O Coronelismo no Brasil é símbolo de autoritarismo e
impunidade. Suas práticas remontam do caudilhismo e do
caciquismo que provém dos tempos da colonização do
Brasil. Ganhou força na época do primeiro reinado,
chegando ao final do século XIX tomando conta da cena
política brasileira. Conjunto de ações políticas de
latifundiários (chamados de coronéis) em caráter local,
regional ou federal, onde se aplica o domínio econômico
e social para a manipulação eleitoral em causa própria
ou de particulares. Fenômeno social e político típico da
República Velha, caracterizado pelo prestígio de um
chefe político e por seu poder de mando.
As raízes
As raízes do coronelismo provém da tradição patriarcal
brasileira e do arcaísmo da estrutura agropecuária no
interior remoto do país.
Quando foi criada a Guarda Nacional em 1831 pelo governo
imperial, as milícias e ordenanças foram extintas e
substituídas pela nova corporação. A Guarda Nacional
passou a defender a integridade do império e a
Constituição.
Como os quadros da corporação eram nomeados pelo governo
central ou pelos presidentes de província, iniciou-se um
longo processo de tráfico de influências e corrupção
política. Como o Brasil se baseava estruturalmente em
oligarquias, esses líderes, ou seja, os grandes
latifundiários e oligarcas, começaram a financiar
campanhas políticas de seus afilhados, e ao mesmo tempo
ganhar o poder de comandar a Guarda Nacional.
Devido a esta estrutura, a patente de coronel da Guarda
Nacional, passou a ser equivalente a um título
nobiliárquico, concedida de preferência aos grandes
proprietários de terras. Desta forma conseguiram
adquirir autoridade para impor a ordem sobre o povo e os
escravos.
A disseminação pelo Brasil e a falta de controle
Devido ao seu território continental, portanto à falta
de mecanismos de vigilância direta dos coronéis pelo
poder central, e pela população pobre e ignorante, o
Brasil passou a ser refém dos coronéis. Estes
"personificaram a invasão particular da autoridade
pública". O sistema criado pelo coronelismo passou a
favorecer os grandes proprietários que iniciaram a
invasão, a tomada de terras pela força e a expulsão do
pequeno produtor rural, que passou a se transformar numa
figura servil em nome dos novos senhores.
Portanto, surgiu a figura do coronel sem cargo,
qualificado pelo prestígio e pela capacidade de
mobilização eleitoral.
O compadrio
Começaram então a surgir as relações de compadrio, onde
os elementos considerados inferiores e dependentes
submetiam-se ao senhor da terra pela proteção e
persuasão. Se por um acaso houvesse alguma resistência
de alguma parcela dos apadrinhados, estes eram expulsos
da fazenda, perseguidos e assassinados impunemente.
Muitas vezes juntamente com toda a sua família para
servir de exemplo aos outros afilhados.
Primeira República
Com a Proclamação da República do Brasil até o final da
república velha, em 1930, o coronelismo se manteve em
relativo equilíbrio.
Promulgada a primeira constituição republicana,
adotou-se um sistema eleitoral, onde o voto era aberto .
Cada chefe político tinha, portanto, pleno controle
sobre seus eleitores e, a rigor, a democracia era uma
mera ficção.
Após o governo Campos Sales houve uma coligação de
poderes estaduais que favoreceu o pleno florescimento do
coronelismo. O aumento da riqueza agrícola, e portanto
do poder dos grandes latifundiários e oligarcas,
propiciou sua chegada à esfera do poder central. Os
chefes dos estados, passaram a ser os coronéis dos
coronéis, os currais eleitorais se multiplicaram no
país, a compra e troca de votos dos eleitores por
favores e apadrinhamentos passou a ser prática comum nas
grandes cidades agora, além da área rural
A manutenção do poder, e a neutralização da oposição
Qualquer coronel chefe de algum município que se
opusesse a um coronel do estado, sofreria retaliações em
forma de cortes de verbas para o município, que gerariam
perda de votos e portanto, o líder caía em desgraça,
isto é, opor-se ao governo do estado, implicava sérias
privações para o chefe municipal e seus seguidores,
principalmente no interior. Nos municípios mais ricos,
com o aumento da cultura política da população, começou
a haver uma certa oposição ao coronelismo. O problema
porém, é que começaram a haver os coronéis de situação e
os coronéis de oposição. Embora uma vitória eleitoral de
um coronel de oposição, poderia ser considerada um fato
raro, pois em caso de vitória deste, a máquina
político-administrativa governamental trabalhava contra
ele na política, no fisco, na justiça e na
administração. O mecanismo era simples e eficiente, uma
vez eleito, o opositor precisava de recursos, estes
dificilmente viriam sem concessões.
