava estragos em muitas comunidades do
sul da China, e muitos dos viciados entraram nas máfias
à caça das riquezas que os emigrantes traziam do
exterior.
Estas torres e palácios em aldeias de ruas estreitas
criam uma peculiar paisagem que, além disso, contrasta
com as grandes cidades que perto dali dominam o próspero
delta do rio das Pérolas: Cantão, Hong Kong, Macau,
Shenzhen...
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e a Cultura incluiu quatro destas aldeias na
lista de Patrimônio Mundial em 2007, por isso o lugar,
até então quase esquecido, se transformou em uma das
principais atrações turísticas de Cantão, embora ainda
seja uma área relativamente tranquila quando comparada
com as hordas que visitam outros monumentos da China
também incluídos na famosa lista da Unesco, como a
Muralha da China.
Mistura de culturas
Um dos melhores lugares para apreciar esta peculiar
mistura entre Oriente e Ocidente é o complexo de diaolou
de Zilicun, formado pelas construções que emigrantes de
três aldeias vizinhas construíram principalmente nos
anos 1920, após retornar de anos de trabalho nos EUA,
Canadá e até nas ilhas Fiji.
Em Zilicun é possível admirar uma dúzia de torres
rodeadas por campos de arroz e tanques de lótus, muitas
delas transformadas em museus sobre a vida dos
emigrantes chineses, verdadeiras testemunhas da cultura
mestiça de Kaiping.
Os quartos combinam a rica mobília chinesa com os
"tesouros" que aqueles emigrantes trouxeram do além-mar
após décadas trabalhando, por exemplo, na linha ferrenha
intercontinental entre o leste e o oeste dos EUA: um
toca-discos, uma caixa de uísque, máquinas de costura, e
até penicos e banheiras de louça, um luxo até então
desconhecido na China.
Nas paredes de muitas destas casas-museu aparecem as
fotos e cartas daqueles emigrantes e de seus
descendentes: alguns deles são chineses que ainda
trabalham nas lavouras de Kaiping, enquanto outros são
médicos em Chicago, patinadores sobre o gelo em Edmonton
ou destacados membros de associações de emigrantes
chineses na Europa, Ásia e América, que não hesitam em
visitar os diaolou dos fundadores do clã.
O diaolou mais famoso, por sua rica decoração e por ser,
com nove andares, o mais alto da comarca, é o torreão
Ruishi da aldeia de Jinjiangli, com seus inconfundíveis
arcos e a cúpula que o torna praticamente uma construção
de conto de fadas.
Campos de arroz e torreões
Não muito longe dali está a terceira aldeia incluída
pela Unesco na lista de bens protegidos de Kaiping:
Majianglong, que contrasta com Zilicun porque seus
torreões e palacetes não se encontram em abertos campos
de arroz, mas quase escondidos em uma bucólica floresta
de bambus, que rodeia quatro aldeias das quais também
partiram muitos emigrantes.
A quarta e última aldeia na lista do patrimônio mundial
se chama Sanmenli, e nela está o diaolou mais antigo, o
único que sobrou dos que foram construídos durante a
dinastia Ming (séculos XIV-XVII) e que tem ares de
castelo medieval. Este tinha um uso estritamente
defensivo, e foi um dos construídos com doações de todos
os moradores para utilizá-lo como fortaleza em caso de
invasão ou ataque dos bandidos.
Além destes lugares, Kaiping oferece muitos outros
atrativos ao viajante disposto a percorrer as muitas
aldeias da região, como o dialou inclinado de Xiangang,
emulando a torre de Pisa, e os jardins e palácios de
Liyuan, de ar afrancesado.
Outra curiosa aldeia de Chikan, onde os moradores não
construíram torres isoladas do resto, como nas aldeias
vizinhas, mas erigiram ruas inteiras com pórticos,
balcões e fachadas ocidentais, o que dá ao local um
aspecto único e parece transportar o viajante para uma
pequena cidade europeia.
O curioso cenário de Chikan inspirou muitos diretores de
cinema chineses, e em suas ruas foram gravadas algumas
das cenas do filme chinês de maior bilheteira da
história: Let The Bullets Fly, do popular cineasta Jiang
Wen.
As aldeias de Kaiping oferecem ao visitante um recanto
de paz no Cantão e são um importante testemunho da
história do sul da China, uma região tradicionalmente
emigrante que, no caso desta comarca, tem mais nativos
vivendo no exterior que em sua própria terra natal.
Novo sistema de governo (inventado), é (Apolítico), ou
seja, sem políticos. Veja no site
abaixo.
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