Anarquismo é uma palavra que deriva da raiz grega αναρχία — an (não, sem) e
archê (governador) — e que designa um termo amplo que abrange desde teorias
políticas a movimentos sociais que advogam a abolição do capitalismo e do Estado
enquanto autoridade imposta e detentora do monopólio do uso da força.
Exemplificando, Anarquismo é a teoria libertária baseada na ausência do Estado.
De um modo geral, anarquistas são contra qualquer tipo de ordem hierárquica que
não seja livremente aceita , defendendo tipos de organizações horizontais e
libertárias.
Para os anarquistas, Anarquia significa ausência de coerção, e não ausência de
ordem. Uma das visões do senso comum sobre o tema é na verdade o que se denomina
por "anomia", ou seja, ausência de leis. Existe em torno desta questão um debate
acerca da necessidade ou não de uma moral anarquista, ou se a natureza humana
bastaria por si só na manutenção pacífica das relações.
As diferentes vertentes do anarquismo têm compreensões diferentes quanto aos
meios para a abolição dos governos e quanto à forma de organização social que
disso resultaria.
Principais conceitos anarquistas
Princípio da não-doutrinação
Proudhon e seus filhos, por Gustave Courbet, 1865Este conceito anarquista,
embora não constitua a didática primária à compreensão libertária, é digno de
uma abordagem rápida.
Os anarquistas acreditam no desenvolvimento heterodoxo do pensamento e do
ideário libertário como um todo, não idolatrando nem privilegiando qualquer
escritor ou teórico desta vertente de estudos. George Woodcock descreve com
aptidão esse posicionamento libertário:
“Toda a posição do anarquismo é completamente diferente de qualquer outro
movimento socialista autoritário. Ela tolera variações e rejeita a idéia de
gurus políticos ou religiosos. Não existe um profeta fundador a quem todos devam
seguir. Os anarquistas respeitam seus mestres, mas não os reverenciam, e o que
distingue qualquer boa compilação que pretenda representar o pensamento
anarquista é a liberdade doutrinária com que os autores desenvolveram idéias
próprias de forma original e desinibida.”[2]
Anarquismo não é doutrina, não é religião, portanto não reverencia nenhuma
espécie de livros ou obras culturais, nem linhas metodológicas rígidas, o que o
definiria infantilmente enquanto ciência constituída. As obras concernentes ao
anarquismo são, no máximo, fontes de experiências delimitadas histórica e
conjunturalmente, passíveis de infinitas adaptações e interpretações pessoais.
Em síntese, o anarquismo é convencionado entre os libertários como sendo a
emergência de um sentimento puro, sob o qual cada adepto deve desenvolver dentro
de si mesmo o seu próprio instrumental intelectual para legitimá-lo e, mais do
que isso, potencializá-lo abstracional e concretamente[carece de fontes?].
Socialismo Libertário: a ótica anarquista
Os anarquistas auto-denominados socialistas libertários vêem qualquer governo
como a manutenção do domínio de uma classe social sobre outra. Compartilham da
crítica socialista ao sistema capitalista em que o Estado mantém a desigualdade
social através da força, ao garantir a poucos a propriedade sobre os meios de
produção, no entanto, estendem a crítica aos socialistas que advogam a
permanência de um estado pós-revolucionário para garantia e organização da "nova
sociedade". Tal estado, ainda que proletário, somente faria permanecer antigas
estruturas de dominação de uma parcela da população sobre a outra, agora sob
nova orientação ideológica.
Esta teoria clama por um sistema socialista em que a posse dos meios de produção
sejam socializados e garantidos a todos os que trabalham. Num tal sistema, não
haveria necessidade de autoridades e/ou governos uma vez que a administração da
vida social, para a garantia plena da liberdade só poderia ser exercida por
aqueles mesmos que a compõem e a tornam efetiva (seja na indústria, na
agricultura, nas empresas, creches, escolas, etc.).
A sociedade seria gerida por associações democráticas, formadas por todos, e
dividindo-se livremente (ou seja, com entrada e saída livre) em cooperativas e
estas, em federações.
A origem da tradição socialista libertária está entre os séculos XVIII e XIX.
