O Absolutismo é uma teoria política que defende que uma
pessoa (em geral, um monarca) deve deter um poder
absoluto, isto é, independente de outro órgão, seja ele
judicial, legislativo, religioso ou eleitoral. Os
teóricos de relevo associados ao absolutismo incluem
autores como Maquiavel, Jean Bodin, Jaime I de
Inglaterra, Bossuet e Thomas Hobbes. Esta idéia tem sido
algumas vezes confundida com a doutrina protestante do
"Direito Divino dos Reis", que defende que a autoridade
do governante emana directamente de Deus, e que não
podem ser depostos a não ser por Deus, defendido por
alguns absolutistas como Jean Bodin e Jaime I.
O Absolutismo na Europa
Luís XIV da FrançaEm Portugal, a burguesia composta em
mesteirais juntamente com as classes populares da cidade
de Lisboa, ajudaram D. João I, a conquistar o poder nas
cortes de Coimbra de 1385, representando a vitória da
classe mercantil, que iria patrocinar os Descobrimentos,
tendo como conseqüência o pioneirismo português na
expansão marítima.
A Espanha conheceu em 1469 a unificação política com o
casamento da rainha Isabel de Castela com o rei Fernando
de Aragão. Unificado, o reino espanhol reuniu forças
para completar a expulsão dos mouros e, com a ajuda da
burguesia, lançar-se às grandes navegações marítimas.
Na França, o longo processo de centralização do poder
monárquico atingiu seu ponto culminante com o rei Luís
XIV, conhecido como "Rei Sol", que reinou entre 1643 e
1715. A ele atribui-se a célebre frase "o Estado sou
eu". Ao contrário de seus antecessores, recusou a figura
de um "primeiro-ministro", reduziu a influência dos
parlamentos regionais e jamais convocou os Estados
Gerais.
Na Inglaterra, o absolutismo teve início em 1509 com
Henrique VII, que apoiado pela burguesia, ampliou os
poderes monárquicos, diminuindo os do parlamento. No
reinado da Rainha Isabel I, o absolutismo monárquico foi
fortalecido, tendo iniciado a expansão marítima inglesa,
com a colonização da América do Norte. Contudo, após a
Guerra Civil Inglesa, o Absolutismo perdeu força em
Inglaterra, com o rei gradualmente perdendo poderes em
favor do Parlamento. A Revolução de 1688 - a "Glorious
Revolution" - pôs um ponto final no absolutismo régio
Inglês.
Teóricos do absolutismo
Durante os séculos XVI e XVII, diversos pensadores
buscaram justificar o poder absoluto dos monarcas. A
principal obra de Nicolau Maquiavel, O príncipe, escrita
para responder a um questionamento a respeito da origem
e da manutenção do poder, influenciou os monarcas
europeus, que a utilizaram para a defesa do absolutismo.
Maquiavel defendia o Estado como um fim em si mesmo,
afirmando que os soberanos poderiam utilizar-se de todos
os meios - considerados lícitos ou não - que garantissem
a conquista e a continuidade do seu poder. As ações do
Estado são regidas pela racionalidade e não pela moral.
Jean Bodin, sua obra foi Os seis livros da República,
associava o Estado à própria célula familiar, colocando
o poder real como ilimitado, comparado ao chefe de
família.
Jacques Benigne Bossuet, contemporâneo de Luís XIV, foi
um dos maiores defensores do absolutismo e,
simultaneamente, do "direito divino dos reis"; em sua
obra Política Segundo a Sagrada Escritura, afirmava que
a Monarquia era a origem divina, cabendo aos homens
aceitar todas as decisões reais, pois questioná-las
transformá-las não somente em inimigos públicos, mas
também em inimigos de Deus.
Thomas Hobbes, autor de Leviatã, proclamou que, em seu
estado natural, a vida humana era "solitária, miserável,
desprezível, bestial e breve"; buscando escapar da
guerra de todos contra todos, os homens uniram-se em
torno de um contrato para formar uma sociedade civil,
legando a um soberano todos os direitos para protegê-los
contra a violência.
O Absolutismo e a Guerra
O Estado absolutista foi um processo importante para a
modernização administrativa de certos países. No campo
militar, embora tenha apresentado alguns pontos fracos,
foi responsável por grandes transformações. A
centralização administrativa e financeira praticamente
extinguiu os exércitos mercenários, sem no entanto
dispensar o emprego de estrangeiros. Criou uma
burocracia civil que muito ajudou à manutenção de forças
armadas. Desenvolveu formas compulsórias de alistamento
que serviriam de base para o serviço militar moderno.
Regulamentando o alistamento, diminuiu velhos abusos.
Financiou e abasteceu efetivos cada vez maiores.
Permitiu, por fim, a construção de dezenas de
fortificações modernas.
Ver também
Monarquia absoluta
Mercantilismo
Referências
Anderson, Perry, Lineages of the Absolutist State, 1974.
Souza, Marcos da Cunha e, O absolutismo e o progresso da
guerra. Revista do Instituto de Geografia e História
Militar do Brasil, número 88, ano 62, 2002.
Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Absolutismo"
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