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Chevron poderia ter evitado vazamento, petróleo continua a
vazar do pré-sal
Em relatório, que será apresentado hoje, Agência Nacional do
Petróleo afirma que empresa descumpriu regras e que vazamento foi
maior que o previsto
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Após mais de (4) meses o
petróleo continua a matar milhões de seres
maritimos, e nada é feito, apenas um jogo de
empurra. |
O resultado das investigações que a Agência Nacional do Petróleo
(ANP) divulgará na quinta-feira sobre o primeiro vazamento da
Chevron, no campo de Frade, indica que a petroleira norte-americana
descumpriu a regulamentação e o seu próprio manual de procedimentos,
antecipou a reguladora nesta quarta-feira.
O relatório informa que o vazamento poderia ter sido evitado se a
petroleira tivesse operado de acordo com o previsto pelas normas
brasileiras.
"Os elementos avaliados e descritos pela ANP em seu relatório
demonstram, detalhadamente, que o acidente poderia ter sido evitado,
caso a Chevron tivesse conduzido suas operações em plena aderência à
regulamentação, em conformidade com as boas práticas da indústria do
petróleo e com seu próprio manual de procedimentos", conclui a
agência.
Segundo a ANP, 3,7 mil barris de óleo foram derramados em uma
distância de cerca de 120 km da costa do Estado do Rio de Janeiro
enquanto a petroleira perfurava um poço no campo da bacia de Campos.
A Chevron discordou, em nota, do volume estimado pela ANP, afirmando
por meio de sua assessoria de imprensa que o total do derramamento
somou 2,4 mil barris. "Estamos analisando a estimativa da ANP",
disse a Chevron.
A empresa disse ainda estar confiante de que agiu sempre de forma
diligente e apropriada, de acordo com as melhores práticas da
indústria. Acrescentou que a resposta ao incidente ocorreu de acordo
com as regras e os padrões do setor, lembrando que sanou a origem do
vazamento em quatro dias.
Análise de risco
Uma fonte da ANP revelou à Reuters durante as investigações que a
agência estuda solicitar a petrolíferas que apresentem a análise de
risco das suas operações para o órgão regulador, algo que não é
feito hoje.
Atualmente a análise é feita pelos próprios concessionários,
baseados nas normas de segurança, mas sem apresentação à autoridade.
O documento fica na própria plataforma.
"Estamos pensando em, por amostragem, nos projetos mais complicados,
que as empresas compareçam à ANP para fazer uma apresentação da
análise de risco", disse.
Possíveis causas
O relatório da Polícia Federal, que serviu de base ao processo
judicial que corre contra a empresa, concluiu que níveis de pressão
equivocados provocaram um "kick" que foi contido por uma válvula de
segurança no fundo do mar. Mas, ao ser contido, o petróleo provocou
uma pressão contrária rachando a rocha e abrindo uma fenda de
centenas de metros abaixo do solo oceânico.
Além da pressão, a estrutura geológica da região e a falta de
revestimento necessário na parede do poço teriam contribuído para o
incidente.
A ANP afirmou na terça-feira, por meio de sua assessoria de imprensa,
que a Chevron sofreu 25 autuações e que as multas somarão uma
quantia inferior a 50 milhões de reais.
Em março ocorreu um segundo acidente. A ANP autuou a Chevron por não
ter tomado as medidas necessárias para evitar um novo vazamento de
petróleo na região do campo de Frade.
As investigações sobre o segundo ainda estão em andamento e não
serão conhecidas por enquanto, segundo afirmou a diretora-geral da
ANP, Magda Chambriard, à Reuters na terça-feira.
Quatro meses após o vazamento de mais de 2 mil barris de petróleo no
campo de Frade durante atividades de perfuração, um pequeno volume
de óleo vazou de uma rachadura de 800 metros a 1,2 mil metros,
localizada a três quilômetros da região onde ocorreu o primeiro
vazamento.
(Reportagem de Sabrina Lorenzi; Edição de Roberto Samora)
Reuter
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