Talvez o primeiro anarquista (embora não tenha usado o termo em nenhum momento)
tenha sido William Godwin, inglês, que escreveu vários panfletos defendendo uma
educação sem participação do Estado, observando que esta tornava as pessoas
menos propensas a ver a liberdade que lhes era retirada. O primeiro a se
auto-intitular anarquista e a defender claramente uma visão mais socialista, foi
Joseph Proudhon, seguido por Bakunin, que levou e elaborou as idéias daquele à
primeira Associação Internacional de Trabalhadores (AIT). Mais tarde, Kropotkin
desenvolve a vertente comunista do anarquismo, a qual chegou a ser muito popular
na primeira metade do século XX.
A revolução social
A revolução social consiste na quebra drástica, rápida e efetiva do Estado e de
todas as estruturas – levadas aqui enquanto entes materiais e não-materiais –
que o regiam ou a ele sustentavam, por meio da ação revolucionária. Este
princípio é primordial na diferenciação da vertente de pensamentos libertária em
relação a qualquer outra corrente ideária. É a diferença básica entre o
Socialismo Libertário e o Socialismo Autoritário.
Sob a ótica do Marxismo, por exemplo, seria necessária a instrumentalização do
Estado para a conquista planejada, detalhada e gradativa da Revolução, sendo
instituída a Ditadura do Proletariado para o controle operário dos meios de
produção até a eclosão do Comunismo. Já, sob o ideário anarquista, a Revolução
deve ser imediata, para não permitir que os elementos revolucionários possam ser
corrompidos pela realidade estatal. De acordo com os libertários, a Ditadura do
Proletariado nada mais é do que uma ditadura "de fato", exercendo a mesma
coerção, a mesma opressão e a mesma violência contra a sociedade. Especialmente
por isso, para eles, a Revolução Social deve ascender o mais rápido possível à
Sociedade Anarquista, ao Comunismo puro, para, também, através dos princípios da
Defesa da Revolução, não permitir a ressurreição do Estado.
Por fim, por intermédio do processo de destruição completa do Estado, sobre
todas as suas formas, torna-se plenamente tangível a Liberdade, podendo, o/a
sujeito/a, renovar de forma efetiva os seus princípios e preceitos humanistas.
Humanismo
Ver artigo principal: Humanismo
Nos meios anarquistas, de forma geral, rejeita-se a hipótese de que o governo,
ou o Estado, sejam necessários ou mesmo inevitáveis para a sociedade humana. Os
grupos humanos seriam naturalmente capazes de se auto-organizarem de forma
igualitária e não-hierárquica, mediante os progressos originários nas mulheres e
homens a partir da educação libertária. A presença de hierarquias baseadas na
força, ao invés de contribuírem para a organização social, antes a corrompem,
por inibirem essa capacidade inata de auto-organização e por dar origem à
desigualdade.
Desta forma, a partir da conscientização, aceitação e internalização da sua
essência humana - idéia suprimida anteriormente pelo Estado -, por parte da
pessoa, emerge-se naturalmente de toda a sociedade humana o anseio pela ascensão
da idéia-base de qualquer forma de vida real: a Liberdade.
Liberdade
A Liberdade é a base inconteste de qualquer pensamento, formulação ou ação
anarquista, representando o elo sublime que conjuga de forma plena todos os
anarquistas. Assim, entre os anarquistas, a Liberdade deixa apenas o plano
abstracional (do pensamento) para ganhar uma funcionalidade prática, sendo o
símbolo e a dinâmica do desenvolvimento humano real. Em outras palavras, o
princípio básico para qualquer pensamento, ação ou sociedade ser definida como
anarquista é que esteja imersa, tanto abstracionalmente (ideologicamente),
quanto pragmaticamente (no âmbito das ações), no conceito de Liberdade.
Para a encarnação da Liberdade, no entanto, é necessária a erradicação completa
de qualquer forma de autoridade.
Antiautoritarismo
O Antiautoritarismo consiste na repulsa e no combate total a qualquer tipo de
hierarquia imposta ou a qualquer domínio de uma pessoa sobre a(s) outra(s),
defendendo uma organização social baseada na igualdade e no valor supremo da
liberdade. Tem como principais, mas não únicos, objetivos a supressão do Estado,
da acumulação de riqueza própria do capitalismo (exceto os Anarco-capitalistas)
e as hierarquias religiosas(exceto seguidores do Anarquismo cristão). O
Anarquismo difere do Marxismo por rejeitar o uso instrumental do Estado para
alcançar seus objetivos e por prever uma Revolução Social de caráter direto e
incisivo, ao contrário da progressão sócio-política gradual - socialismo - rumo
à derrubada do Estado - comunismo - proposta por Karl Marx.