O coronelismo entre as décadas de 1930 a 1960
Entre a década de trinta e a década de sessenta, a
população rural iniciou seu lento deslocamento para os
centros urbanos. O acesso à educação e aos meios de
comunicação fizeram a população aumentar seu nível
cultural e portanto sua politização. O eleitor passou a
ser mais crítico, e os poderosos então tiveram que mudar
suas táticas de obtenção de votos. Começaram a surgir
novos líderes, porém no interior o coronelismo
continuava com sua força e os currais eleitorais ainda
existiam. Ainda hoje, boa parcela da população
interiorana é mantida ignorante e sem acesso à
informação e à educação, principalmente nas grandes
propriedades rurais mais distantes, no interior da
Amazônia, onde aumentam as denúncias de escravidão.
A influência dos meios de comunicação
Com o surgimento de novos líderes e com o crescimento do
uso dos meios de comunicação, estes começaram a se
dirigir à população de forma cada vez mais concentrada
nas grandes cidades que iniciavam seu longo inchaço em
direção à favelização diminuindo o poder político dos
coronéis. Na área rural porém através da pobreza e da
dependência da população, surgiu um novo método de
adquirir votos, o chamado voto de cabresto. Este
propiciou o crescimento de um método de poder que já
existia, porém no Brasil ganhou força juntamente com o
coronelismo, era o caudilhismo.
O coronel-caudilho
A diferença básica entre o coronel e o caudilho, é que o
primeiro se impõe pela força e pelo medo, enquanto o
segundo se impõe pelo carisma e pela liderança no
sentido de salvador da pátria. Tanto um quanto outro se
manifestaram no Brasil. Ambos eram fenômenos oriundos do
meio rural, da ignorância e analfabetismo funcional do
eleitor. Ambos eram sistemas onde a palavra de ordem
eram ditadura e autoritarismo, muitas vezes através do
terror.
O início das liberdades democráticas
Já no final da década de 80, o caudilhismo há muito
deixou de ser um método de obtenção e manutenção do
poder no Brasil pelos coronéis. Porém o coronelismo
perdura nos municípios e regiões mais afastadas no
interior, promovendo ainda assassinatos e terrorismo
entre a população menos favorecida. Apesar disso, os
mecanismos de proteção institucional começaram a se
formar com a queda da ditadura militar que havia sido
imposta ao País pelo golpe militar de 1964. Em 1988, com
a promulgação da Constituição Cidadã, o brasileiro
passou a ter reconhecida sua cidadania de forma mais
plena. As denúncias de desmandos, corrupção, roubos e
crimes de colarinho branco começaram a ser divulgadas
pela mídia nacional e internacional. Os detentores do
poder econômico, os grandes oligarcas ou coronéis
tornaram-se figuras com uma nova roupagem - são os
"caciques".
Caciquismo
O caciquismo também é oriundo da época do império, mas o
método era utilizado por poucos líderes políticos até
ser redescoberto no início da década de noventa.
Uma vez que o fenômeno é bastante semelhante ao
coronelismo e ao caudilhismo, o caciquismo difere na
agressividade.
O cacique político é o chefe político local de uma
determinada comunidade, pode ser um deputado estadual,
federal ou um senador. Seu domínio se espalha pelos
currais eleitorais que estão a seu dispor. O traço
principal do coronel-cacique é a chamada política
clientelista, esta se dá através de concessão de favores
e cargos públicos, chamados de cargos de confiança, ou
cargos comissionados.
O caciquismo, também se utiliza da chamada política de
mão-no-ombro. Normalmente o cacique domina seu
eleitorado da mesma forma que o caudilho, isto é pela
emoção, mas detém o poder de controlar a quantidade de
votos de determinada região da mesma forma que o
coronelismo, só que desta vez o controle é por zona
eleitoral, e não por área rural. Desta forma o cacique
age cortando as verbas e trabalhos da máquina estatal
para esta zona eleitoral, propiciando um enriquecimento,
ou empobrecimento da região conforme sua necessidade de
angariar poder. Igual ao coronel, o cacique age também
sobre o processo eleitoral local, o que multiplica seu
poder e o torna temido.
A mudança de mentalidade
Devido às novas variáveis que se impõe à realidade
eleitoral brasileira, à mobilidade da população e à
recomposição demográfica da sociedade, o coronelismo e
seus sub-produtos, estão dia a dia diminuindo sua
influência direta e arcaica, porém são muito presentes
ainda hoje na Mídia ativa e passivamente. Atualmente, o
controle da população é baseado, principalmente, na
televisão que está presente e enraizada nos mais
variados níveis econômicos. A atual influência é
fortemente ligada a maior rede de TV brasileira Rede
Globo, principalmente em casos como na eleição de
Fernando Collor de Mello em 1989.
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