De acordo com a corrente de pensamentos libertária, a supressão da autoridade é
condicionada pela ação direta de cada indivíduo livre, prescindindo-se
completamente de qualquer intermediário entre o seu objetivo, enquanto defensor
da Liberdade, e a sua vontade.
Ação direta
Ver artigo principal: Ação direta
Os anarquistas afirmam que não se deve delegar a solução de problemas a
terceiros, mas antes, atuar diretamente contra o problema em questão, ou, de
forma mais resumida, "A luta não se delega aos heróis". Sendo assim, rejeitam
meios indiretos de resolução de problemas sociais, como a mediação por políticos
e/ou pelo Estado, em favor de meios mais diretos como o mutirão, a assembléia
(ação direta que não envolve conflito), a greve, o boicote, a desobediência
civil (ação direta que envolve conflito), e em situações críticas a sabotagem e
outros meios destrutivos (ação direta violenta).
No entanto, a Ação Direta, por si só, não garante a manutenção e a perpetuação
das condições humanas básicas, tanto em termos estruturais, quanto no aspecto
intelectual, necessitando de uma extensão operacional ilimitada a fim de fazer
da força humana global uma só energia coletiva. Decerto, somente a solidariedade
e o mutualismo máximos podem promover essa harmonia social.
Apoio mútuo
Ver artigo principal: Apoio mútuo
Os anarquistas acreditam que todas as sociedades, quer sejam humanas ou animais,
existem graças à vantagem que o princípio da solidariedade garante a cada
indivíduo que as compõem. Este conceito foi exaustivamente exposto por Piotr
Kropotkin, em sua famosa obra "O Apoio Mútuo". Da mesma forma, acreditam que a
solidariedade é a principal defesa dos indivíduos contra o poder coercitivo do
Estado e do Capital.
Mas, para que a solidariedade se torne uma virtude "de fato" é necessária a
erradicação de qualquer fator de segregação ou discriminação humanas. Com esse
objetivo, o internacionalismo se firma enquanto o princípio proeminente da
integração sociolibertária.
Internacionalismo
Para os anarquistas, todo tipo de divisão da sociedade - em todos os apectos -
que não possua uma funcionalidade plena no campo humano deve ser completamente
descartada, seja pelos antagonismos infundados que ela gera, seja pela
burocracia contraproducente que ela encarna na organização social,
esterilizando-a. Logo, a idéia de "pátria" é negada pelos anarquistas.
Os libertários acreditam que as virtudes - bem como o exercer pleno delas - não
devem possuir "fronteiras". Assim, acreditam que a natureza humana é a mesma em
qualquer lugar do mundo, exigindo, independentemente do universo material ou
cultural onde o ente humano esteja inserido , uma gama infinita de necessidades
e cuidados. Em outras palavras: se a fragilidade do homem não tem fronteiras,
por que estabelecer empecilhos ao seu auxílio?
Vale lembrar que o conceito libertário de internacionalismo se difere
completamente do conceito que conhecemos - portanto, capitalista - de
globalização. Globalização é a ampliação a nível mundial da difusão de produtos
- ideológicos, culturais e materiais - de determinados segmentos capitalistas,
visando à potencialização máxima da capacidade mercadológica dos agentes
operantes - na maioria das vezes, as empresas e as grandes corporações -, sendo,
para isso, desconsideradas parcial ou completamente todas as conseqüências
humanas do processo, já que é a doutrina do "lucro máximo" que rege essas
operações. Por outro lado, o internacionalismo, por se alijar completamente de
todo o ideário capitalista, não possui nenhuma tenção lucrativa, capitalista, e
não é permeado por estruturas privilegiadas de produção - como as indústrias
capitalistas -, sendo regido pela solidariedade e mutualismo máximos.
Didaticamente, o internacionalismo pode ser definido como sendo a difusão global
de "serviços" humanos, e a globalização como a difusão global de "hegemonias"
mercadológicas.
A Sociedade Anarquista
A educação avançada: a base da coexistência harmoniosa
A questão persecutória por excelência entre os anarquistas no decorrer da
história é: como seria possível uma Sociedade Anarquista se cada ser humano
pensa de uma forma diferente[carece de fontes?]? Não seria permeada por inúmeros
conflitos, guerras, antagonismos?
A resposta a essa questão, defendida pela maior parte dos anarquistas[carece de
fontes?], é a de que apenas o desenvolvimento virtuoso da educação (Pedagogia
Libertária) – permeada pela autodidática, interesse natural, relativismo
cultural e antidogmatismo – proveria as pessoas do desenvolvimento humano
efetivo. Assim, embora os conflitos façam parte da Sociedade Anarquista – e a
desenvolvam estruturalmente por essa relação dialética –, eles seriam
transferidos do plano físico – como é o caso das guerras atuais – para o plano
do diálogo – como prima a Democracia Direta –, sendo negociados de forma
pacífica, consciente, racional e, acima de tudo, humana, já que o interesse, o
calculismo, não estaria mais regendo as instâncias conflitivas. Em outras
palavras, independentemente do resultado do embate, ninguém sairia em posição
privilegiada[carece de fontes?].
Evidentemente, no caso de uma sociedade anarquista, também pode haver indivíduos
que perturbem a harmonia social. Como a violência é uma forma pura de
autoridade, de poder, o indivíduo que encarná-la em qualquer uma de suas ações,
por qualquer que seja o motivo, não será considerado anarquista[carece de
fontes?]. Como a Sociedade Anarquista é uma sociedade de anarquistas e para
anarquistas, os dissidentes seriam obrigados a garantir a sua subsistência onde
a autoridade e a mesquinhez deles tivesse alguma funcionalidade[carece de
fontes?].
Piotr Alexeevich kropotkin (1842 – 1921) defende que a Liberdade, em seu estado
puro, em conjunto com a fraternidade, serviria como um verdadeiro "remédio" às
pessoas, sanando os seus problemas mais nefastos, conseqüentemente,
prescindindo-se de qualquer espécie de punição ou coerção. Esta idéia se aplica,
num espectro mais amplo, até às questões relacionadas à existência de estruturas
manicomiais, responsáveis, na sociedade capitalista, pelas torturas e
maus-tratos aos estigmatizados pelo sistema como "doentes mentais".
Princípio da flexibilidade e naturalidade organizacionais
Os anarquistas, por intermédio da aceitação e compreensão da progressão
materialmente dialética da história, em sua maioria, não acreditam que o
estabelecimento de estruturas organizacionais rígidas possam promover um
desenvolvimento humano efetivo. Assim, acreditam que a inflexibilidade
organizacional - típica do sistema capitalista - termina por interferir
deleteriamente, quando não suprimir, as faculdades individuais de cada ser
humano. Por isso, os anarquistas acreditam que são as dificuldades e
problemáticas humanas, materiais e sociais que devem prescrever o modelo
temporário de organização, e não as inferências provenientes de abstrações
técnicas. Em outras palavras, é a realidade concreta que deve definir as bases
da organização da sociedade anarquista, em contrapartida com as situações
imaginárias criadas pelos "técnicos", as quais, na maioria das vezes, tendem a
ser manipuladas a favor de interesses parciais.
Com o objetivo de se potencializar de forma plena a coesão estrutural - material
- necessária à Sociedade Anarquista, a fim de se promover a satisfação das
necessidades humanitárias, houve a emergência do conceito de Federalismo
Libertário.
Federalismo libertário
Ver artigo principal: Federalismo Libertário
Sendo uma ampliação funcional do princípio da “Ação Direta”, o federalismo
libertário é o meio de organização proposto pela maior parte das vertentes
anárquicas[carece de fontes?], desenvolvido, no âmbito anarquista, pela primeira
pessoa a se intitular “anarquista”: Pierre-Joseph Proudhon (1809 - 1865). Esse
conceito consiste na subdivisão organizacional temporária ou permanente da
sociedade libertária – em federações, comunas, confederações, associações,
cooperativas, grupos e qualquer outra forma de conjugação da força operacional
humana – para a maior eficiência das interações humanas, sociais. Por intermédio
do federalismo, de cunho libertário, seria possível uma intervenção rápida e
direta do homem frente às problemáticas emergentes na sociedade anarquista.
Nesse aspecto, Piotr Alexeevich Kropotkin (1842 – 1921) aludia didaticamente às
federações como sendo "botes salva-vidas": ágeis no auxílio e versáteis frente
às condições ou necessidades adversas[carece de fontes?].
Evidencia-se que o conceito de federalismo, no campo libertário, transcende o
conceito atual de federalismo que conhecemos, deixando de representar apenas as
associações de grande escala para adentrar no âmbito pessoal, abrangendo,
inclusive, as relações interpessoais. Desta forma, o federalismo libertário se
firma enquanto a máxima coesão entre o homem e a satisfação proficiente de suas
necessidades[carece de fontes?].
O federalismo libertário se difere do federalismo estatal - como o que vigora no
Brasil - por não ser concebido em meio a nenhuma relação de submissão e por ser
regido, em sua completude, pelas necessidades humanas. Seriam sempre as
problemáticas que definiriam e prescreveriam a organização, e não os interesses,
sejam eles coletivos ou pessoais.
Com efeito, vários anarquistas já propuseram modelos mais elaborados de
organização, de plataformas organizacionais, mas, como é a conjuntura e a
naturalidade que devem definir a organização numa sociedade anarquista, elas são
consideradas inferências, projetos divergentes, porém, todos unificados pelo
conceito uno do federalismo libertário. Em outras palavras, o federalismo
libertário é tido enquanto o germe de qualquer organização anarquista.
Responsabilidade: individual e coletiva
Na sociedade anarquista, a questão da responsabilidade é persecutória em
qualquer pensamento acerca das relações entre os seus integrantes.
Didaticamente, ela é dividida entre responsabilidade individual e
responsabilidade coletiva - ambas totalmente coesas na prática.
Pela primeira, compreende-se a consciência individual encarnada em qualquer ação
empreendida pelo indivíduo, de forma pessoal, subjetiva - embora com vistas ao
benefício do coletivo. Assim, o anarquista possui seus deveres e obrigações em
relação a toda a sociedade, agindo sempre de forma a progredi-la por completo.
Pela segunda, é convencionada a consciência coletiva emergente a partir de
qualquer ação exercida por determinada seção operacional - grupo, associação,
federação, etc. Uma determinada seção é responsável - em sua integridade - pelas
suas ações desenvolvidas, estando suscetível aos seus resultados e,
conseqüentemente, às possíveis reformulações ou reorientações.
Questões freqüentes aos anarquistas
A instrumentalização da violência
Poucos anarquistas defendem a violência contra indivíduos. Durante o fim do
século XIX e início do século XX, o anarquismo era conhecido como uma ideologia
que pregava os assassinatos e explosões, devido a ação de pessoas como o russo
Nechaiev, o francês Ravachol e à influência dos meios de comunicação social da
época. A maioria dos anarquistas acredita que a violência contra indivíduos é
inútil, já que mantém intactas as relações sociais de exploração e as
instituições que a mantêm. Entretanto, os anarquistas acreditam que o recurso à
violência é inevitável como legítima defesa à violência do Estado ou de
instituições coercivas. Anarquistas como Errico Malatesta e Emma Goldman
publicaram célebres debates condenando o individualismo-terrorista de alguns
anarquistas. Ambos autores consideraram a ação desses indivíduos inútil e mesmo
daninha à causa anarquista, e que seus atos eram reações de desespero em face às
injustiças sociais.
Entretanto, é inegável que foram praticados assassinatos políticos inspirados
por anarquistas. Por exemplo, Leon F. Czolgosz confessou ter decidido assassinar
o presidente William McKinley após assistir a uma palestra proferida por Emma
Goldman. Estadistas como Humberto I da Itália, Elisabeth da Áustria e Marie
François Sadi Carnot, presidente da França, foram assassinados por anarquistas
italianos. Tudo isto aconteceu durante os últimos anos do século XIX e a
primeira década do século XX. Outros atentados, como contra Alexandre III da
Rússia e Carlos I de Portugal, foram erroneamente atribuídos a anarquistas, por
generalização.
Existiram, no entanto, outros anarquistas, como Leon Tolstoi, que acreditavam
que o caminho da anarquia era a não-violência.
Anomia
A idéia popular de anarquismo como absoluto caos e desordem, que os estudiosos
chamam de anomia (ausência de normas) é rejeitada por todos os anarquistas
tradicionais citados acima. Os anarquistas concebem os governos como as atuais
fontes de desordens defendendo, portanto, que a sociedade estaria melhor
ordenada sem a sua existência.
Esta convenção tem fortes conotações e historicamente tem sido usada como uma
deficiência por grupos políticos contra seus oponentes, mais notavelmente os
monarquistas contra os republicanos nos últimos séculos. Entretanto, a anomia
tem sido abraçada por movimentos de contracultura.
Religião e espiritualidade
Cartum anarquista publicado em 1916 no jornal "A Lanterna"O movimento anarquista
não advoga em favor do ateísmo ou agnosticismo, mas em muitas ocasiões sua luta
anti-autoritária se estendeu ao anti-clericalismo. O problema, portanto, está na
consolidação em forma institucional da fé religiosa, tornando-se um instrumento
de exploração dos homens.
Desta forma, o que os anarquistas negam é a instituição "Igreja" em todas as
suas formas, e não a Igreja enquanto templo de fé, pelos seguintes fatores:
– A sua conivência, conciliação e apoio à dominação capitalista – em especial,
pela defesa da propriedade privada;
– Pela sua estrutura completamente vertical, a qual segrega o corpo religioso e
toda a humanidade de forma a selecionar os beneficiados e os dignos dos poderes
espirituais;
– Pelas intervenções em campos não espirituais, criando, por meio da doutrina
fundamentalista, uma série de empecilhos ao desenvolvimento social e humano como
um todo;
– Pelo processo de alienação do ser humano em relação à sua realidade, fazendo o
indivíduo, muitas vezes, delegar a entes imaginários, espirituais, as
transformações humanas que, na verdade, cabem a ele mesmo ajudar a promover.
Por fim, os anarquistas acreditam que o que cada um pensa ou crê, não importa ao
próximo, desde que a Liberdade e todos os demais princípios anarquistas não
sejam ofuscados de forma alguma.
Tecnologia
A tecnologia, em sua pureza, não é tratada como um mal em potencial pelos
libertários - com exceção da corrente anarco-primitivista. Ela é ferrenhamente
combatida em seus moldes capitalistas, já que, sob eles, não possui nenhuma, ou
quase nenhuma, função humana ou social e, ademais, na maioria das vezes, chega a
corromper drasticamente esses campos – como é o caso das guerras, da excessiva
automação industrial, das políticas tecnocráticas, etc.
Em suma, a tecnologia é tida enquanto mais um instrumento de potencialidades
humanas, podendo ter uma expressiva funcionalidade libertária – como nos campos
da medicina, das comunicações, dos transportes, da segurança e desenvolvimento
produtivo do trabalho, etc.
Porém, a corrente de pensamentos anarco-primitivista defende a aversão a
qualquer forma de desenvolvimento tecnológico, advogando o retorno das condições
pré-civilizatórias para um efetivo desenvolvimento humano.
Histórico dos movimentos anarquistas
O anarquismo desempenhou papéis significativos nos grandes conflitos da primeira
metade do século XX. Durante a Revolução Russa de 1917, Nestor Makhno tenta
implantar o anarquismo na Ucrânia, com apoio de várias comunidades camponesas,
mas que acabam derrotadas pelo Estado bolchevique de Lênin.
Ver artigo principal: Revolução Ucraniana
Quinze anos depois, anarquistas organizados em torno de uma confederação
anarco-sindicalista impedem que um golpe militar fascista seja bem sucedido na
Catalunha (Espanha), e são os primeiros a organizar milícias para impedir o
avanço destes na consequente Guerra Civil Espanhola. Durante o curso dessa
guerra civil, os anarquistas controlaram um grande território que compreendia a
Catalunha e Aragão, onde se incluía a região mais industrializada de Espanha,
sendo que a maior parte da economia passou a ser autogestionada (autogerida).
Ver artigo principal: Revolução Espanhola
Após a Segunda Guerra Mundial, o movimento anarquista deixou de ser um movimento
de massas, e perdeu a influência que tinha no movimento operário dos vários
países europeus. Entretanto, continuaria a influenciar revoltas populares que se
seguiram na segunda metade do século XX, como o Maio de 68 na França, o
movimento anti-Poll tax no Reino Unido e os protestos contra a reunião da OMC em
Seattle, nos Estados Unidos.
Anarquismo no Brasil
Talvez uma das primeiras experiências anarquistas do mundo, antes mesmo de ter
sido criado o termo, tenha ocorrido nas margens da Baía de Babitonga, perto da
cidade histórica de São Francisco do Sul. Em 1842 o Dr. Benoit Jules Mure,
inspirado na teorias de Fourier, instala o Falanstério do Saí ou Colônia
Industrial do Saí, reunindo os colonos vindos de França no Rio de Janeiro em
1841. Houve dissidências e um grupo dissidente, à frente do qual estava Michel
Derrion, constituiu outra colônia a algumas léguas do Saí, num lugar chamado
Palmital: a Colônia do Palmital.
Mure conseguiu apoio do Coronel Oliveira Camacho e do presidente da Província de
Santa Catarina, Antero Ferreira de Brito. Este apoio foi-lhe fundamental para
posteriormente conseguir a ajuda financeira do Governo Imperial do Brasil para
seu projeto.
O anarquismo no Brasil ganhou força com a grande imigração de trabalhadores
europeus entre fins do século XIX e início do século XX. Em 1889 Giovani Rossi
tentou fundar em Palmeira, no interior do Paraná, uma comunidade baseada no
trabalho, na vida e na negação do reconhecimento civil e religioso do
matrimônio, (o que não significa, necessariamente, "amor livre"), denominada
Colônia Cecília. A experiência teve curta duração.
No início do século XX, o anarquismo e o anarco-sindicalismo eram tendências
majoritárias entre o operariado, culminando com as grandes greves operárias de
1917, em São Paulo, e 1918-1919, no Rio de Janeiro. Durante o mesmo período,
escolas modernas foram abertas em várias cidades brasileiras, muitas delas a
partir da iniciativa de agremiações operárias de inclinação anarquista.
Alguns acreditam que a decadência do movimento anarquista se deveu ao
fortalecimento das correntes do socialismo autoritário, ou estatal, i.e.,
marxista-leninista, com a criação do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1922
participada inclusivamente, por ex-integrantes do movimento anarquista que,
influenciados pelo sucesso da revolução Russa, decidem fundar um partido segundo
os moldes do partido bolchevique russo.
Porém, esta posição, sustentada por muitos historiadores, vem sendo contestada
desde a década de 1970 por Edgar Rodrigues (anarquista português naturalizado no
Brasil, pesquisador autodidata da história do movimento anarquista no Brasil e
em Portugal), e pelos recentes estudos de Alexandre Samis que indicam que a
influência anarquista no movimento operário cresceu mais durante este período do
que no já fundado (PCB) e só a repressão do governo de Artur Bernardes, viria
diminuir a influência das idéias anarquistas no seio do movimento grevista.
Artur Bernardes foi responsável por campos de concentração e centros de tortura,
nos quais morreram inúmeros libertários, sendo que o pior de tais campos foi o
de Clevelândia, localizado no Oiapoque. Edgar Rodrigues apresenta em várias de
suas obras as investidas de membros do PCB que, procurando transformar os
sindicatos livres em sindicatos partidários e conquistar devotos às idéias
leninistas, polemizavam em sindicatos e jornais, chegando a realizar atentados
contra anarquistas que se destacavam no movimento operário brasileiro, durante a
década de 1920.
Provavelmente devido aos problemas de comunicação resultantes da tecnologia da
época, os anarquistas só terão compreendido a revolução russa de forma mais
clara, a partir das notícias de célebres anarquistas, como a estadunidense Emma
Goldman, que denunciara as atrocidades cometidas na Rússia em nome da ditadura
do proletariado. Seria a partir deste momento histórico que se definiria a
posição tática do anarquismo perante os socialistas autoritários no Brasil,
separando a confusão ideológica que reinava em torno da revolução russa,
identificada pelos anarquistas inicialmente como uma revolução libertária. Esta
idéia seria depois desmistificada pelos anarquistas, que acreditam no socialismo
sem ditadura, defendendo a liberdade e a abolição do Estado.
Para Rômulo Angélico, foi durante o governo de Getúlio Vargas que o
anarco-sindicalismo recebeu seu golpe de morte, devido ao surgimento dos
sindicatos controlados pelo Estado e as novas perseguições estatais. Até a
primeira metade da década de 1930, no entanto, o anarquismo permaneceu a
ideologia mais influente entre os operários brasileiros.
Durante o Regime Militar (1964-1985), as principais expressões anarquistas no
Brasil foram o Centro de Estudos Professor José Oiticica, no Rio de Janeiro, o
Centro de Cultura Social de São Paulo e o Jornal O Protesto no Rio Grande do
Sul. Todos foram fechados no final da década de 1960, mas seus militantes
continuaram se encontrando clandestinamente, publicando livros e se
correspondendo com libertários de outros países. na década de 1970 surge na
Bahia o jornal O Inimigo do Rei, impulsionando a formação de novos grupos
anarquistas, atráves das editorias autogestionárias, em várias partes do Brasil.
No Rio Grande do Sul, nos anos oitenta, cria-se na cidade de Caxias do Sul, o
Centro de Estudos em Pesquisa Social- CEPS, voltado para o trabalho social. No
ano de 1986, na cidade de Florianópolis, é realizada a Primeira Jornada
Libertaria com o lançamento das bases para a reorganização da Confederação
Operária Brasileira - COB/AIT e a organização dos anarquistas.
O anarquismo, mesmo com a repressão, renasce, em meio aos estudantes,
intelectuais e trabalhadores.
você pode ver na internet um livro de Edgard Leuenroth "Anarquismo roteiro da
libertação social" publicado na década de 60 pela editora mundo livre feita pelo
CEPJO.
Anarquismo em Portugal
Ver artigo principal: História do movimento anarquista em Portugal
No final do século XIX dá-se o desenvolvimento de grupos anarquistas, que
contribuíram para o derrube da monarquia em 1910. Com a Primeira República dá-se
uma grande expansão e é fundada em 1919 a Confederação Geral dos Trabalhadores,
de tendência sindicalista revolucionária e anarco-sindicalista.
Conseqüentemente, com a instauração da Ditadura Militar em 1926, e com a
ditadura de Salazar que se lhe seguiu, proíbe-se a atividade dos grupos
anarquistas. Em 1933 a censura prévia é legalmente instituída. Os vários jornais
anarquistas, incluindo “A batalha”, passam a ser clandestinos e a ser alvos de
perseguições. Em 1938 dá-se o atentado no qual se tentou assassinar
Salazar.[carece de fontes?]
Com o 25 de Abril de 1974 há um novo ressurgimento do movimento libertário,
embora com uma expressão reduzida.
Anarquistas mais conhecidos
Noam Chomsky (1928–)
[editar] Internacionalmente conhecidos
Kate Sharpley
Henry David Thoreau, autor do livro chamado Desobediência Civil
Anselme Bellegarrigue
Mary Wollstonecraft - (1759 - 1797), ativista libertária e precursora do
feminismo
Max Stirner (1806 - 1856), anarquista individualista
Pierre Joseph Proudhon (1809 - 1865), Considerado o 'pai' do anarquismo e do
mutualismo anarquista
Mikhail Bakunin (1814 - 1876), conhecido anarquista socialista
Buenaventura Durruti (1896 - 1936), militante anarco-sindicalista espanhol,
talvez o mais conhecido revolucionário anarquista do século XX.
Leon Tolstói (1828 - 1910) , escritor russo, anarquista cristão.
Louise Michel (1833 - 1905), professora, militante anarquista e communard
Piotr Kropotkin (1842 - 1921), anarquista-comunista
Errico Malatesta (1853 - 1932), anarquista italiano
Benjamin Tucker (1854 - 1939), grande defensor do anarquismo individualista
Voltairine de Cleyre (1866 - 1912)
Emma Goldman (1869 - 1940), anarco-sindicalista e principal teórica
anarca-feminista
Rudolph Rocker (1873 - 1958), anarco-sindicalista
Noam Chomsky (1928 - ), lingüista, adepto do socialismo libertário
Murray Rothbard (1926 - 1995), anarco-capitalista.
Élisée Reclus (1830 - 1905), geógrafo francês, considerado um dos grandes
pensadores do século XIX.
Anarquistas brasileiros
José Oiticica (1882 - 1957)
Maria Lacerda de Moura (1887 - 1945) - Anarquista Feminista
Domingos Passos
Florentino de Carvalho (1889 - 1947)
Edgard Leuenroth (1888 - 1968)
Anarquistas portugueses
António Gonçalves Correia, (1886 - 1967)
Neno Vasco (1878 - 1920)
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